18. 10. 2017

Chanel: o café e a vida parisiense

by Vogue Portugal

 

Há uma serenidade na multidão que teima em passar pelo passeio em frente à minha mesa redonda ao ar livre, aquecida pela luz vermelha que se impõe no canto daquele bistrô.

A frequência de transeuntes não diminui por ser sábado, mas os seus passos são leves como o fim-de-semana e as risadas despreocupadas.

Tomo o café com calma e deixo-me levar por alguns minutos com aquela mãe que passa com a filha pequena ou pelo homem de bicicleta que pedala com a baguette debaixo do braço. Não me demoro: na mente, vou com eles, mas os pés levam-me ao mercado mais próximo.

Escolha uma das duas opções abaixo:

B1. Na primeira banca, encontro as camélias que me apaixonam. Encontro romãs, também, e aquele sábado ganha um novo sabor e aromas. Imagino aquela tarde em casa, agora sem a leveza da seda, mas com o aconchego da caxemira. Imagino o chá, o livro de Proust que abandonei na coffee table e escrevo na minha mente uma carta de amor. A quem? A mim, aos meus amigos, aos meus pais, ao meu trabalho. À minha cara-metade. A que existe, existiu ou existirá. E descubro a minha Gabrielle aqui...

B2. O Louvre interrompe-me a caminhada. Lembro-me de uma reunião a propósito de um evento no local e de como todos me diziam para esquecer. O Louvre não abre as portas a ninguém. Mas abriu-as para mim. Fui insistente. Fui sedutora. Fui resiliente. Não desisti. Hoje, vou só lá ver as obras que não me canso de repetir. Mas em cada pincelada dos artistas de outros tempos, há uma minha: a da conquista. E descubro a minha Gabrielle aqui...

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