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Curiosidades 4. 6. 2020

Over the rainbow, o orgulho de uma comunidade

by Vogue Portugal

 

Em junho erguem-se orgulhosamente bandeiras arco-íris por este mundo fora. Um símbolo de união, força, resiliência e, sobretudo, orgulho. Mas como é que esta bandeira se tornou num símbolo para a comunidade LGBTQIA+? Eis a sua história.

Celebrações do 25º aniversário de Stonewall, Nova Iorque, 1994 © Getty Images

São Francisco. 1978. Baker, Gulbert Baker. Artista, veterano do exército norte-americano, ativista dos direitos dos homossexuais e drag queen. In a nutshell, é assim que apresentamos o homem responsável por criar a bandeira arco-íris que, hoje, é o símbolo máximo da comunidade LGBTQIA+. Mas como é que tudo começou? Harvey Milk - um dos primeiros políticos gay a ser eleito nos Estados Unidos da América - incentivou Baker a criar um símbolo que espelhasse o orgulho e empoderamento na comunidade gay. O artista pôs as mãos na massa e encarou este desafio como uma missão. Missão essa que tinha como principal objetivo proclamar a visibilidade, e porque acreditava que estas tinham uma representação mais poderosa no que ao orgulho diz respeito.

À época, o triângulo rosa era a imagem mais usada para o crescente movimento dos direitos homossexuais. Contudo, esta imagem era igualmente utilizada pelos nazis como um símbolo para identificá-los e, com isto em mente, Baker nunca quis adotar um símbolo que fosse um retrato de um passado doloroso. O norte-americano queria criar um símbolo que fosse uma representação, sobretudo, de união.

Gilbert Baker, o criador da bandeira arco-íris, que é hoje símbolo da comunidade LGBTQIA+, em 2003 © Getty Images

Um bandeira “não é uma pintura, não é apenas um pano, não é apenas um logótipo – funciona de muitas maneiras diferentes. Pensei que precisávamos desse tipo de símbolo, que precisávamos, como povo, de algo que todos compreendessem imediatamente”, confessou Baker, em entrevista ao Museum of Modern Art, em 2015. “A bandeira arco-íris não tem escrita a palavra 'gay' e a bandeira norte-americana não tem escrito “os Estados Unidos”, mas todos sabem o que significam. E essa influência veio realmente até mim quando decidi que devíamos ter uma bandeira, uma bandeira que nos cabe como um símbolo, como um povo e como uma tribo, se quiserem. As bandeiras são para proclamar o poder, por isso é muito apropriado”, finalizou.

Face à diversidade que um arco-íris representa, essa foi a inspiração para Baker que elegeu oito cores para as oito linhas que pretendia ter na bandeira, dando um significado para cada uma delas. O rosa para o sexo, o vermelho para a vida, o laranja para a cura, o amarelo para a luz solar, o verde para a natureza, o azul turquesa para a magia/arte, o azul índigo para a harmonia e o violeta para o espírito.

São Paulo, 2005 © Getty Images

Foi com a ajuda de 30 voluntários que Baker conseguiu criar, no Centro Comunitário Gay, em São Francisco, a primeira versão da bandeira arco-íris, exibida e erguida pela primeira vez a 25 de junho de 1978, durante a marcha anual de orgulho, em São Francisco, Califórnia. Mas, e há sempre um mas, a versão de oito cores que idealizou teve que ser adaptada, mais tarde, para a versão de seis cores - aquela que vemos nos dias de hoje com o vermelho, o laranja, o amarelo, o verde, o azul e o violeta. Porquê? A produção das oito cores iniciais era bastante cara nos anos 70, nomeadamente o rosa, o turquesa e o azul índigo.

Esta bandeira foi estabelecida como símbolo de orgulho em 1994 e é, desde então, um símbolo para uma comunidade que continua a proclamar pelos seus direitos e pelo fim do preconceito. Um legado que voa por todo o mundo, com mais força em junho, tanto em tempos promissores, como em tempos mais difíceis.

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