Dario Vitale. Fotografia: Jeannette Montgomery Barron. Cortesia da Emporio Armani.
Dario Vitale, que deixou a Versace após apenas uma temporada, torna-se o primeiro designer externo de sempre a ser nomeado para liderar uma linha da Armani.
Dario Vitale é o novo diretor criativo da Emporio Armani, anunciou a marca hoje, quarta-feira. Assumirá também o cargo de diretor criativo de acessórios da Giorgio Armani e começará a exercer as suas funções com efeito imediato.
Vitale afirmou: “Sinto-me honrado por assumir esta dupla função na Emporio Armani e na Giorgio Armani, e estou profundamente grato à Silvana e ao Leo por me acolherem no seu mundo. A Armani possui um legado poderoso e uma linguagem de design inconfundível; uma herança que se estende por décadas e moldou a história da Moda. Abordo tudo isto com um profundo sentido de responsabilidade e entusiasmo, à medida que construímos sobre essa rica base, definindo juntos uma nova era”.
Este anúncio, que já era alvo de muitos rumores, marca a primeira vez que o Grupo Armani, cujo fundador e proprietário, Giorgio Armani, faleceu no ano passado, nomeia um profissional externo para assumir a direção criativa de uma das suas linhas. Para Vitale, no entanto, esta é a sua segunda distinção deste tipo: em abril de 2025, começou a trabalhar como o primeiro membro não pertencente à família Versace a supervisionar o design na Versace, tendo saído oito meses depois, na sequência da aquisição da empresa pelo Grupo Prada. O Grupo Prada foi também o antigo empregador de Vitale na Miu Miu.
Fundada em 1981, a Emporio Armani foi concebida por Giorgio Armani como uma marca de difusão com preços mais acessíveis, inicialmente fortemente centrada no denim, que serviria também como um canal de acesso dos consumidores à sua linha principal homónima. “A Emporio é a minha visão da Moda explorada sob outro ângulo, que é mais metropolitano e extremamente transversal em termos de gerações”, afirmou Armani em certa ocasião.
A nomeação de hoje marca precisamente esse salto geracional. Vitale nasceu em 1983, o que o torna apenas ligeiramente mais velho do que Armani era quando fundou a sua empresa em 1975. Durante a maior parte da sua existência, a Emporio Armani foi dirigida pelo próprio Armani, a par da Giorgio Armani, da Armani Privé e do resto do seu vasto universo de design de assinatura. A sua última coleção para a Emporio, Primavera/Verão de 2026, foi apresentada em Milão após a sua morte, a 4 de setembro de 2025, aos 91 anos. A coleção mais recente foi co-desenhada pelos herdeiros criativos designados por Armani: a sua sobrinha Silvana Armani, de 71 anos, e o seu parceiro de longa data Leo Dell’Orco, de 73 anos.
Numa declaração conjunta, Armani e Dell’Orco afirmaram: “A Emporio Armani é muito mais do que uma linha para nós: é uma realidade à qual estamos profundamente ligados, tendo acompanhado e partilhado a sua trajetória desde o início. A Emporio nasceu como um espaço de liberdade, experimentação e energia, e estamos convencidos de que a chegada de Dario à nossa equipa, como um talento já consagrado no cenário internacional, irá interpretar o seu espírito com respeito e autenticidade”.
Vitale chega à Emporio após um período de tal turbulência profissional que o seu futuro profissional se tornou um caso mediático. A sua primeira e última coleção para a Versace, primavera/verão de 2026, foi apresentada em Milão em setembro de 2025 e foi alvo de grande aclamação por parte do setor.
Os observadores elogiaram a capacidade de Vitale para restabelecer a ligação da marca com a energia jovem e sexualmente carregada associada ao fundador Gianni Versace, ao mesmo tempo que criava um vocabulário próprio, arrojado e culturalmente contemporâneo. Desde então, a coleção tem sido amplamente utilizada por estilistas para capas de revistas e aparições na passadeira vermelha, conferindo a este conjunto relativamente pequeno de peças uma longevidade invulgar. O sutiã com lantejoulas do look 50, em particular, tem tido uma visibilidade considerável.

Versace SS26, por Dario Vitale.
Cortesia da Versace
Isso não foi suficiente para poupar Vitale de forças aparentemente fora do seu controlo. O Grupo Prada concluiu a aquisição da Versace à Capri Holdings, no valor de 1,25 mil milhões de euros, no final de 2025; a saída de Vitale foi confirmada ainda nessa semana.
Antes de ir para a Versace, Vitale passou 14 anos na Miu Miu, tendo começado em 2010 e acabado por se tornar diretor de design de ready to wear e responsável pela imagem. A trabalhar sob a orientação de Miuccia Prada, Vitale ajudou a moldar a fase que acompanhou a emergência da Miu Miu como uma das marcas mais observadas do mundo da Moda, impulsionando-a para um período de crescimento excecional. Em 2024, as vendas da Miu Miu aumentaram 93%, tornando-se um fator de crescimento significativo para o Grupo Prada.
Essa experiência na Miu Miu parece ser um cartão de visita de peso agora que Vitale se junta à Emporio Armani. Ambas as marcas ocupam posições distintas no seio de ecossistemas empresariais mais amplos, ao mesmo tempo que se dirigem a clientes mais jovens através dos seus produtos e da sua imagem. Antes da sua passagem pela Miu Miu, Vitale trabalhou sob a orientação de Tomas Maier na Bottega Veneta e de Dean e Dan Caten na Dsquared2.
A nomeação de Vitale surge também num momento crucial para o Grupo Armani. O testamento de Giorgio Armani estipulava que os seus herdeiros vendessem uma participação de 15% na empresa no prazo de 18 meses após a sua morte, devendo uma parcela maior — entre 30% e 54,9% — ser vendida ao mesmo comprador três a cinco anos mais tarde. O seu testamento especificava ainda três compradores preferenciais: a L’Oréal, a LVMH e a EssilorLuxottica. O prazo inicial termina em março de 2027.
Em 2025, o Grupo Armani registou receitas de 2,2 mil milhões de euros, uma descida de 2,8% a taxas de câmbio constantes, enquanto o volume de negócios total, incluindo as vendas diretas dos licenciados, atingiu os 4 mil milhões de euros. O grupo é liderado pelo CEO Giuseppe Marsocci, um veterano com 23 anos de experiência na empresa que sucedeu ao seu fundador no cargo de CEO em outubro desse ano. O anúncio de hoje demonstra que o Grupo Armani não está à espera que nenhum novo acionista se estabeleça antes de aperfeiçoar a sua estratégia criativa na sequência da morte do seu fundador.
Marsocci afirmou sobre a nomeação de hoje: “A nomeação de Dario Vitale marca um marco importante para o Grupo Armani: uma decisão que reforça a nossa organização criativa e confirma o nosso compromisso de olhar para o futuro, consolidando o percurso de evolução do Grupo, mantendo-nos fiéis aos valores e à visão de Giorgio Armani. A Emporio Armani é uma marca de relevância estratégica para nós e para os nossos parceiros em todo o mundo. Os acessórios Giorgio Armani representam uma grande oportunidade. Encaramos esta nova fase com enorme confiança”.
Desde esse falecimento, a linha principal da Giorgio Armani tem continuado sob a direção de Silvana Armani, responsável pela Moda feminina, e de Leo Dell’Orco, responsável pela Moda masculina. Ambos trabalharam em estreita colaboração com Armani durante muitos anos nas coleções que ele, com toda a razão, considerava a expressão por excelência da sua sensibilidade de Moda, que marcou toda uma década. Agora, na Emporio, Vitale terá uma nova oportunidade — que, desta vez, vai além de uma única coleção de Moda — para reinventar e expandir um dos maiores legados da Moda italiana.
Traduzido do original, disponível aqui.
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