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Curiosidades 22. 4. 2020

Dia da Terra, meio século depois

by Mathilde Misciagna

 

Hoje, dia 22 de Abril, celebram-se os 50 anos do Dia da Terra entre uma pandemia e um futuro incerto. Como nasceu este dia e qual é a sua importância 50 anos depois?

 Earth Day, Boston Common, 22 de abril de 1970 © Getty Images

Nas décadas que antecederam o primeiro Earth Day, um sem número de indústrias expelia gases tóxicos para o ambiente, com pouco ou nenhum medo das consequências legais ou até mesmo da má publicidade na imprensa. Prosperidade no norte da América cheirava a poluição do ar. Até 1970, a maior parte dos norte-americanos permanecia, amplamente, alheio às preocupações ambientais e ao facto de um ambiente poluído ameaçar a saúde humana.

À época, 10% da população total dos Estados Unidos da América saiu à rua e manifestou-se em parques e auditórios contra os impactos de 150 anos de desenvolvimento industrial, que estavam a deixar um legado crescente de impactos sérios à saúde humana. Milhares de universidades organizaram protestos contra a deterioração do meio ambiente e houve manifestações massivas em todas as comunidades norte-americanas. 

O Dia da Terra de 1970 alcançou um raro alinhamento político, contando com o apoio de toda a gente, desde republicanos a democratas, ricos e pobres, moradores urbanos e agricultores, líderes empresariais e trabalhistas. No final de 1970, o primeiro Dia da Terra já tinha levado à criação da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos e à aprovação de leis ambientais pioneiras, incluindo o National Environmental Education Act, o Occupational Safety and Health Act e o Clean Air Act. Dois anos depois, o congresso aprovou o Clean Water Act. Um ano depois disso, foi aprovado o Endangered Species Act e, logo depois, o Federal Insecticide, Fungicide, and Rodenticide Act. Estas leis protegeram milhões de homens, mulheres e crianças contra doenças e morte, bem como centenas de espécies em vias de extinção.

Earth Day, 20 de abril de 1970, Nova Iorque © Getty Images

Hoje, a luta por um ambiente limpo continua com ainda mais urgência, à medida que os estragos provocados pelas alterações climáticas se tornam cada vez mais evidentes a cada dia que passa. Os ambientes sociais e culturais que vimos em 1970 estão a voltar a surgir hoje - uma geração nova e frustrada de jovens recusa-se a contentar-se com banalidades, e, em vez disso, sai à rua exigindo um novo caminho a seguir para o nosso planeta e para os que nele habitam. As redes sociais potenciam conversas, protestos, greves e mobilizações e ampliam tudo a uma audiência global, unindo cidadãos preocupados como nunca e catalisando gerações. 

Passou meio século e o Dia da Terra tornou-se num evento global, observado em cerca de 190 países e envolvendo quase 100.000 organizações no maior movimento de mobilização cívica do mundo. Este ano, o movimento está focado nas alterações climáticas como sendo o maior desafio para o futuro da humanidade e dos bens comuns globais, que sustentam e tornam o planeta Terra habitável.

Greta Thunberg, White House, setembro de 2019, Washington, DC © Getty Images

Em 2020, este dia está a ser comemorado no contexto de uma demanda sem precedentes por mudança. O surgimento e os efeitos devastadores da Covid-19 são um alerta para todos nós, mostrando a natureza exponencial de alguns riscos e a fragilidade do nosso estilo de vida. Torna-se agora, verdadeiramente, claro que a vida na Terra é um equilíbrio delicado: basta um desastre como aquele que estamos a viver para colocar tudo em risco.

O foco deve estar agora na reconstrução de economias e na criação de um novo rumo. Devemos aproveitar este momento de crise e renovação para criar maior resiliência e enfrentar a maior ameaça à nossa existência. Não subestimemos o nosso poder enquanto população. Quando a nossa voz e as nossas ações estão unidas a milhares ou milhões de pessoas em todo o mundo, criamos um movimento que é inclusivo, impactante e impossível de ignorar.

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