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Notícias 27. 12. 2019

Oito provas de como a indústria da Moda está cada vez mais consciente

by Emily Chan

 

Desde a compensação para o carbono na Gucci e Burberry até ao pacto de moda G7 assinado por 250 marcas, a sustentabilidade tem estado nas bocas do mundo durante o ano 2019. A Vogue relembra como a indústria intensificou os seus esforços neste campo durante este ano.

Stella McCartney primavera/verão 2020 © Jamie Stoker

2019 vai ser lembrado como o ano em que a moda finalmente começou a levar a sério a crise climática. Seja graças a Greta Thunberg e a milhões de pessoas em todo o mundo protestando nas ruas, aos alertas gritantes dos cientistas de que estamos a ficar sem tempo para combater as emissões ou os consumidores cada vez mais conscientes do impacto que as suas roupas causam no meio ambiente, a indústria aumentou intensamente os seus esforços.

“Tem havido muitas chamadas de atenção ao longo do tempo: muitos anos de campanha por uma indústria da moda mais sustentável e justa, filmes como The True Cost, que foram vistos globalmente por milhões de pessoas”, diz Livia Firth, fundadora da Eco-Age e do Green Carpet Challenge, à Vogue. "Mais acidentes terríveis em fábricas em todo o mundo, o movimento do plástico, o efeito Greta Thunberg - são todas peças de um puzzle gigante, que está a ficar cada vez mais claro."

“Em 2019, vimos uma mudança radical na atenção para o tema sustentabilidade em geral, e a crise climática em particular. O diagnóstico agora está claro para todos: precisamos de acelerar o ritmo da mudança e trabalhar juntos”, diz Marie-Claire Daveu, diretora de sustentabilidade e chefe de assuntos institucionais internacionais da Kering. “Claramente, o Pacto de Moda assinado e apresentado por 32 grandes empresas a Emmanuel Macron, pouco antes do G7 Summit, destacou a questão a nível mundial e conseguiu ganhar a atenção do público.”

Embora tenha havido progresso, ainda há muito a ser feito. “Grande parte da indústria da Moda cumpriu a sua responsabilidade de mudar as coisas e vimos alguns desenvolvimentos promissores este ano”, comenta Eva Kruse, CEO da Global Fashion Agenda. “Mas 40% da indústria ainda não tomou nenhuma medida para tornar os seus negócios mais sustentáveis. Precisamos que as restantes empresas se juntem a nós na implementação de uma mudança drástica e generalizada que é urgente e necessária para combater a crise climática."

Aqui, a Vogue analisa oito provas que a Moda começou a encarar a crise climática com seriedade em 2019.

1. Marcas como Stella McCartney e Chanel fizeram um pacto para tomar medidas

Chanel Metiers D'Art 2019/2020. Fotografia: Getty Images

Num sinal claro de que a indústria se uniu para agir, 250 marcas, incluindo Chanel, Stella McCartney e Nike, assinaram o G7 Fashion Pact, lançado pelo presidente francês Emmanuel Macron e pelo proprietário da Gucci, o conglomerado Kering, em agosto. Como parte do acordo, os intervenientes assumiram três compromissos principais: parar o aquecimento global alcançando emissões zero até 2050; restaurar a biodiversidade; e proteger os oceanos. O pacto seguiu os passos da Fashion Charter da ONU assinada em dezembro de 2018, onde 43 marcas também se comprometerem a zero emissões até 2050.

2. A indústria da moda uniu-se contra os incêndios florestais na Amazónia

Os devastadores incêndios na Amazónia em agosto, que viram mais de 30.000 chamas individuais atravessarem a maior floresta tropical do mundo, foram outro grande alerta para a indústria da moda este ano - particularmente tendo em conta que a produção de produtos de pele e tecidos como viscose, rayon e modal está ligada à degradação das florestas tropicais. A LVMH, proprietária de marcas como Louis Vuitton e Dior, doou 10 milhões numa tentativa de ajudar a combater os incêndios florestais, enquanto a H&M e VF Corporation, proprietária de marcas como a Timberland e a Vans, disseram que iriam interromper a aquisição de pele ao Brasil. 

3. A compensação de carbono

Gabriela Hearst, primavera/verão 2020. Fotografia: Getty Images

Todos sabemos que o corte de emissões de gases de efeito estufa é crucial na luta contra a crise climática, e as marcas em 2019 usaram o método da compensação de carbono para cortar as emissões de gases. Em setembro, Gabriela Hearst anunciou que o seu desfile em Nova York seria carbon neutral, algo que foi imediatamente seguido pela Burberry em Londres. Então a Gucci e a sua empresa, Kering, disseram que seriam completamente carbon neutral nas suas operações e cadeia de fornecedores, compensando quaisquer emissões que não pudessem ser reduzidas ou evitadas de outras maneiras. Em novembro, o CEO e presidente da Gucci, Marco Bizzarri, lançou o Carbon Neutral Challenge, onde incentivou outras empresas a seguirem a liderança da empresa no combate à crise climática.

4. De facto, sustentabilidade foi a maior tendência primavera/verão 2020

Dior primavera/verão 2020 © Getty Images

Sustentabilidade foi palavra de ordem nos desfiles da primavera/verão 2020, embora o nível de comprometimento tivesse variado de marca para marca. Houve árvores em Dior, sets totalmente recicláveis em Miu Miu e Louis Vuitton e tecidos reciclados, incluindo tule e organza em Alexander McQueen. E ainda garrafas de plástico recicladas em Marni e Preen, lâmpadas movidas a energia solar em Missoni e uma coleção com foco ambiental em Marine Serre intitulada Marée Noire, que literalmente se traduz como Maré Negra, referenciando derramamentos de óleo.

5. Designers em ascensão que trabalham com sustentabilidade foram reconhecidos com grandes prémios

Bethany Williams ⓒ Getty Images

2019 também viu jovens designers serem reconhecidos pelo seu trabalho no campo da sustentabilidade. Bethany Williams, que combina as suas práticas ecológicas com o apoio a iniciativas sociais, ganhou o Prémio Rainha Elizabeth II na London Fashion Week em fevereiro, enquanto Emily Bode - conhecida por reaproveitar materiais antigos - ganhou o Prémio CFDA de Designer Emergente do Ano em junho. Enquanto isso, o jovem designer austríaco Christoph Rumpf, cujo foco é o upcycling de materiais vintage e desperdícios de matéria-prima, ganhou o Grand Jury Prize Première Vision do Hyères Festival.

6. Prada assume a reciclagem como prioridade

Prada Re-Nylon © Prada

A tendência de usar plástico reciclado na indústria da moda não é nova; Adidas e Stella McCartney usaram plástico oceânico reciclado nas suas coleções dos últimos anos. Em junho, a Prada tornou-se a mais recente grande marca a embarcar no lançamento da linha Re-Nylon, com carteiras feitas com redes de pesca recicladas. A marca de moda italiana também se comprometeu a usar apenas nylon reciclado até ao final de 2021, como parte da sua estratégia de sustentabilidade mais ampla.

7. Adidas fecha o círculo com o seu eco-trainer

Com a indústria da moda revelando-se um consumidor maciço de recursos naturais, organizações como a Global Fashion Agenda e a Ellen MacArthur Foundation pediram uma mudança para uma indústria circular da moda: um sistema em que os produtos possam ser reutilizados ou totalmente decompostos. Em abril, a Adidas fez grandes progressos nessa área ao lançar os seus ténis Futurecraft.loop, que são totalmente recicláveis ​​e projetados para serem repetidamente transformados em tênis de corrida.

8. O aumento do aluguer e da revenda

Burberry primavera/verão 2020 © Getty Images

Outra maneira que a indústria encontrou para se tornar mais circular em 2019 foi adotando os modelos de aluguer e revenda. Este ano, marcas como H&M e Ganni lançaram as suas próprias plataformas de aluguer, enquanto sites como Hurr Collective e Onloan do mesmo género surgiram no Reino Unido. Por outro lado, as principais marcas estão a abraçar o mundo da revenda: em outubro, a Burberry anunciou que ofereceria aos clientes que revendessem as suas roupas no The RealReal uma experiência de personal shopping.

 

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