Próximo Artigo

Livro de História: Victoria’s Secret

Tendências 27. 8. 2016

Livro de história: Tom Ford

by Vanessa Vieira Dias

 

Se a provocação tivesse outro nome, poder-se-ia chamar Tom Ford. Mas a este primeiro atributo seguir-se-iam apelidos como talento, visão e trabalho árduo. Fazemos o retrato deste génio da Moda no dia em que comemora 55 anos.
 
 

A 27 de agosto de 1961, Austin, Texas, tornava-se a terra natal daquela que viria a ser uma das personalidades mais marcantes no universo da Moda. Criado num ambiente onde a liberdade para ser o que desejasse se assumiu, desde logo, como um dado adquirido, Tom Ford cultivou a ideia de que tudo era possível e que poderia ser o que quisesse. Talvez tenha sido essa maleabilidade de aspirações que não o travou quando, no último ano do curso de arquitetura, desejou dar uma volta de 180 graus na sua vida – acordou uma manhã sem perceber o que estava ali a fazer. Nesse momento marcante fez desencadear a reviravolta que deu início a uma caminhada feita de triunfos. Diz ter chegado à conclusão que a Moda era o equilíbrio perfeito entre a arte e o comércio e não hesitou em dar o "leap of faith”. 

Em 1985 decidiu que iria conseguir um trabalho com a designer de vestuário desportivo Cathy Hardwick e ouvir uma resposta negativa não iria demovê-lo – afinal, não tinham sido os seus próprios pais a garantir-lhe que poderia ser o que desejasse? Durante mais de um mês, o  jovem designer ligou todos os dias para o escritório de Hardwick a pedir uma oportunidade. A vitória deu-se pelo cansaço e depois de uma entrevista curta – à qual Ford demorou apenas 2 minutos a chegar (ligava diariamente do átrio do prédio onde era o escritório) –, na qual Hardwick não previa lhe dar-lhe qualquer hipótese, Tom Ford conseguiu o trabalho. Poder-se-ia dizer que a perspicácia e o olhar atento lhe abriram a porta necessária para dar arranque ao seu currículo profissional.

Foi com toque de mestre que se iniciou uma jornada de dois anos como assistente, que viria a dar lugar a um trabalho na Perry Elis, em Nova Iorque. Mas a aventura profissional de Ford não ficaria apenas por terras do Tio Sam e mudar-se-ia para Milão quando, em 1990, assume o cargo de designer na linha feminina da Gucci. A chegada de Tom Ford à casa de luxo foi uma lufada de ar fresco que encheu os ateliers e resultou em mudanças profundas na imagem da marca – para trás ficava ao minimalismo dos anos 90, que dava agora lugar a looks retro e ao sex appeal

E a fórmula resultou. O triunfo deu-se em menos de cinco anos: em 1992 tornava-se Diretor de Designers e em 1994 alcançava um dos lugares mais desejados, o de Diretor Criativo da casa. Até 2004, Ford compôs as fileiras da Gucci numa revolução de estilo cujo impacto a nível financeiro não poderia ter passado indiferente – as vendas anuais da Gucci cresceram dos 230 milhões para os 3 mil milhões de dólares.

É neste ano que as correntes da mudança voltam a surgir no horizonte de Tom Ford – a Gucci estava a ser adquirida pela multinacional Pinault Printemps Redeoute – e, tal como em outros momentos, o designer embarca numa nova aventura. Deixa a casa que revolucionou e funda a sua própria marca, homónima, assinando as linhas de prêt-a-porter, de óculos e de Beleza. 

Em quase três décadas de caminhada profissional, não houve espaço para falhas e o reconhecimento chegou em forma de prémios, mas sobretudo na admiração da indústria. Das passerelles às suas sempre inovadoras campanhas, é único na forma como celebra o feminino e o sexy. Na Vanity Fair de 2006, por exemplo, apareceu como o centro das atenções das musas Keira Knightley e Scarlett Johansson, nuas, claro. Já a campanha do perfume Opium (que dirigiu enquanto ainda fazia parte da Gucci), Sophie Dahl apenas precisou de um colar de pérolas e uns stilettos para compor um universo de charme onde seriam apenas precisas duas gotas, não de Chanel nº5, mas sim do perfume da YSL.

Aos 55 anos e com um império de Moda homónimo, Tom Ford continua a reinventar-se e a seguir um caminho que é pavimentado por si mesmo. Estar no sítio certo, à hora certa importa, mas, para o espírito incontrolável do designer, se a circunstância não acontece, tem de ser forçada pela determinação de uma vocação. E a sua é a Moda.

 

Artigos Relacionados

Tendências 28. 9. 2018

Livro de História: Brigitte Bardot

Para Andy Warhol, foi a primeira mulher da era moderna. Os Beatles adoravam-na e a escritora Marguerite Duras apelidou-a de “Queen Bardot”.

Ler mais

Tendências 17. 8. 2018

Livro de História: Chanel

Não se queimaram soutiens, mas nem por isso a emancipação feminina foi menos significativa: desapertaram-se espartilhos, alargaram-se cinturas, libertaram-se as mulheres. Nasceu Chanel.

Ler mais

Pessoas 29. 8. 2017

Livro de história: Ingrid Bergman

Um retrato vivo de beleza, o expoente máximo de feminilidade clássica, a personagem de um dos romances mais icónicos da sétima arte. Esta é Ingrid Bergman: o ícone, a atriz e a mulher que protagonizou uma história real que enche o imaginário de cada um.

Ler mais

Tendências 17. 3. 2017

Livro de História: Alexander McQueen

Revisitamos a narrativa estética de um dos mais geniais criadores do nosso tempo.

Ler mais

Tendências 22. 11. 2016

Livro de História: Victoria’s Secret

Era uma vez um lugar mágico onde todas as supermodelos ganham asas. Este podia ser o início de um livro de fantasia utópica, mas é só a história da Victoria’s Secret.

Ler mais

Este website utiliza cookies. Saiba mais sobre a nossa política de cookies.   OK