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Entrevistas 17. 9. 2020

Júlia Palha, uma mulher Intimissimi

by Mathilde Misciagna

 

Vera pela voz, rosto e corpo da atriz Júlia Palha.

“Saber gostar de tudo em ti, sem medos. Isso sim, faz de ti mulher, uma mulher Intimissimi.” É com este mote que a marca italiana de lingerie apresenta a nova campanha da linha Vera em Portugal, protagonizada por Júlia Palha pela lente do fotógrafo Mário Príncipe. O texto, que serve de banda sonora, é um poema escrito pela jovem atriz, em exclusivo. Os versos expressam a visão de Júlia sobre as mulheres, como cada uma é única com a própria beleza e personalidade. Uma linha cujos modelos de soutien apresentam copas diferenciadas, desde B a F, para um suporte extra. A Vogue esteve com a atriz no dia do lançamento, numa conversa sobre corpos, inseguranças, confiança e mulheres livres.

No teu Instagram partilhas poemas e reflexões que procuram passar uma mensagem positiva aos milhares que te seguem. Há alguma memória feliz dos tempos em que estivemos de quarentena que gostasses de partilhar?

Eu acho que a minha memória mais feliz da quarentena foi uma aprendizagem que fiz. Eu sou uma pessoa muito ativa, que entra no estúdio às 8 da manhã saio às 8 da noite e ainda vou direta para um jantar. Se um dia por acaso entro às 9, saio mais cedo para ir ao ginásio ou para ir tratar de qualquer coisa ao banco ou a Lisboa. Estou a 300 o tempo todo. Eu tive seis projetos sempre todos seguidos com duas semanas de intervalo entre eles. Para quem faz novelas e cinema ao mesmo tempo é muito puxado. E de repente entrámos na quarentena e não parou só o trabalho, parou a rotina. E o que é que acontece ao ser humano quando pára? Pensa. Demasiado. E acho que foi uma coisa que aconteceu a nós jovens principalmente, que estamos mais desocupados. Se calhar os pais e mães que estão com crianças têm outras preocupações. Dei por mim a pensar o que é que estava mal na minha carreira, o que é que estava mal nas escolhas que fiz no passado, o que é que estava mal nas escolhas que tinha para o futuro, o que é que estava mal no meu corpo, o que é que tinha que emagrecer, o que é que tinha que comer, se tinha que fazer mais exercício ou dormir mais... E com este monte de pensamentos explodi. E percebi "eu preciso de ter calma e eu não preciso de ter calma só nesta quarentena eu preciso de ter calma na vida. Porque é que eu estou a lidar tão mal com a quarentena? Porque eu não tenho calma na vida. Porque eu tenho de estar sempre a 300 para não estar a sós com os meus pensamentos e com as minhas decisões." Que estranho estas coisas que acontecem na tua vida serem tão precisas. Que estranho uma pandemia mundial ser preciso para eu, que sou uma pessoa insignificante no meio das milhões que há no mundo, parar e pensar. E portanto eu acho que o mais feliz desta quarentena foi ensinar-me a ter calma e a respirar e a não querer tudo para ontem. 

Conta-nos um pouco sobre a tua relação com a Intimissimi, visto que este é o segundo ano consecutivo que trabalhas com a marca. Porque é que é tão especial para ti seres a embaixadora da linha Vera em específico?

É muito especial porque é um conceito com o qual eu me identifico muito e acho que as pessoas que me seguem têm essa noção. Eu estou sempre a tentar passar a mensagem de que as mulheres são poderosas, que para termos paz interior temos que ter autoestima, acreditar em nós mesmas, querer ser mais. Eu sei que tenho um público muito jovem no meu Instagram e procuro incentivar a que não acreditem no mundo falso que são as redes sociais e comecem a acreditar que não és tu que tens uma coisa fora do sítio, é o mundo que tem as coisas todas no sítio que é irreal. Por isso esta campanha faz-me muito sentido porque vai trazer uma linha que te ajuda a sentir tão confortável com o teu corpo que deixas de ter essas dúvidas sobre ti mesma.

Vera em italiano significa verdadeira... una donna vera – uma mulher verdadeira, que é como quem diz real. O que é que esta linha tem de diferente?

Eu li uma coisa no outro dia que dizia que as marcas precisam que nós não gostemos do nosso corpo, para nos venderem maquilhagem, comprimidos para emagrecer, etc. e o que esta linha faz não é trazer-te um soutien que vai mudar as tuas maminhas ou umas cuecas que vão mudar o teu rabo, vai-te trazer um soutien que te vai ajudar a sentires-te mais confortável com o que tu tens. E isso é que é importante, acreditares em ti, acreditares que o que tu tens está bom e suficiente e que tu és uma mulher real e que por isso é que existem diferentes copas de soutien e diferentes tamanhos de cuecas. Aquilo que tu acreditas que és vais começar a ver toda a gente à tua volta a acreditar também.

Que traços é que consideras mais românticos numa pessoa?

Sentido de humor. Adoro rodear-me de pessoas que me fazem rir. Gosto de pessoas discretas, acho que têm um certo mistério. E sem jogos, genuínas. Que dizem o que pensam. 

Sabemos bem como é difícil sentirmo-nos bem com o nosso corpo, especialmente enquanto mulheres. Sentiste-te sempre bem com o teu? O que é que mudou no teu mindset em relação ao teu corpo à medida que foste crescendo?

Nem sempre me senti bem com o meu corpo. Até porque o meu corpo mudou muito rápido. Eu era muito alta, muito magrinha, não tinha peito, não tinha rabo praticamente... Eu lembro-me que era pequenita e dizia à minha mãe "mãe as minhas amigas já têm todas maminhas e eu não vou ter" e a minha mãe ria-se e dizia "quem tem mais tarde tem mais" o que não é necessariamente verdade mas deve ter sido o que aconteceu com ela, então pela genética... e de repente, de um ano para o outro mesmo, tinha que estar a mudar de soutien todos os meses. Nessa fase usava camisolas muito largas e nunca usava decotes, para esconder... não queria ter maminhas e depois comecei a fazer alguns trabalhos em Moda e sabia que isso não dava jeito... É um trabalho pessoal, diria. Todos os dias aprendes a aceitar-te, a repetir que é bonito o que tu tens, que não é preciso mudar... mas ainda hoje tenho que fazer esse trabalho. Ainda há coisas que não gosto em mim e que sei que é estúpido.

Como é que te sentes mais confiante? Qual é aquele extra something que te dá um boost de confiança?

Máscara de pestanas porque eu acho que o olhar é das coisas mais importantes e eu gosto de um olhar intenso. E depois... uns saltos altos, adoro um bom salto.

Qual é a tua parte favorita de ser atriz?

É poder libertar a quantidade de emoções que tenho dentro de mim. Eu acho que sou muito emocional e descarrego nas pessoas que me são próximas e por vezes também no trabalho quando as coisas estão mais intensas. Há pessoas que são efetivamente mais emocionais que outras e têm mais necessidade de libertar emoções e sendo atriz eu posso fazer isso diariamente. E é como que uma descarga de energia que eu preciso e que se eu não estiver a representar vou ter que descarregar de outra maneira, que às vezes não é a mais certa.

Nem de propósito, o último filme no qual participaste chama-se Ordem Moral, a história de uma mulher livre. O que é para ti ser uma mulher livre? És livre?

Sou uma mulher livre. E para mim ser uma mulher livre é ser uma mulher que não depende de ninguém, que não tem medo de ninguém para tomar uma decisão. Já fui menos livre. É bom quando aprendes a dizer não e a não ter medo de dizer sim nas alturas certas. 

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