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Guestlist 4. 6. 2020

H&M: passos largos e conscientes rumo à sustentabilidade plena

by Vogue Portugal em colaboração com H&M

 

Não é por acaso que a gigante sueca se tem destacado como uma das principais cadeias de fast fashion que mais se preocupa com a sustentabilidade. Pensar no futuro - e no presente - do nosso planeta não é importante, é imperativo. E a H&M assume-se como o aliado perfeito.

Na luta por uma indústria mais consciente e responsável, a H&M está lá. Na busca por materiais reciclados e recicláveis, a H&M está lá. Na busca por um design diferenciador, feito com consciência ambiental, a H&M está lá. A marca de origem sueca está lá e está comprometida em fazer tudo aquilo que consegue para que o planeta seja cada vez mais um lugar melhor, porque "não há um planeta B" não é um slogan, é uma realidade. 

A gigante sueca da fast fashion tem isso bem presente na mente. Com os olhos postos num futuro melhor, o grupo estabeleceu objetivos ambiciosos: até 2020, tem como objetivo usar 100% de algodão sustentável; até 2030, 100% de materiais reciclados ou de outras fontes sustentáveis; e até 2040, o propósito é ter uma cadeia de valor positivo para o ambiente. E a caminhada já está a dar frutos: atualmente, 57% dos materiais que a H&M usa são orgânicos, reciclados ou de outras fontes sustentáveis.

Para nos provar que a Moda sustentável é tão apetecível quanto desejada, a H&M acaba de lançar uma coleção de vestidos em materiais reciclados e de fontes sustentáveis (como o algodão orgânico, o Tencel ™ ou o poliéster reciclado). Estas peças, que vão de versões mini a maxi, dão grande ênfase à liberdade e ao espírito feminino, contrastando ainda detalhes delicados com volumes dinâmicos. Que é como quem diz, um sonho de guarda-roupa estival consciente. Com estampados floridos, em cor-de-rosa, em preto ou lilás, nesta estação quente, os sunsets na cidade, os finais de tarde na praia ou um passeio tranquilo no campo não são só pôr em prática o slow living, como também conscious. Mas há mais: a coleção Conscious Dresses tem uma componente solidária - nunca um nome de uma coleção assentou tão bem. Na compra de uma destas peças em loja, 10% do valor será doado ao Fundo de Resposta Solidária ao Covid-19 da Organização Mundial da Saúde (OMS). 

E para celebrar a coleção Conscious Dresses - que chega hoje às prateleiras online e física da H&M - e todo o percurso que a marca tem feito até ao momento, a Vogue conversou com Nuria Ramirez, a sustainability manager da H&M em Portugal e Espanha, que nos contou tudo sobre a estratégia de sustentabilidade, o futuro da Moda e quais os pontos essenciais para a indústria se tornar mais sustentável.

O grupo H&M tem-se destacado como uma das cadeias de fast fashion que mais se preocupa com a temática da sustentabilidade. Quais são as prioridades e objetivos?

No grupo H&M, consideramos as necessidades das gerações do presente e do futuro e estamos cientes de que o nosso negócio deve ser conduzido de uma maneira sustentável a nível económico, social e ambiental. Queremos liderar a mudança para uma Moda circular e [com atenção] climática, ao mesmo tempo que somos uma empresa justa e igualitária. Portanto, estabelecemos ambições claras e metas arrojadas. O nosso trabalho de sustentabilidade centra-se em liderar a mudança, promover e dimensionar a inovação; impulsionar a transparência; recompensar ações sustentáveis; tomar uma atitude circular na maneira como os produtos são feitos e usados; usar apenas materiais sustentáveis e reciclados; criar uma cadeia de valor climático positiva; proporcionar empregos justos para todos; promover a inclusão e a diversidade.

Até 2030, a H&M quer utilizar apenas materiais reciclados ou provenientes de fontes sustentáveis. O que é que está a ser feito para atingir este objetivo?

Hoje, 57% dos materiais que usamos para produzir as nossas roupas são orgânicos, reciclados ou em materiais mais sustentáveis. Um produto consciente com, pelo menos, 50% do material sustentável, que está sempre marcado nas nossas etiquetas e pode ser encontrado nas nossas lojas. Acabamos de lançar a coleção Conscious Dresses, onde todos os vestidos são feitos de materiais reciclados ou de fontes sustentáveis. O nosso objetivo é aumentar anualmente a participação de materiais sustentáveis no nosso total de materiais. Ao fazê-lo, estamos a disponibilizar escolhas ecológicas para um grupo maior de pessoas. Investimos em grandes recursos e trabalhamos ativamente com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento sustentável ao longo de todo o ciclo de vida do vestuário. Conforme comunicado recentemente, somos quem mais usa algodão orgânico certificado e também Lyocell e poliéster reciclado.

Que tipos de materiais é que estamos a falar? E de que matéria prima são feitos? Garrafas de plástico, redes de pesca, papel reciclado…?

Qualquer material reciclado ou de origem sustentável que possa ser usado para produzir roupa de qualidade. A nossa estratégia é maximizar a quantidade de materiais reciclados e complementá-los com matérias-primas de fontes sustentáveis. Estamos constantemente à procura de materiais e processos inovadores que possam tornar os nossos produtos mais sustentáveis. Quando se trata de inovação, através das nossas coleções Conscious Exclusive, exploramos materiais inovadores que podem ser, posteriormente, escalados para as nossas coleções. Por exemplo, em 2008, introduzimos o poliéster reciclado e, agora em 2020, somos quem mais usa esse material. Nesta primavera, apresentamos Vegea™, um material vegan produzido, parcialmente, a partir de subprodutos da vinificação e uma boa alternativa à pele. Já em 2017, incluímos pela primeira vez o Bionic®, que é feito através de plástico recuperado das linhas costeiras, dos cursos de água e das comunidades costeiras.

Quais são as vantagens - não só para o ambiente, claro - de trabalhar com este tipo de materiais? E qual é a maior dificuldade em trabalhar com estes materiais?

Quando se trata de vantagens, estão completa e intrinsecamente, ligadas ao meio ambiente e são essenciais para serem circulares. A maior dificuldade são os desafios tecnológicos. Quando se trata de materiais reciclados, há falta de tecnologia para tornar a reciclagem de têxteis totalmente escalável. Por exemplo, as tecnologias disponíveis, geralmente, não permitem mais de 20 e 30% de algodão reciclado sem perder qualidade.  E, por esse motivo, o grupo H&M está a investir em tecnologia para superar esse desafio. Apoiamos a Worn Again no seu trabalho para desenvolver uma tecnologia para separar roupas de fibras misturadas e como separar corante e outros contaminantes do poliéster e da celulose. Firmamos também uma parceria com a Re: newcell e Infinited Fiber para testar e dimensionar novas tecnologias de reciclagem - a tecnologia exclusiva da Re: newcell recicla algodão, viscose e outras fibras celulósicas numa nova pasta dissolvente mais sustentável que pode ser transformada em novas fibras de viscose.

Em termos de design e criatividade, há diferenças entre trabalhar uma peça sustentável e trabalhar uma não sustentável?

Com o tempo, a equipa de design da H&M estabeleceu ótimos relacionamentos com os nosso fornecedores. Também temos uma equipa de produção fantástica que avalia os pontos fortes e fracos de um material em particular, aguardando até que uma inovação incrível que possamos ter descoberto durante os Global Change Awards, por exemplo, que seja duradouro para usarmos num produto. Realizamos testes com frequência em tecidos sustentáveis que queremos usar no futuro, mas às vezes eles não estão certos. Nesse sentido, é uma abordagem muito consciente da criação.

Fala-se cada vez mais numa economia circular, em especial na indústria da Moda. Porque é que é tão importante que no futuro consigamos viver dessa forma?

Um dos pilares da nossa estratégia de sustentabilidade é tornarmo-nos totalmente circulares e favoráveis para o clima. Isso inclui, entre outras coisas, uma abordagem circular de como os produtos são fabricados e usados, que todos os nossos materiais devem ser reciclados ou adquiridos da maneira mais sustentável e usar apenas energia renovável em todas as nossas operações diretas. Mas o que é que isso significa exatamente? Significa usar materiais que diminuem a dependência de recursos virgens, exigindo assim, menos produtos químicos, energia e água. Portanto, a circularidade é, certamente, o futuro da H&M. Ser totalmente circular é perceber que os produtos nunca vão ser vistos como resíduos no final da sua vida útil. Eles vão ser tratados como um recurso valioso, reutilizando-os e reciclando-os repetidamente. E foi por isso que lançamos a Take Care, uma nova secção no nosso site projetada para melhorar a vida útil das roupas e ajudar os clientes a arranjar, limpar e manter as suas roupas.

Os consumidores estão cada vez mais conscientes sobre as peças de roupa que escolhem comprar. Sentem essa demanda por peças mais sustentáveis?

Vemos uma demanda maior por escolhas conscientes e sustentáveis, e a sustentabilidade está, mais que nunca, na vanguarda da mente de todos - marcas, lojas, fornecedores e consumidores. O nosso objetivo é liderar a mudança no setor e usar o nosso tamanho e escala para conduzir uma mudança em direção a um futuro da Moda mais sustentável. Vemos os nossos clientes a embarcar na jornada connosco e é por isso que queremos inspirá-los e envolvê-los. Não partilhamos apenas as etapas que estamos a tomar para alcançar os nosso objetivos, mas fornecemos também informações para os ajudar numa melhor escolha - cada produto no nosso site tem uma página de informações onde é possível ver o material que é produzido, onde foi fabricado, incluindo o nome e o endereço da fábrica. A transparência é essencial.

Com o crescimento das coleções Conscious, acredita que num futuro será possível que esta seja a única realidade para a H&M, ou seja, todas as linhas e coleções da H&M sejam Conscious/sustentáveis?

Absolutamente, esse é o nosso objetivo. Até 2030, queremos usar apenas materiais 100% reciclados ou outros materiais de fontes sustentáveis. Começámos nos anos 90 com duas coleções com algodão cultivado organicamente e hoje somos quem mais usa esse material no mundo. A nossa ambição é criar um ciclo fechado para a Moda, onde roupas e tecidos usados são reutilizados, reciclados e convertidos em nova Moda. Isso vai reduzir a nossa dependência em novos recursos e vai levar-nos de uma economia linear para uma circular.

É mais caro, produzir em materiais sustentáveis? Ou isso é um mito?

Apesar de alguns dos materiais mais inovadores que usamos poderem ser mais caros para nós, escolhemos não refletir esse custo na etiqueta final, para o consumidor . Assumimos isso como um investimento no negócio a longo prazo, à medida que ajudamos a dar escala à procura de novos materiais.

Para a Nuria quais são os pontos essenciais para a Moda começar a ser mais sustentável? 

A colaboração de todos os envolvidos, uma abordagem circular, investimento na inovação e tecnologia e a transparência.