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Notícias 17. 6. 2019

Gloria Vanderbilt morreu hoje, aos 95 anos

by Charlotte Owen

 

Uma das últimas aristocratas americanas, a designer de Moda, artista, autora e herdeira Gloria Vanderbilt morreu hoje, aos 95 anos. A Vogue faz uma retrospetiva da sua vida.

©Getty Images

 

A designer de Moda americana, artista, autora e herdeira Gloria Vanderbilt morreu esta segunda-feira, dia 17 de junho, aos 95 anos, vítima de cancro. O seu legado continua com os seus três filhos: o pivot e jornalista da CNN, Anderson Cooper, que confirmou a notícia, dizendo que a mãe era a pessoa "mais cool e moderna" que conhecia; Leopold Stokowski e Christopher Stokowski. 

Ao longo da sua vida, Vanderbilt moveu-se no centro da sociedade americana - primeiro como herdeira e protagonista de uma batalha de custódia muito pública e, mais tarde, através da sua miríade de carreiras, vida social e quatro casamentos. 

Uma figura regular nas listas internacionais de best-dressed, Gloria Vanderbilt foi considerada pela revista LIFE, em 1968, como uma "versão contemporânea e muito feminina do homem multifacetado do Renascimento", devido ao seu trabalho como "poeta, atriz, crítica literária e artista." Mas foi apenas nos anos 70, com o lançamento da sua linha de ganga epónima em colaboração com o grupo Murjani, que Vanderbilt experienciou o seu maior e mais aclamado sucesso financeiro. Lançada em 1977, a linha representou 300 milhões de dólares em vendas, em três anos, superando a Calvin Klein em 20% no ano de 1979. 

"Ela tentou fazer imensas coisas durante muitos, muitos anos", refletiu a amiga Diane von Furstenberg em 1979. "Aquilo que menos associávamos à figura dela - jeans - funcionou." Isto foi em parte um sucesso de marketing, com as vendas a serem apoiadas por aquela que o The New York Times considerou "a mais extensa campanha televisiva de uma empresa de vestuário e uma quantidade intensa de publicidade impressa e tours promocionais." 

Mais tarde, continuou a fazer exposições enquanto artista e escreveu diversos livros, incluindo um romance erótico, publicado em 2009 - e aclamado pelo The New York Times como "o livro mais escaldante alguma vez escrito por uma mulher na casa dos 80." 

Nascida em 1924, Vanderbilt fez manchetes desde criança. Gloria era a trineta de Cornelius Vanderbilt - um homem que, aquando da sua morte em 1877, tinha conseguido juntar uma fortuna de 100 milhões. Quando o seu pai faleceu, ainda na sua infância, Vanderbilt foi deixada ao cuidado da mãe. A infância de Gloria acabaria por ser difícil, com a mãe ausente e absorvida pela sua frenética vida social, sempre acompanhada pela irmã gémea, Thelma, que era amante do futuro Rei Eduardo VIII. "Ela estava sempre fora, impecavelmente bem vestida, a passar no corredor com um homem", observou Vanderbilt mais tarde na sua vida.

O comportamento da sua mãe acabou por levar a uma batalha de custódia altamente pública, iniciada pela sua tia paterna, Gertrude Vanderbilt Whitney, que fundou o museu de Nova Iorque com o seu último nome. Devido aos detalhes obscenos do caso, Vanderbilt transformou-se num objeto de fascínio nacional, tratada pela imprensa como "uma pobre menina rica". "Nunca leio nada sobre mim mesma", viria Vanderbilt a confessar em 1982. "É assim desde a minha infância, por causa do tipo de vida pública que sempre tive. Não ler essas coisas permitiu-me sobreviver." 

A tia de Gloria Vanderbilt acabou de ganhar a disputa, levando a mesma a viver na sua propriedade de Long Island e a ver a mãe apenas aos fins de semana. A natureza complicada deste acordo significou que, aos 17 anos de idade, a adolescente acabou casada com o agente e supostamente criminoso Pat DiCicco, depois de ter tido um caso com o seu chefe, Howard Hughes. 

"O que é que alguém pode dizer de um primeiro casamento, para além do facto de ser maravilhoso?", disse à imprensa na altura. Mais tarde, Vanderbilt caracterizou a união como uma "medida desesperada", acrescentando que DiCicco era violento. 

Quatro anos depois, acabou por se divorciar de DiCicco - agora, com 21 anos de idade, a herdeira podia finalmente aceder aos seus fundos. Nesse mesmo ano voltou a casar-se, oficializando a sua união com Leopold Stokowski, um homem 40 anos mais velho. O casamento durou 10 anos e dele nasceram dois filhos. Foi Stokowski quem terá incentivado Vanderbilt a explorar o seu lado mais artístico e a estudar na The Art Students League em Nova Iorque. Em 1952, Gloria Vanderbilt teve a sua primeira exposição a solo e, em 1968, as suas obras foram registadas pela Hallmark para aparecer nos seus cartões e produtos de escritório. 

Em 1953, foi a vez de explorar a representação, sendo treinada por Sanford Meisner e aparecendo na Broadway em 1955. Nesse mesmo ano, Vanderbilt publicou uma coleção de Love Poems e divorciou-se de Stokowski, acabando por ter alguns encontros com Frank Sinatra e Marlon Brando antes de se casar com o realizador Sidney Lumet. Os dois estiveram casados durante sete anos, antes de se divorciarem em 1963, quando Gloria Vanderbilt se casou com o escritor Wyatt Emory Cooper. 

Foi nesta última união que Gloria Vanderbilt se sentiu mais feliz, permanecendo casada com Cooper até à morte do mesmo, em 1978. Deste casamento nasceram dois filhos - o mais velho, Carter, suicidou-se aos 23 anos, em frente à sua mãe, ao atirar-se do terraço do décimo quarto andar do seu apartamento. Vanderbilt continuou próxima do seu filho mais novo, Anderson. 

No decorrer da sua vida e dos seus casamentos, Vanderbilt conseguiu atrair a atenção da imprensa de Moda. "Ela tem aquele look Bacchanalian que todos os Vanderbilts tinha", disse Diana Vreeland, que colocou Gloria nas páginas da Harper's Bazaar em 1939, quando a socialite tinha apenas 15 anos. Mais tarde, Gloria Vanderbilt apareceu também nas páginas da Vogue, fotografada por Richard Avedon, com quem mantinha uma relação próxima. "O reflexo que o Dick me dava fazia-me acreditar em mim mesma", disse mais tarde. "As imagens dele marcaram um momento muito importante na minha vida, um momento em que eu sabia que podia confiar em mim mesma e era livre. Era livre e não tinha medo de nada. Tive uma batalha com o Stakowski pela custódia dos nossos filhos, e o Sidney disse-me, 'Gloria, tu ganhaste onde a tua mãe falhou'."

Em 1968, a revista LIFE disse que Vanderbilt tinha "liderado e criado um estilo de vestir que ela chamava de 'juntar várias coisas'", ao invés de usar um look total. Os seus momentos enquanto decoradora - a própria disse que era alérgica a profissionais - foram captados por Horst P Horst para a Vogue, e o seu estatuto de rapariga da cidade foi cimentado pela sua relação próxima com Truman Capote - que, segundo rumores, se inspirou em Vanderbilt para criar a personagem Holly Golightly de Breakfast at Tiffany's. Apesar dos dois se terem afastado, Capote resumiu bem o fascínio que Vanderbilt despertava: "O que tornava a Gloria tão atraente é que ela tinha a beleza de uma atriz, o pedigree de uma herdeira e a atitude de uma artista." 

Nem todas as suas aventuras profissionais foram um sucesso: a sua coleção de pronto-a-vestir de 1976 falhou, enquanto o seu negócio de jeans viu um decréscimo nos anos 80 - decréscimo esse que coincidiu com dificuldades financeiras, devido à gestão fraudulenta das suas propriedades por parte do advogado e do psiquiatra de Vanderbilt. A herdeira conseguiu processar o par, mas nunca recebeu o dinheiro que lhe era devido. E, como notou um artigo da New York Maganize, "ela gastava-o com a mesma rapidez com que o recebia." 

O seu filho Anderson Cooper disse em tempos: "A minha mãe é uma sobrevivente, mas não tem a resistência que o termo tantas vezes implica. Ela tem força, muita força aliás, mas sempre se recusou a ter a resiliência que precisava para se proteger a si mesma." 

Confirmando a notícia da morte da mãe, Cooper concluiu: "Ela acreditava no amor mais do que qualquer outra coisa. Gloria Vanderbilt morreu como viveu: à sua maneira."

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