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Notícias 25. 2. 2021

Margaret Zhang é a nova diretora da Vogue China

by Nicole Phelps

 

 Margaret Zhang, chinesa nascida na Austrália, é a nova diretora da Vogue China. Aos 27 anos, é uma das mais jovens diretoras da Vogue.

Anna Wintour, editor in chief e diretora editorial global da Vogue e diretora de conteúdo global da Condé Nast, afirma: "Estou radiante por ter a Margaret como nova diretora da Vogue China. A sua experiência internacional, conhecimentos excecionais nas múltiplas plataformas digitais e interesses diversificados são a combinação perfeita para liderar a Vogue China rumo ao futuro." 

Li Li, diretora executiva da Condé Nast China, acrescenta: "A Margaret compreende as tendências emergentes de uma nova geração de chineses e possui a visão de negócio necessária para impulsionar os nossos dados e pontos de vista em todas as novas plataformas digitais. Estamos muito recetivos à sua criatividade e inovação na definição de novas abordagens aos meios digitais e estamos ansiosos por vê-la trazer a Moda internacional para a China e, ao mesmo tempo, mostrar a cultura chinesa ao resto do mundo." 

Zhang é uma presença inconfundível na primeira fila dos desfiles de Moda e muito procurada pelos fotógrafos de street style, com cabelo pintado de cores vivas (atualmente num intenso tom de azul), um sentido de estilo minimalista mas eclético, e uns impressionantes 1,1 milhões de seguidores no Instagram. A sua biografia descreve-a como realizadora de cinema – escreveu um argumento intitulado Número 65 acerca da dinâmica chinesa entre mãe e filha no qual está a trabalhar atualmente – mas também já se aventurou como diretora criativa, fotógrafa, consultora de moda, escritora e, ocasionalmente, modelo. 

Em 2016, produziu duas capas digitais para a edição de lançamento da Vogue ME China, às quais deu rosto. Além disso, Zhang é cofundadora da Background, uma empresa de consultoria internacional com colaborações desde o Airbnb até ao YouTube e com as casas de Moda como a Moncler e Mulberry, onde é responsável por estabelecer a ponte entre as culturas ocidental e chinesa.

Substitui Angelica Cheung, a diretora fundadora da Vogue China, cujos 16 anos em funções na revista coincidiram com a ascensão da Moda de luxo no país. A nomeação de Zhang assinala uma mudança geracional estratégica. Tendo lançado o seu blogue aos 16 anos, em 2009, é uma nativa digital, tal como os jovens que agora está encarregada de converter em seguidores da Vogue. 

"A Vogue tem um forte legado com mais de 125 anos – pelo menos nos EUA – de importante impacto cultural", refere Zhang. "Esta nova função dá-me a incrível oportunidade de conciliar as minhas origens, competências e interesses." 

 

A nova diretora reside atualmente em Sydney, onde cresceu, mas passou os últimos cinco anos em Nova Iorque, intercalados com viagens para a China sensivelmente a cada seis semanas. Tenciona mudar-se para Pequim logo que a pandemia o permita. Zhang considera que as suas novas responsabilidades se estendem tanto para fora como para dentro, pois acredita que a sua experiência internacional a coloca numa boa posição para as desempenhar. "Há muitos conteúdos sobre a China que se perderam. É vista muitas vezes como uma entidade monolítica e não como um país de indivíduos e inovações", afirma. "Creio que a Vogue China dispõe de uma imensa plataforma para falar destes indivíduos não só ao mundo como também aos seus próprios cidadãos. Temos uma enorme oportunidade de promover o talento local – no cinema, na música e nas belas-artes, além da Moda – e de lhe dar voz no palco internacional, visto se tratar de uma marca tão reconhecida e credível".

Os pais de Zhang mudaram-se de Huangyan, uma cidade na província chinesa de Zhejiang, para a Austrália. O pai foi professor de engenharia mecânica na Universidade de Sydney. Foi a paixão pelo ballet que a levou para a moda (tem também formação em piano clássico). "Tive muita sorte por eu e o meu irmão termos tido uma educação tão diversificada e por contarmos com um grande apoio dos nossos pais. Ambos crescemos a aprender dança e é daí que vem o interesse pela Moda." 

Zhang utilizou os vales-presente que ganhou como reconhecimento dos bons resultados obtidos no sétimo ano para comprar edições internacionais da Vogue na sua livraria local. A edição de dezembro de 2005 com Nicole Kidman na capa foi o seu primeiro encontro com a Vogue China. Apesar da frequente mudança de cor de cabelo, a sensibilidade de Zhang perante a mMda nunca mudou. Nos desfiles, veste geralmente peças personalizadas. Apesar do seu estatuto de ícone de Moda urbana, é mais fácil vê-la de calças e t-shirt do que produzida dos pés à cabeça. 

 

 

Lançou o seu blogue Shine by Three em 2009, com 16 anos, onde reunia reflexões pessoais e aquilo a que Zhang carinhosamente chama "um depósito de imagens de estímulos visuais". Atualmente, o seu site homónimo é um misto de interesses profissionais e pessoais. No ano passado, no início da pandemia da COVID-19, Zhang publicou um vídeo em direto com fins solidários onde preparava a receita de dumplings da sua família. "Estou lentamente a estudar todas as receitas de comida tradicional chinesa da minha mãe", afirma. "É uma cozinheira extraordinária. Tenho muito que aprender." Zhang joga ténis duas vezes por semana desde que regressou a Sydney no ano passado. Tem uma sifu de Kung Fu em Nova Iorque e um treinador de Muay Thai em Xangai. 

Olhando em retrospetiva para os primeiros tempos do seu blogue, Zhang diz: "Estava no lugar certo à hora certa", reconhecendo que foi tanto a sua idade como o estatuto racial que chamou a atenção das pessoas na Austrália. Começou a trabalhar quase de imediato, sem esperar pelo final dos estudos. Na Universidade de Sydney, onde se formou em Gestão e Direito, não havia muitos mentores que fossem parecidos com ela ou partilhassem as mesmas origens. Por sua vez, afirma: "Sempre quis ser mentora de outras pessoas e ter a possibilidade de dizer que não tenho todas as respostas. Penso que é muito importante que as pessoas nos digam as coisas como são e que se sintam no direito de perseguir os seus objetivos pessoais sem deixarem de me desafiar e me fazerem questionar a minha visão do mundo".

Quem irá brilhar na primeira capa de Zhang e o que devemos esperar das várias plataformas da Vogue China? "Longe vai o tempo, de muitas formas, em que podíamos ter um rosto sem nome, sem visibilidade e sem voz num editorial de Moda", responde. "As pessoas querem perceber que mais-valia pode essa pessoa trazer. Quais são as suas opiniões? E como me posso relacionar com elas?" As questões que mais preocupam Zhang são a sustentabilidade, a diversidade e a inclusão. "Mas", avisa, "não se trata de publicar um número verde aqui ou uma conversa sobre sustentabilidade ali. Trata-se de pôr esses princípios em prática, e o mesmo acontece com a diversidade". Prossegue: "Creio que quem aparecer na Vogue China deve ser alguém que as pessoas admirem de forma substancial e que promova a inovação, independentemente da indústria em que se move."