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Entrevistas 17. 12. 2018

Ivory, a nova coleção bridal de Diogo Miranda

by Rui Matos

 

Para terminar o ano de 2018 em grande, Diogo Miranda apresenta Ivory, uma coleção-cápsula de seis vestidos de noiva. O lançamento ganha laivos de argumento para a Vogue conversar com o criador português e descobrir tudo sobre esta linha bridal. 

Há mais de dez anos que Diogo Miranda conquista o guarda-roupa feminino. As silhuetas inconfundíveis, os formatos estruturados e os tecidos premium estão no epicentro do sucesso do criador que, de ano para ano, ganha ainda mais terreno numa indústria tão volátil e feroz como é a da Moda. Em julho deste ano concretizou um desejo antigo, apresentou a Unissex Collection, uma linha de edição limitada sem género e com preços abaixo dos praticados na coleção de passerelle. Agora, a poucas semanas de nos despedirmos de 2018, revela Ivory, uma coleção-cápsula com seis vestidos de noiva inspirados nas personalidades de Anja Rubik, Amanda Seyfried, Cate Blanchett, Gaia Repossi, Caroline De Maigret e Marine Vacth, mulheres com as quais o criador do Norte se identifica. 

“Eu quero que os meus vestidos de noiva sejam mais sensuais,” lê-se no site do criador. Não é de admirar que os designs que fazem parte deste lançamento vão ao encontro da premissa proposta. A noiva Diogo Miranda é arrojada, sensual e destemida, também três das características que pairam sobre a etiqueta do português. As seis silhuetas são contemporâneas, contudo há uma pitada de tradicionalismo que não descura, como é o exemplo dos tecidos de sempre utilizados nos vestidos de noiva, entre eles as rendas e as sedas.

Esta coleção-cápsula oferece uma seleção sofisticada de vestidos de noiva para a mulher contemporânea e ninguém melhor do que o próprio criador para nos falar sobre Ivory. 

Qual foi o ponto de partida para Ivory e porquê a escolha deste nome para a coleção-cápsula?

Era uma coisa que queria fazer há algum tempo e, por ter tido bastantes noivas no ano passado, achei que tinha a necessidade de fazê-lo. Além de ser um trabalho exclusivo e privado, a maior parte do público desconhece que o faço. Não queria estar relacionado diretamente com o ‘mundo das noivas’, então decidi fazer uma coleção-cápsula, uma seleção de seis modelos, em cor ivory (marfim), daí o nome: intemporal e objetivo.

Em comparação à linha principal da marca e à recente Unissex Collection, quais são os principais desafios que encontra quando começa a idealizar a linha Bridal?

Acaba por ser um desafio maior. É mais complexo porque tens uma série de pontos aos quais tens que obedecer, ou pelo menos tentar. Um vestido de noiva tem que ser especial, com materiais mais nobres e com um trabalho de mão exímio. No final, a noiva tem que se sentir incrível.

Para a primavera/verão 2019, o Diogo contou que foi ouvindo o feedback das clientes para poder ir ao encontro daquilo que estão à procura. Para construir Ivory recorreu ao mesmo método?

Sim, estes seis modelos acabaram por ser feitos com o feedback das clientes. Hoje em dia, nem todas as noivas querem um vestido volumoso, um bustier, rendas… Há quem queira um slip dress em seda com uma capa em chiffon, e vai igualmente bonita e elegante. Daí ter feito seis modelos, dentro do universo Miranda, mas diferentes entre si, precisamente para isso, para ir ao encontro do gosto de cada cliente.

Para o Diogo é importante estar em contacto com as suas clientes. Com as bride-to-be acha que essa interação ganha ainda mais importância pelo facto de estar a criar um vestido que vai fazer parte de um dos dias mais desejados?

Claro que sim, acaba por ser super importante a relação que crias e, às vezes, a relação com a cliente até se torna em amizade, estás a trabalhar para um dia muito especial da vida delas, então tem mesmo que haver uma proximidade e sinceridade de ambas as partes. A noiva tem que ir incrível e ao mesmo tempo sentir-se bem. 

Há silhuetas mais arrojadas, mas ao mesmo tempo não descurou o lado mais minimalista deste universo. Como e onde é que encontra o balanço perfeito?

Consigo encontrar perfeitamente esse balanço. Não me perguntes como, às vezes nem eu sei. Talvez dependa do mood em que estou ou talvez por já estar tão intrínseco que nem noto.

Pode afirmar-se que a coleção bridal do Diogo é disruptiva, mas ainda assim quais são os tecidos, materiais e silhuetas que considera essenciais numa coleção de noivas?

Neste universo não há muito que inovar, porque tens as rendas, com brilhos, sem brilhos, de chantilly, as sedas, etc… Mas dependendo da noiva, tenho pelo menos quatro que gosto de usar, porque sei que vão resultar perfeitamente: o crepe de chine, o chiffon de seda, o shantung de seda e o tule.

Tendo o Diogo já uma clientela forte em regime de atelier, de onde é que surgiu a necessidade de criar uma linha de pronto-a-vestir para noivas? Sente que assim consegue alcançar um maior número de pessoas?

Sim, claro. E o facto de o ter feito também é uma forma de ter algo para mostrar às futuras noivas. Como é um trabalho muito exclusivo e privado não publicito tanto porque cada noiva é única e especial. 

Como caracteriza a noiva Diogo Miranda?

Basicamente, a noiva Miranda é a cliente Miranda, porque a maior parte das noivas que faço acabam por já ser clientes, portanto sabem com o que podem contar. Ao mesmo tempo, acaba por ir ao encontro daquilo que vês numa coleção de passerelle, mas, aqui, em cor de marfim. Sexy, confiante e sóbria, de certa forma aquilo que todas querem. 

Se pudesse vestir uma noiva à sua escolha, quem seria e porquê?

Não escolheria uma, mas sim várias e foi precisamente por isso que batizei os vestidos com nomes de mulheres com as quais me identifico, desde Anja (Anja Rubik) até Marine (Marine Vacth), são mulheres que consigo visualizar com aqueles vestidos e que de certa forma se identificam com a minha marca.  

O universo bridal de Diogo Miranda é um serviço exclusivo e está disponível mediante marcação no atelier do designer. 
Para mais informações relativas a fittings, contactar info@diogomiranda.net.

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