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10 fotojornalistas negros documentam os protestos Black Lives Matter nos Estados Unidos

04 Jun 2020
By Vogue

Desde a morte de George Floyd, a 25 de maio, que dezenas de milhares de manifestantes em todo o mundo foram para as ruas exigir justiça ao homem negro de 46 anos e o fim do racismo sistemático. Conversamos com 10 fotógrafos que estão a documentar estas manifestações.

Desde a morte de George Floyd, a 25 de maio, que dezenas de milhares de manifestantes em todo o mundo foram para as ruas exigir justiça ao homem negro de 46 anos e o fim do racismo sistemático. Conversamos com 10 fotógrafos que estão a documentar estas manifestações.

Na última semana, dezenas de milhares de manifestantes foram para as ruas exigir justiça a George Floyd, o homem negro de 46 anos que foi morto em Minneapolis a 25 de maio, depois do polícia branco Derek Chauvin lhe ter colocado o joelho no pescoço durante 8 minutos e 46 segundos.

Fotografias poderosas mostram manifestantes reunidos em massa em cidades de todo o mundo, inclusive nos EUA, Reino Unido, França, Itália e Alemanha. Nos Estados Unidos, os manifestantes estão a quebrar a hora de recolher para exigir o fim da brutalidade policial e do racismo sistemático global, com cartazes que incluem frases como “Stop Killing Black Men” (“Parem de Matar os Homens Negros”) e “I Can’t Breathe” (“Não Consigo Respirar”) - sendo esta frase as últimas palavras proferidas por Floyd. Os nomes de Floyd e de outros negros mortos nos EUA, nos últimos anos, incluindo Arbery, Breonna Taylor, Eric Garner e Trayvon Martin, também foram proferidos pelos manifestantes. 

Embora as manifestações tenham sido, maioritariamente, pacíficas, algumas delas caíram em violência com a polícia a usar gás lacrimogéneo, spray de pimenta e balas de borracha. A Vogue conversou com 10 fotojornalistas negros sobre a documentação dos protestos que surgiram nos Estados Unidos da América.

1. Dee Dwyer, Washington DC

“Ao documentar o protesto, consegues sentir que o mundo está cansado da forma desumana como os negros são tratados. Foi um momento de solidariedade. Como mulher negra, era difícil fotografar essa experiência, mas eu sabia que tinha que ser feita. O meu papel neste movimento é documentar esses tempos e esclarecer os equívocos colocados sobre os incompreendidos que, neste caso, são as ‘pessoas negras’.”

2. Stephanie Mei-Ling, Los Angeles

“As mulheres negras têm, historicamente, desempenhado papéis críticos nos movimentos de protestos porque o racismo e a brutalidade policial nos afetam diretamente. Não estamos apenas a ser mortos, estamos a perder os nossos pais, os nossos irmãos, o nossos maridos e os nossos filhos. Esta fotografia foi tirada no protesto Black Lives Matter em Los Angeles. A BLM foi fundada por três mulheres negras, Patrisse Cullors, Alicia Garza e Opal Tometi.”

30 de Maio de 2020. Manifestação Black Lives Matter, Los Angeles. Fotografia de Stephanie Mei-Ling 

3. Lynsey Weatherspoon, Atlanta, Georgia

“Andar lado a lado com todos durante este protesto foi um ato de solidariedade, embora as pessoas estivessem visivelmente irritadas com os atos inexplicáveis cometidos pela polícia em todo o país. O golpe palpável ao ritmo de todos era inimaginável, mas a paz era o nosso objetivo principal. A morte de George Floyd, juntamente com a morte de Breonna Taylor, Tony McDade e Ahmaud Arbery, foi a gota d’água, pois estamos a viver uma pandemia que também está a afetar a minha comunidade em números desproporcionais. O fervor demonstrado ao longo da noite deu mais esperança e um momento de clareza para aqueles que ainda se perguntam o porquê dos negros continuarem a lutar pela igualdade e pelo dia em que não vamos precisar de lutar pelas nossas vidas, literalmente.” 

29 de maio de 2020. Protestantes em Atlanta, Georgia, pela morte de George Floyd e outros afro-americanos mortos através da brutalidade policial. Fotografia de Lynsey Weatherspoon.

4. Mark Clennon, Nova Iorque

“Este protesto foi diferente de todos aqueles a que já fui. Conseguias ver a dor e a raiva nos olhos de toda a gente, apesar das máscaras as suas emoções eram notórias.”

30 de maio de 2020. Ria Foye a ser presa em Times Square, Nova Iorque, depois de um protesto pacífico. Fotografia de Mark Clennon.  

5. JD Barnes, Nova Iorque

“Na vida, muitas vezes, temos momentos em que é imperativo escolher um lado e sermos fieis a essa nossa decisão. Essa escolha nem sempre é fácil, segura ou confortável. A verdade e justiça raramente o são. A verdade e a justiça, porém, são uma causa pela qual vale a pena lutar. Ver um homem de muletas a marchar, para mim, foi tão impactante. O ato dele tira qualquer desculpas que outras pessoas possam ter para não fazer parte desta luta fisicamente.”

6. Vanessa Charlot, St Louis, Missouri

“Uso a minha lente para capturar a vida negra de maneiras que desafiam os status quo e desmantelam as falsas noções de propriedade diante da crueldade e da injustiça. Ao mesmo tempo, a nossa história também é de resiliência, virtude e beleza. Para fazer parte deste momento histórico, na linha da frente, ver ralas, política, cultura e economia a colidirem com uma pandemia global. Este é um momento surreal para se estar vivo e, como fotógrafa que documenta mulheres negras, não há outro lugar em que preferia estar do que na linha da frente.”

29 de maio de 2020. Protestantes na baixa de St. Louis, Missouri. Fotografia de Vanessa Charlot. 

7. Kay Hickman, Nova Iorque

“Testemunhei um protesto pacífico que acolheu pessoas de todas as raças que lutavam por justiça a George Floyd. Foi uma exibição poderosa de humanidade.”

30 de maio de 2020. Uma mãe e um filho protestam em Brooklyn, Nova Iorque. Fotografia de Kay Hickman. 

8. Anthony B Geathers, Nova Iorque

“Que momentos estamos a viver. A morte de George Floyd foi a gota d’água que acendeu uma raiva que nós, como povo, estamos a travar há centenas de anos. Os negros já passaram por suficiente. De Minneapolis a Nova Iorque, de Los Angeles a Atlanta e muitos outros estados, o fogo queima quando os jovens e os idosos se expressam por qualquer meio e exigem que este país mude. Cada vez mais, vamos ter conversas reais sobre os problemas da supremacia branca neste país e no mundo e aqueles que estão no poder, vão ser responsabilizados.”

9. Tony Mobley, Baltimore, Maryland

“A minha experiência a documentar os protestos aqui em Washington DC e Baltimore tem sido um dos mensageiros ou transmissores das injustiças que os meus irmãos e irmãs afro-americanas tiveram que suportar por mais de 400 anos enquanto aqui nos EUA. A câmara tem sido o meu ‘megafone’, se queres morar o quão forte e resiliente o nosso povo é mas também mostrar ao mundo, através destes protestos, que estes atos flagrantes não vão ser mais tolerados nas nossas comunidades. As pessoas do nosso país estão a expressar as suas frustrações e a sofrer com os protestos para exigir justiça. Talvez o mundo nos esteja, finalmente, a ouvir-nos, e isso vai provocar a mudança que tanto ansiamos aqui nos Estados Unidos da América.”

10. Alex Hunley, Los Angeles

“Cheguei a casa às 19h57, exatamente, três minutos antes da hora de recolher às 20h e, sentado no carro a tremer, percebi que não estava bem. A crueldade que testemunhei pela polícia em Fairfax 3rd vai ficar comigo para sempre. Todos viram os vídeos. O gaseamento. As balas de borracha. Os espancamentos e prisões em massa. Embora a raiva e a tristeza ainda permaneçam, o amor que tenho por todas as pessoas negras que marcharam, protestaram e organizaram no passado e no presente é aquilo que me está a manter unido.”

30 de maio de 2020. Um protestante pacífico com uma sweatshirt que diz “I’m just armed with love” (“Só estou armado com amor”) na marcha Black Lives Matter, Los Angeles. Fotografia de Alexis Hunley.

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