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Tendências 2. 11. 2020

E se a luz dos ecrãs fosse tão prejudicial para a pele como a luz do sol?

by Ana Saldanha

 

As horas em frente ao computador no escritório, a fazer scroll nas redes sociais, a responder a emails ou a trocar mensagens com amigos não causam queimaduras, mas transportam um inimigo invisível.

© Getty Images 

Era só o que faltava. Não bastava o sol, a poluição, as alterações climáticas e os maus hábitos alimentares, também a luz dos telemóveis, computadores e tablets faz parte do leque de inimigos da pele – este leque chama-se expossoma e é responsável por 80% do envelhecimento da pele. No big deal. Blanca Porto, médica especialista em tratamentos antienvelhecimento na clínica Secret Beauty, em Lisboa, explica que “cada vez mais passamos muitas horas em frente a ecrãs com este tipo de luz, o que fará com que esta radiação penetre profundamente nas camadas da pele, acelerando a produção de radicais livres.” Esta luz azul, também chamada de luz visível, é extremamente concentrada e produz uma quantidade de energia que é capaz de penetrar a derme e a epiderme, ou seja, de forma mais profunda que os raios solares UVA e UVB.

Ao contrário do que acontece com a luz solar, a exposição prolongada à luz visível não tem consequências imediatas e visíveis (como uma queimadura solar), mas a longo prazo danifica o ADN, deixando a pele mais frágil e permeável à exposição solar. “As consequências da sobre-exposição luminosa são a perda de firmeza e elasticidade da pele devido à diminuição da produção de colagénio, elastina e ácido hialurónico, a deterioração das membranas celulares, o aparecimento de manchas devido à superprodução de melanina causada pela luz emitida pelos ecrãs e a desidratação e flacidez da pele facial”, enumera a especialista.

Um estudo realizado em 2017 pela Unilever Skincare Research ligou danos como hiperpigmentação, rugas e manchas ao tempo passado em frente aos ecrãs e um estudo do mesmo ano da Accel e Qualtrics revelou que os millennials olham para o telemóvel (demasiado) perto de 150 vezes por dia. Fazendo bem as contas, nem vale a pena negar que passamos a maior parte do dia com um pequeno ecrã como extensão do braço, isto quando não estamos a um palmo do ecrã do computador.

Mas os danos causados pelas luzes fluorescentes não acontecem só durante a exposição à radiação dos ecrãs. No ano passado a Estée Lauder conduziu um estudo que revelou que, quando somos expostos à luz azul durante o período da noite, o nosso corpo recebe a indicação de que ainda não se deve preparar para dormir. E se é durante o sono que ocorrem os processos de recuperação e regeneração da pele, as luzes fluorescentes acabam por impedir que este ciclo ocorra de forma natural. “A luz azul faz com que o nosso cérebro não perceba que anoiteceu e inibe a secreção de melatonina, o que pode causar distúrbios e dificuldades ao dormir. O ideal é desligar todos os dispositivos uma hora antes de dormir”, aconselha Blanca Porto.

E fique atento aos sinais, já que o calor excessivo emitido pelos telemóveis – se já sentiu o rosto muito quente durante uma longa chamada ao telemóvel saberá do que estamos a falar – afeta a produção de melanina e pode também estar na origem do aparecimento de algumas manchas nas zonas laterais do rosto. Já para não falar de que os telemóveis são terreno fértil para todo o tipo de bactérias que, em casos de pele mais sensível, podem causar ou agravar problemas como acne ou rosácea. Bonus tip: sabe aquele movimento que faz cada vez que olha para o telemóvel quando, por exemplo, recebe uma notificação? Fique a saber que, segundo uma investigação de 2014 publicada na revista médica Surgical Technology International, a repetição deste gesto pode resultar na perda de elasticidade na pele do pescoço e, em consequência, no temido double chin. Sim, não é só o inimigo luz que deve combater.

Vamos aos factos. Os ecrãs estão cada vez mais presentes no nosso dia a dia e de forma cada vez mais prolongada. Check. As luzes desses ecrãs são altamente prejudiciais para a nossa pele a longo prazo. Check. Mas não é caso para pânico. Se a previsão é um futuro luminoso, só terá de arranjar formas para se proteger dele. Os antioxidantes, por exemplo, são fortes aliados no combate aos radicais livres e podem ser facilmente encontrados em alimentos, por exemplo em citrinos e frutos vermelhos, ou em produtos de beleza ricos em ingredientes como vitamina C, vitamina E, retinol ou niacinamida.

“Desconectarmo-nos agora seria uma utopia e antes de quebrar cada um dos ecrãs que nos rodeiam, o melhor que podemos fazer é cuidar e prevenir. A medida fundamental é incorporar na rotina diária um protetor solar. A proteção solar não é necessária apenas nos dias de sol e quando saímos, também deve ser utilizada nos dias de chuva e até mesmo estando em casa para evitar os males maiores que os ecrãs acabam por causar”, alerta Blanca Porto. E a especialista acrescenta ainda: “Há que ter muito cuidado depois de fazer qualquer procedimento médico-estético e não se expor a este tipo de luzes para evitar a hiperpigmentação”.

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