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Editorial 13. 5. 2022

The Fairy Tale issue | Maio/junho 2022

by Sofia Lucas

 

"The way to read a fairy tale is to throw yourself in." - W.H. Auden

 

Era uma vez um segredo, sobre contos de fadas... A Cinderela, a Branca de Neve, a Bela Adormecida e todas as outras princesas não tinham vidas perfeitas, muito pelo contrário. Os finais felizes aparecem, sempre, na última página. Se a princesa tivesse tudo, desde o início, não haveria história para contar. Qualquer pessoa com as suas imperfeições e dificuldades pode tornar-se na personagem principal da história, da sua própria história. Uma infância rica em fantasia e fairy tales pode transformar-se num trampolim mágico ao longo da vida, abrindo caminho através de dificuldades e provações. A magia dos contos de fadas não reside numa breve fuga literária da realidade, mas no dom da esperança de que o bem é realmente mais poderoso do que o mal e que mesmo a realidade mais sombria pode levar a um final feliz (mesmo que não seja para sempre). E essa dádiva de esperança é fundamental, porque tem o poder de vencer o desespero no meio da tristeza, de iluminar a escuridão nos momentos mais negros, de sussurrar “mais uma vez” diante do fracasso. A esperança é o que dá vida aos sonhos, tornando o conto de fadas numa realidade.

Vivemos tempos sombrios. Uma Europa assombrada pela guerra, pelo desespero da devastação, pelas vidas que se perdem todos os dias, pelo sofrimento, humano e económico, global, em que nos afundamos cada vez mais. Nunca a esperança e a capacidade de sonhar foram tão precisas e urgentes. Durante a maior parte da História da humanidade a literatura (ficção ou poesia) foi narrada e não escrita — ouvida e não lida. Contos de fadas, fábulas, lendas, contos populares... são uma das heranças mais preciosas que nos liga à imaginação dos nossos antepassados. Independentemente do espaço ou do tempo, a fantasia e a necessidade de universos mágicos é transversal a todos os seres humanos. Não importa a idade que tenhamos, precisaremos sempre de acreditar na magia.

“A vida em si é o conto de fadas mais maravilhoso”, escreveu Hans Christian Andersen, “tudo aquilo que olha pode tornar-se num conto de fadas e tudo aquilo em que toca pode transformar-se numa história.” Acredito que cada um de nós tem a sua própria varinha de condão, às vezes só precisamos de ser lembrados. E esta edição é isso mesmo: a prova de que a magia existe, e que o mundo inteiro precisa cada vez mais dela.

Originalmente publicado no The Fairy Tale issue da Vogue Portugal, de maio/junho 2022.
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