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Notícias 20. 4. 2018

#CNILux Dia 2: Imaginando o futuro

by Alice Newbold, Vogue Daily Editor, em direto da CNI Luxury Conference em Lisboa

 

Suzy Menkes ouve as visões sobre o mundo de amanhã na perspetiva de Michele Norsa, um dos diretores da Ermenegildo Zegna, e de Adrien Cheng, fundador da K11.

© Indigital/CNI Luxury

O CV de Michele Norsa mais parece uma check list das marcas de luxo italianas mais influentes: Valentino, Salvatore Ferragamo e, mais recentemente, Ermenegildo Zegna, na qual faz parte do Concelho de Direção.  Ao longo dos seus 10 anos enquanto CEO da Ferragamo, Norsa foi essencial em estabelecer uma direção e em manter a marca à superfície, um feito de relevo em tempos de imprevisibilidade de vendas.

"Pela primeira vez, sinto-me como um homem livre", afirmou, em palco na Condé Nast International Luxury Conference. "Não preciso de falar sobre o decréscimo nos mercados ou do crescimento da China, posso falar abertamente. Sou um homem de dúvidas."

"Trabalhei com números ao longo de muitos anos. Eu adoro números", continuou. "Mas nesta altura do campeonato, acredito que é melhor sentir do que projetar números". É quando Norsa viaja que sente, e é guiado pela sua intuição. Ele sabe os melhores locais para lojas em cidades chave e mantém que a maioria dos erros das marcas estão intrínsecamente ligados ao tamanho e localização das lojas. "A geografia é cada vez mais importante", explica. "Temos de interpretar a geografoa em vez de tentar atingir as próximas gerações".

© Indigital/CNI Luxury

Os millennials, disse, sempre o confundiram, porque as datas usadas para qualificar um millennial são demasiado abrangentes. E, para ele, a coisa regressa sempre à geografia: "Um millennial na China não tem nada a ver com um millennial nos Estados Unidos."

A sua outra grande preocupação é a privacidade e a segurança cibernética. Acredita no crescimento orgânico mais lento para a extensão de uma marca mais do que numa expansão veloz e diluição da marca. A definição de luxo, indaga-se, está também diluída, "um terço das marcas incluídas na esfera do luxo não são luxo. Muitas marcas, como a Hugo Boss, estão na fronteira." O seu sonho para o luxo, partilhou, é a criatividade ilimitada, produção sustentável, sem contrafação e um novo omnicanal para maximizar a comunicação global e partilhar ideias entre as marcas que qualifica como luxo.

© Indigital/CNI Luxury

Adrian Cheng, fundador da K11, o primeiro conceito mundial que junta retalho e museu, e da associação solidária K11 Art Foundation, também tem a visão em detrimento do crescimento no centro do seu plano de negócios. Como herdeiro de Yu-tung, seu avô e o homem por detrás do grupo de joalharia Chow Tai Fook, Cheng sempre se viu no centro da infraestrutura de luxo chinesa. 

Há dez anos, Cheng disse na conferência, tudo na China era homogéneo. A geração jovem exigia cultura; estavam aborrecidos com os espaços de venda a retalho que tinham as mesmas marcas, mas não tinham hábitos culturais. A K11 - um hub que combina conteúdo cultural e retalho - foi a resposta e o retalho experimental parecia ser o Santo Graal. 

© Indigital/CNI Luxury

O sucesso de Cheng está ligado à sua compreensão do que chama a geração BAT: "As gerações jovens estão rodeadas pelo Baidu, Alibaba e Tencent, as três gigantes empresas de internet da China. Elas saltaram assoberbadamente do desktop para o mobile e são conhecedoras incríveis do digital". Esta geração usa apenas o WeChat - uma plataforma integrada para muitas aplicações de eb, incluindo o Facebook e a Amazon - e as marcas conseguem atingir diretamente os consumidores através delas. Não envolvem dinheiro em papel e compram numa cultura à base de cartão de crédito que tem dinheiro para gastar.

A estutura familiar 4-2-1 é o que faz desta geração rara. A política do filho único de 1979 significa que cada um deles tem quatro avós e dois pais. Os seus parentes mais velhos tiveram muitos irmãos e esta geração também pode vir a ter muitos filhos, mas o rendimento familiar centra-se na geração BAT que, adequadamente, representa um quinto do consumo de produtos de luxo na China.

Mas, explicou Cheng, há "preocupação e medo entre esta geração jovem, têm o apoio e nunca tiveram o fardo financeiro." O que esta geração BAT será em 2030 é o que a China precisa de tentar perceber. Felizmente, com o seu acesso incrível à informa ção de consumo, tem o poder de previsão.

A quarta edição da conferência anual Condé Nast International Luxury Conference em Lisboa acontece nos dias 18 e 19 de abril. Para mais informações, visite www.cniluxury.com/2018.

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