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John Galliano é o protagonista da próxima exposição do Costume Institute

03 Aug 2026
By Nicole Phelps

Viktoriya Sasonkina, Coco Rocha, Karlie Kloss, Jourdan Dunn e Raquel Zimmermann com acessórios para o cabelo de John Galliano e Julien d’Ys. Fotografia de Annie Leibovitz, Vogue, março de 2009.

A exposição “John Galliano: Horizons”, a realizar-se durante a primavera de 2027 no Costume Institute do Metropolitan Museum of Art, irá analisar e celebrar a obra de John Galliano.

Na história do Met, apenas dois outros designers ainda vivos foram objeto de exposições monográficas. O primeiro foi Yves Saint Laurent, em 1983, numa exposição organizada por Diana Vreeland; o segundo foi Rei Kawakubo, da Comme des Garçons, em 2017.

Galliano é amplamente considerado um dos grandes nomes da Moda desde a sua coleção de final de curso na Central Saint Martins, em 1984, intitulada Les Incroyables. Uma exuberante mistura de vestuário histórico da viragem do século XVIII com as suas próprias tendências New Romantic, a coleção foi adquirida na íntegra pela britânica Browns. Horizons, organizada pelo curador responsável pelo Costume Institute, Andrew Bolton, recorre em muito ao seu próprio acervo considerável, incluindo peças da coleção que marcou a sua ascensão. As restantes peças de vestuário, acessórios, esboços, toiles, livros de pesquisa e materiais de arquivo presentes na exposição abrangem os seus anos como um novato londrino combativo e enfant terrible, quando conseguia extrair magia sartorial dos mais ínfimos retalhos; a sua experiência formativa na Givenchy; o seu sucesso fenomenal e, mais tarde, a queda dramática na Christian Dior; e a sua reinvenção genial da Maison Margiela, na qual, como afirmou o seu sucessor Glenn Martens, “transformou verdadeiramente a marca de um designer numa casa” e, com a sua última e triunfante coleção Artisanal para a marca, num fenómeno viral.

“Cada coleção de Galliano começa como uma viagem entre elementos separados pelo tempo, pelo espaço ou pelo meio: retrato e postura, silhueta e história, memória e material”, afirmou Bolton num comunicado. “Horizons aborda a Moda como uma forma de cartografia, mapeando não territórios, mas afinidades, tensões e transformações. Traça o percurso de como as imagens se transformam em ideias, as ideias em material e o material em emoção. No entanto, um horizonte revela não só o que se encontra diante de nós”, continua Bolton, “mas também onde nos situamos. A exposição analisa, portanto, tanto a forma como Galliano remapeou o mundo através da Moda, como a forma como a sua conduta, as suas consequências e a evolução dos valores culturais remodelaram a nossa compreensão do seu trabalho”.

Galliano — fotografado com os seus terriers da raça Griffon de Bruxelas, Coco e Gypsy — colaborou com a paisagista Camille Muller no projeto do jardim de inspiração inglesa da casa, que é pontuado por um pequeno lago com nenúfares.
François Halard, Vogue, dezembro 2021

De facto, apesar do seu génio criativo, nem sempre foi certo que Galliano fosse alvo do reconhecimento do Costume Institute. Em 2011, foi detido e, posteriormente, demitido do cargo de diretor criativo da Christian Dior por ter proferido comentários antissemitas num bar de Paris. Condenado ao exílio criativo, passou algum tempo em reabilitação, reaparecendo posteriormente na Maison Margiela, onde reconstruiu a sua reputação, coleção após coleção.

“Não há ninguém mais merecedor de uma exposição desta envergadura do que John Galliano”, afirmou Anna Wintour, diretora de conteúdos da Condé Nast e diretora editorial global da Vogue. “A sua obra — na Dior, na Givenchy, na Margiela, na sua marca homónima e noutras — combina erudição e criatividade, escuridão e luz, o passado, o presente e o futuro, tudo fundido de forma brilhante”. Wintour continua: “Ele é um grande criador e a sua carreira não se resume a um único momento — algo com que ele terá de conviver para o resto da vida. A exposição não irá ignorar nenhum dos momentos sombrios do passado de John. Faz parte do que o moldou. A exposição abrangerá todo o percurso da sua carreira e abordará todos esses aspetos”.

A exposição irá coroar o ano extraordinário de Galliano. Em janeiro, num leilão de Masterpieces da Dior pertencentes a Mouna Al Ayoub, que bateu recordes de vendas de Alta-Costura, um vestido de noite de seda pintada da coleção Clochards ou Homeless de Galliano, da coleção primavera/verão de 2000, foi arrematado por 510 mil euros, seguido de perto por um vestido de noite em tafetá preto da mesma coleção, que foi vendido por 420 mil euros.

“John Galliano exerceu uma profunda influência na Moda ao longo das últimas quatro décadas”, afirmou Max Hollein, diretor e CEO do Met, que ocupa o cargo de Marina Kellen French. Mas talvez essa influência esteja apenas a começar: em setembro, o mestre da Alta-Costura assumirá o papel de designer do povo. É nessa altura que chegará às lojas o primeiro lançamento do seu projeto de dois anos com a marca espanhola de retalho de grande distribuição Zara, que apelidou de reinterpretação dos arquivos da marca.

Traduzido do original, disponível aqui.

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