Maria João Bastos, protagonista da mais recente longa-metragem de Ruben Alves, “Santo António”, reflete sobre o significado do filme e sobre um Portugal em constante mudança, marcado pela globalização e pelo desafio de preservar a sua identidade.
Santo António não se acabou. Nunca se acaba, pelo menos enquanto o verão não se findar, porque Santo António (em bom rigor, qualquer dos Santos estivais), não é uma data, é um estado de espírito veraneante. Aquela energia que vive num dia abrasador e que o português que é português não se importa de incrementar com sardinhas na brasa; aquele very typical da cerveja ao final da tarde numa esplanada, as cores garridas dos enfeites, do folclore, das marchas; aquele abanar do leque, aquele pezinho de dança, aquela camaradagem, aquele convívio, aquele “bora, equipa” em frente à televisão, que parece mais desculpa para juntar os amigos que o propósito de ver a bola. Aquele sentir de liberdade e descontração inerente ao verão, mas que é mais assoberbado em Portugal, quando pede que se regresse às coisas simples, como o bailarico, a tasca, o pé na areia... mas sem nunca perder a pose.
Nesse equilíbrio entre viver o tradicional sem prejuízo para a elegância, somos todos Maria João Bastos, protagonista da mais recente longa-metragem de Ruben Alves, Santo António, ao lado de Paco León. A atriz, que já é do mundo por profissão, não deixa nunca de ser nossa de gema, e sublinha-o em cada momento, numa entrevista para ver abaixo.
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