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Tendências 17. 6. 2019

Rosto à prova de flacidez

by Catarina Parkinson

 

Quando a pele não obedece aos nossos desejos e vontades e decide começar a descair, esbatendo as linhas que definem a juventude do nosso rosto, chama-se a isso flacidez, um dos principais efeitos do envelhecimento cutâneo. A Vogue investigou as causas e procurou soluções, para tentar voltar a pôr “tudo no sítio”, que não envolvem fita-cola. 

© Condé Nast Archive

Lembra-se de fazer o teste do lápis? Antigamente, para saber se tínhamos o peito descaído ou não, colocávamos um lápis debaixo dos seios e, se o lápis caísse, era porque tínhamos o peito firme. Caso não caísse... bom, sabe a resposta. Se nunca fez esta “brincadeira”, de certeza que já fez outro tipo de teste: enquanto se olha ao espelho, com o polegar, o indicador e o médio a puxar o rosto para trás, diz “quando tinha 18 anos”. Depois, larga a face, para relevar a sua aparência atual, numa espécie de antes e depois em direto e loop constante. Um pouco como brincar aos filtros no Instagram quando estamos a preparar um novo post. O envelhecimento cutâneo manifesta-se de diversas formas e feitios: as rugas, as manchas, as linhas vincadas e também a flacidez. Esta última é uma das mais difíceis de combater e os seus efeitos parecem mesmo algo inevitáveis. Será que ela, a pele, também fica literalmente cansada da vida e vai-se deixando abater? Parece que a única coisa que a pele não respeita é a lei da gravidade e insiste em descair em direção ao chão. 

A dermatologista Helena Toda Brito começa por explicar que, com o passar do tempo, a pele perde colagénio e elastina (fibras responsáveis pela sustentação dos tecidos), resultando numa pele mais flácida. Simultaneamente, ocorre diminuição do volume e redistribuição da gordura subcutânea (que com o envelhecimento se mobiliza gradualmente para as regiões inferiores da face), atrofia muscular e alterações na estrutura óssea, que passa a oferecer menos suporte à pele. Acrescenta ainda que ao contrário das rugas, que são depressões lineares que se formam na superfície da pele ou das linhas de expressão que surgem pela contração dos músculos da face, o efeito de “pele descaída” caracteriza-se pelo aparecimento de rugas profundas. É possível identificar este efeito em alguns pontos-chave do rosto, como o conhecido “bigode chinês” (contorno na boca), na zona das sobrancelhas que perdem a sua definição e pesam no olhar e no contorno mandibular, que fica com um aspeto “esvaziado” e descaído. Imagine um trampolim que vai perdendo a sua elasticidade, um balão que vai perdendo ar ou uma pintura que vai derretendo ao sol. É isto que vai acontecendo à pele, à medida que o envelhecimento cutâneo vai progredindo. 

Infelizmente, como refere Helena, como este efeito deriva de alterações, não só ao nível da pele, como também das estruturas mais profundas que a suportam (gordura, músculo, osso), a eficácia dos produtos aplicados é limitada. A dermatologista recomenda o uso de protetor solar com fator de proteção elevado durante o dia, porque o sol é uma das principais causas da degradação do colagénio, e escolher produtos como retinoides, que por sua vez estimulam a produção de colagénio. Apesar de a vitamina A (retinol na sua forma mais pura) ser um dos ingredientes ativos mais difíceis de estabilizar, hoje em dia já existem vários cuidados disponíveis para uso diário, formulados para conservar a sua eficácia e respeitar a harmonia da pele. Por ser sensível à luz solar, que pode comprometer a sua eficácia, deve ser aplicado à noite. Este tipo de produtos trata a pele e combate a flacidez apenas a um nível superficial. Helena sugere alternativas mais permanentes e com efeitos imediatos, como o preenchimento com ácido hialurónico, que repõe o volume perdido na face, estimula a produção de novo colagénio e melhora o suporte da pele. A toxina botulínica, mais conhecida como botox, também pode melhorar a aparência “descaída” da face quando aplicada em pontos estratégicos do rosto. Uma das alternativas mais drásticas passa pela introdução de fios de sustentação que elevam os tecidos faciais e estimulam localmente a produção de colagénio. Se não quiser arriscar nenhum destes tratamentos, Helena refere que aparelhos como laser fracionado, radiofrequência e ultrassons são uma ótima ferramenta de manutenção, pois estimulam a produção de colagénio a um nível mais profundo da derme. 

Sabemos que não há milagres, mas a dermatologista conta-nos que os melhores resultados obtêm-se combinando os tratamentos existentes com um estilo de vida saudável. A Vogue partilha outro conselho importante: as massagens faciais, ou melhor ainda, a ginástica facial. 

De certeza que já viu um ou outro anúncio sobre algum creme refirmante ou já viu alguma amiga a aplicar um cuidado específico com movimentos precisos e repetitivos. Todos os cremes de efeito lifting devem ser acompanhados com uma massagem revigorante que intensifique a penetração dos princípios ativos do produto e estimule os músculos. Pode ainda levar a coisa mais a sério e fazer um plano de exercícios específicos para a cara. Inge Theron decidiu explorar alternativas não invasivas quando experimentou um procedimento de lifting que a deixou fechada em casa a recuperar. Foi assim que nasceu o Facegym, que através de técnicas de manipulação manual e aparelhos específicos, trabalha mais de 40 músculos faciais para tonificar e esculpir o rosto. Em último caso, pode sempre chorar a rir até lhe doer barriga, pelo menos 10 minutos por dia – desconfiamos que isso também ajuda os músculos a trabalhar.

Artigo originalmente publicado na edição de junho de 2019 da Vogue Portugal.

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