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O dress code da Met Gala 2022? Gilded Glamour

by Elise Taylor

 

Winona Ryder interpreta May Welland no filme The Age of Innocence, que ocorre no início da Gilded Age. © Columbia Pictures/Cortesia Everett Collection

No final dos convites para a Met Gala enviados a cada primavera está uma frase com tamanho pequeno, mas tremenda importância: a frase que indica o dress code. Em 2020, para Camp: Notes on Fashion, era studied triviality. Em 2021, para In America: A Lexicon of Fashion, era American independence. E agora, para o próximo dia 2 de maio de 2022, para In America: An Anthology of Fashion, será gilded glamour, com o código mais formal de todos: white-tie

É verdade. Está na altura de tirar o pó às obras de Edith Wharton, Age of Innocence e The House of Mirth. Para a Met Gala 2022, foi pedido aos convidados que abraçassem a grandeza – e talvez a dicotomia – de Nova Iorque na sua idade dourada. O período, que se estende de 1870 até 1890 (Mark Twain é hoje conhecido como o responsável por cunhar o termo Gilded Age em 1873), foi uma altura de prosperidade sem precedentes, mudanças culturais e industrialização, quando tanto os arranha-céus como as fortunas pareciam crescer do dia para a noite. Caroline Schermerhorn Astor (Mrs. Astor) e os seus 400 lideravam a camada mais alta da sociedade, até que a família Vanderbilt, pertencente ao grupo do “novo dinheiro”, forçou a sua entrada neste grupo. A lâmpada de Thomas Edison, patenteada em 1882, iluminou primeiro a sede do The New York Times, e depois a cidade inteira. O telefone criado por Alexander Graham Bell em 1876 tornou a comunicação em algo instantâneo – dando origem a um crescimento na procura por operadores para gerir as linhas, o que acabou por ser umas das primeiras grandes ondas da entrada das mulheres no mercado de trabalho. Os salários norte-americanos ultrapassaram aqueles que eram praticados na Europa (embora, tal como Jacob Riis escreve em How the Other Half Lives, nem todos foram beneficiados). Milhões de imigrantes chegaram aos Estados Unidos da América a partir da Ilha Ellis, onde a recém-chegada Estátua da Liberdade os acolhia com um poema escrito por Emma Lazarus (“Give me your tired, your poor, Your huddled masses yearning to breathe free.”) Os arquitetos McKim, Mead e White contruíram os edifícios Beaux Arts ao longo da Quinta Avenida, embelezando a cidade durante o processo. E, em 1892, a Vogue foi criada com a missão de publicar “a perspetiva dos cidadãos cultos do mundo.” Os primeiros investidores incluíam nomes como Cornelius Vanderbilt, Peter Cooper Hewitt e John E. Parsons – apelidos que ainda hoje vemos em Nova Iorque.

Para as classes mais altas, a Moda, durante este período, era caracterizada pelo excesso. Graças às recentes inovações nos teares elétricos e a vapor, o tecido passou a ser produzido com maior rapidez e menor custo. Dessa forma, os conjuntos femininos começaram a conter uma mistura de diversos tecidos, como cetim, seda, veludo e franjas, tudo adornado com texturas exageradas, como rendas, laços e folhos. (A mensagem não-oficial que circulava? Quanto mais, melhor.)

Edição de setembro de 1895 da Vogue. Cortesia Arquivos Condé Nast.

As cores eram ricas e a joias tinham tons profundos. Os conjuntos mais claros eram apenas usados em casa, já que não eram muito práticos para passear pelas ruas de Nova Iorque. Também necessários eram os chapéus, muitas vezes ornamentados com penas. (Ao ponto de que a Audubon Society foi criada em 1895 de modo a proteger os pássaros do mercado de trocas milionário.) Era comum a utilização de corpetes, e entre os anos 70 e o final dos anos 80, as mulheres usavam armação nas saias para alongar a zona traseira – na verdade, uma forma comum de ostentação era quando a armação era tão comprida que conseguia suportar um serviço inteiro de chá. Chegados aos anos 90, contudo, estas caíram em desuso, dando lugar às mangas-balão, saias em forma de sino e penteados com muito volume. Este estilo tornou-se ainda mais popular graças ao ilustrador Charles Dana Gibson, cujas ilustrações a caneta da Gibson Girl, caracterizada pela sua figura ampulheta, estavam muitas vezes presentes em anúncios e revistas.

Um vestido da época Gilded Age, criado por Lucie Monnay, e que fará parte da exposição America: An Anthology of Fashion. Fotografia: Cortesia do The Metropolitan Museum of Art.

Mas nem toda a Moda que se deu durante a Gilded Age era formal. Atividades como andar de bicicleta ou praticar ténis tornaram-se populares entre a classe alta, o que fez com que o sportswear se tornasse, pela primeira vez, uma parte integral do guarda-roupa. Muitas mulheres adotaram conjuntos, como uma saia combinada com uma blusa feminina, que permitiam uma maior liberdade de movimento, tal como se pode verificar no retrato da socialite Edith Minturn realizado por John Singer Sargent em 1897. 

No entanto, as festas, os bailes e as soirées fizeram emergir o estilo mais extravagante que os Estados Unidos alguma vez viram. A ópera, frequentada com regularidade pela classe alta, tinha um código de vestuário muito restrito: As mulheres usavam vestidos de tule que expunha a zona do decote, casacos de pelo opulentos, e luvas até aos cotovelos, enquanto os homens ostentavam chapéus de topo alto. Por volta de 1880, chegaram também os fatos tuxedo à América. (A lenda conta que foi um homem chamado James Potter que usou este design originário na Inglaterra num baile que se deu num clube chamado Tuxedo Park – daí o nome deste tipo de fato.) 

Capa da Vogue de outubro de 1898. Ilustração por Mildred Beardslee.

Festas extravagantes, realizadas pelas anfitriãs mais talentosos, eram motivo para as Modas mais frenéticas e fantasiosas. Por exemplo, o evento dado por Alva K. Vanderbilt em março de 1883 para a sua filha, Consuelo, tornou-se uma das celebrações mais luxuosas da época. “O baile dos Vanderbilt agitou mais a sociedade nova-iorquina do que qualquer evento social que tenha ocorrido nos últimos anos,” escrevou o The New York Times na altura. “Desde que foi anunciado, cerca de uma semana antes do começo da Quaresma, pouco foi falado para além disso.” Os convidados gastaram muito tempo – e muito dinheiro – a tratar de todos os detalhes dos seus conjuntos: Alice Claypoole Vanderbilt vestiu-se de lâmpada, algo que fez com um vestido de baile branco, em cetim, com um acabamento em diamantes, e complementando por uma headpiece também de diamantes e uma lâmpada enquanto acessório. A sua irmã, Ada Smith, utilizou um conjunto completamente coberto em penas de pavão, desde a cauda até ao leque. Outro convidado envergou uma peça em cetim preto e creme, com estrelas douradas bordadas, e acompanhado por um colar de diamantes e um acessório de cabelo. (Não é uma coincidência que casa de alta joalharia sediada na Quinta Avenida, Tiffany, tenha começado a prosperar nesta época.) 

Conjuntos usados por Alva e William K. Vanderbilt no baile de máscara de 1883, revisitado na edição de junho de 1926 da Vogue.

Apenas o tempo dirá como os convidados irão interpretar o dress code para a Met Gala 2022, quando chegaram ao aclamado museu na primeira segunda-feira de maio. No entanto, para quem ainda quer especular sobre os outfits esperados, talvez possamos terminar com um quote, escrito acerca da sempre etérea Condessa Olenska, do livro The Age of Innocence de Edith Wharton: “Everything about her shimmered and glimmered softly, as if her dress had been woven out of candle-beams, and she carried her head high, like a pretty woman challenging a roomful of rivals.” (“Tudo nela brilhava e reluzia suavemente, como se o seu vestido tivesse sido fabricado a partir de castiçais, e ela levava a sua cabeça bem levantada, como uma mulher bonita a desafiar uma sala cheia de rivais.”)

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