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Entrevistas 16. 12. 2021

Dakota Johnson fala sobre The Lost Daughter, Persuasion e Paul Mescal

by Radhika Seth

 

A atriz fala sobre a representação complicada da maternidade no seu novo filme, o seu próximo drama histórico e sobre partilhar os seus segredos mais profundos com a estrela de Normal People.

© Getty Images

Dakota Johnson é instantaneamente reconhecível no ecrã. Com o seu sorriso e franja perfeita, a atriz de 32 anos já encantou Christian Grey de Jamie Dornan nos filmes 50 Shades of Grey, maravilhou os críticos com A Bigger Splash, provou ser uma mulher magnética em How To Be Single, e conquistou corações com The Peanut Butter Falcon. Mas, em The Lost Daughter - a estreia fantástica de Maggie Gyllenhaal na realização, adaptada do livro homónimo de Elena Ferrante - pode levar um momento a identificar Johnson quando chega ao seu olhar.

A atriz interpreta Nina, uma jovem mãe com cabelo preto longo, olhos delineados com lápis, inúmeras tatuagens e um guarda-roupa de calções de ganga, fatos de banho pequeninos e argolas douradas. Está de férias na Grécia com a sua filha, Elena (Athena Martin) e o resto da sua família barulhenta e estranhamente rica de Queens. Quando os conflitos começam, ela fica atenta e inquieta. A observá-la está Leda (Olivia Colman), uma professora de línguas numa viagem solitária. Também nas suas órbitas estão dois homens com boas intenções: o cuidador grisalho da casa onde Leda está hospedada (Ed Harris) e um estudante (Paul Mescal), que passa os seus verões a trabalhar na praia. As suas vidas são importunadas quando Elena de repente desaparece, deixando Nina perturbada e Leda a relembrar o seu passado tumultuoso com duas filhas. O produto final é um estudo sensível da desilusão, ambição e ambivalência maternal, e é impossível tirar os olhos de Colman impulsiva e Johnson enigmática.

Enquanto antecipamos a estreia do filme nos cinemas e na Netflix, Johnson discute as filmagens durante a pandemia nas ilhas pitorescas de Spetses, envia fotografias de Megan Fox como referência a Gyllenhaal e suborna a jovem atriz que faz de sua filha.

The Lost Daughter é uma linda adaptação. Foi o guião que a atraiu?

É um guião incrivelmente bonito e a Maggie (Gyllenhaal) e eu tivemos uma reunião. Foi muito honesto e comovente. Falámos mais algumas vezes e depois ela deu-me o papel. Foi durante a pandemia, por isso eu e a Maggie passámos muito tempo no Zoom, a falar e a enviar músicas, fotografias e recomendações de filmes uma à outra. A Maggie tem uma forma incrível de trabalhar com atores porque ela é uma. Ela fez-nos sentir tão seguros. Senti que podia ir ao extremo em qualquer direção e alguém cuidaria de mim. Tanto disto foi só por querer estar perto dela (risos).

Quais foram esses filmes, músicas e fotografias?

Foi quando estávamos a falar sobre a caracterização, o cabelo e qual seria o look da Nina. A certo ponto estávamos muito interessadas na Rosalía. Depois, eu mandei à Maggie fotos antigas da Megan Fox. Ela tinha uma sexualidade que a parecia aborrecer e eu gostava disso. É quase como se o que a Nina estivesse a usar fosse o seu uniforme, mas ela fosse crescida demais para ele. É um uniforme rebelde e talvez esta seja a autoimagem que formou de si e agora está presa nela, ou talvez foi formada para si por causa do seu aspeto. É mais sobre ela querer libertar-se das amarras dessa identidade. Ela é muito mais do que aquilo que a sua família lhe permite.

Como foi chegar à Grécia com este elenco incrível enquanto o resto do mundo estava em confinamento?

Sou privilegiada por poder fazer disto o meu trabalho, mas gravar um filme na Grécia durante a pandemia quando as pessoas estão trancadas nos seus apartamentos e a sonhar com a praia? Foi verdadeiramente uma sorte e todos nós nos apercebemos. É uma ilha mesmo pequena e todos estiveram mais ou menos envolvidos no filme. As raparigas que trabalham no café local também participaram como extras. Estávamos todos juntos numa bolha e tornamo-nos próximos.

A jovem atriz, Athena, que interpretou a sua filha, é maravilhosa. Como se aproximaram?

Ela tinha quatro ou cinco anos quando estávamos a gravar. É confuso nessa idade e fizemos daquilo um jogo. Queria que ela se sentisse segura e à vontade, por isso a minha estratégia foi o suborno. Eu disse ‘vou dar a esta miúda sacos de doces’. Ela aceitou, mas não ficou muito impressionada (risos).

Como foi trabalhar com a Olivia Colman? A Nina e a Leda passam muito tempo juntas só a olhar uma para a outra. 

Divertimo-nos imenso. Somos boas amigas agora e eu gosto muito dela. A Maggie deu-nos um espaço seguro para podermos brincar. Nós não tínhamos conversas muito profundas sobre a relação entre a Nina e a Leda, e ainda não temos. Há tantas camadas nessa relação. Perguntas para onde caminham da mesma forma que elas o fazem. Mas, quando não estávamos a gravar, eu e a Olivia não falávamos sobre isso. Bebíamos vinho (risos).

E o Paul Mescal? Era fã do seu trabalho em Normal People?

Oh meu deus, sim. Super fã! No primeiro dia de filmagens, eu e o Paul tivemos uma cena intensa. Não nos conhecíamos, ele estava um pouco nervoso e eu empática. Para que todos estivessem à vontade, contei-lhe todos os meus segredos mais profundos (risos). Agora, somos muito próximos. Ele é um ser divinal. Este foi o seu primeiro filme. Estou muito orgulhosa dele.

E para além de trabalhar com todos estes atores fantásticos, o que te apelou no papel de Nina, esta mulher misteriosa que quer ser mais do que uma mulher sensual na praia?

Não é tanto que ela queira ser algo mais, ela é algo mais. Mas talvez ela tenha crescido numa família ou numa sociedade onde não a deixam ser mais ou não a conseguem ver pelo que ela é. Isso é muito interessante para mim. Há tantas pessoas diferentes em nós. A Nina está a perder-se e quando conhece a Leda pensa ‘haverá algo mais para mim? A minha mente pode ser menos sedenta? Posso estar mais satisfeita?’ O que mais magoa é que ela provavelmente nunca o será e essa é a verdade de tantas mulheres.

Espera que este filme faça as pessoas questionar os seus preconceitos sobre a maternidade?

Estou muito interessada neste mundo onde as mulheres não podem sentir as suas emoções, estejam assustadas ou desconfortáveis. Não sou mãe ainda, mas o que me interessa é que este filme dá permissão às mulheres que são mães para sentir todas as emoções complicadas que surgem. E permite às mulheres que não são mães ou que não querem ser mães sentir-se como se sentem. Ainda há estigma à volta de algumas mulheres por não quererem ser mães e eu só penso: porquê? Talvez isto seja um empurrãozinho para o fim do estigma destes sentimentos complicados acerca da maternidade e de ser mulher.

Vamos vê-la no ecrã em Persuasion?

Persuasion foi tão divertido. Fazer um filme de Jane Austen é o sonho e só há alguns por aí, por isso sinto-me incrivelmente sortuda. O elenco é fantástico e o nosso realizador, Carrie Cracknell, é espetacular. Acho que ainda estão a editar, mas estou tão curiosa para ver como fica.

E, para além disso, como te estás a sentir acerca do estado do mundo neste momento?

Estou com o coração profundamente partido e não há outra forma de o dizer. Acredito nas pessoas, na bondade e na nossa habilidade de evoluir, e entendo que por vezes as coisas têm de piorar antes de melhorar, mas é duro. É uma altura angustiante para a maior parte do mundo. Como um indivíduo, sentes-te sem esperança, mas tudo o que podemos fazer é ajudar-nos uns aos outros. Espero mesmo que as coisas melhorem em breve.

 

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