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Inspiring Women 8. 3. 2019

Superação, motivação, derrota: 17 atletas portuguesas partilham as suas lições

by Vogue Portugal

 

Os treinos podem ser exigentes, mas a dor é temporária. A vitória sabe bem, mas é das derrotas que se retiram as maiores aprendizagens. No Dia Internacional da Mulher, a Vogue cede a palavra a 17 atletas portuguesas de alta competição que se destacam em várias frentes e partilha os testemunhos inspiradores de quem procura diariamente fazer mais e ser melhor.

 

Marta Pen, Atletismo

O que dizes a ti própria - e a que técnicas recorres - quando precisas de te motivar?
Eu faço duas perguntas: "Porque é que começaste?" e "O que é que isto significa para ti?". E lembro-me que independentemente do desconforto que esteja a passar, vai ser temporário. A dor é um indicador de que o meu corpo se está a adaptar para ficar mais forte. A nossa mente tem um poder muito grande sobre a nossa performance: ver o copo meio cheio em vez de o ver meio vazio, focar-me nas soluções e não enfatizar o problema, é fundamental para se ter sucesso. A meditação ajuda-me bastante a ver as situações com mais clareza e a ter um maior controlo emocional. Durante situações de stress, como as competições, conseguir ter um maior controlo emocional acaba por ter um papel determinante.

 

Tamila Holub, Natação

Que estratégias usas para ires mais além, para te superares diariamente e seres melhor naquilo que fazes?

Em primeiro lugar: pensamento positivo, SEMPRE. É muito complicado aplicar esta tática às 5h30 da manhã, mas torna a tua vida muito mais agradável, além de que também facilita o trabalho do treinador e motiva os teus colegas de equipa. Em segundo lugar: vontade de ser melhor, vontade de vencer. A minha evolução como atleta deve-se muito ao facto de eu só ter tido rapazes como colegas de treino, e o que pode ser mais motivador do que ganhar ao "género mais forte"? Por isso é muito importante competir nos treinos.

 

Inês Henriques, Marcha

Como lidas com a derrota? E como a superas?
Para superar uma derrota temos de ser verdadeiros connosco e nunca atribuir a culpa aos outros! Eu tenho alguma dificuldade em lidar com as derrotas, porque sou muito crítica comigo e tenho dificuldade em perdoar-me. Tenho mesmo momentos em que vou completamente ‘a baixo’, mas tenho uma família e equipa fantásticas que me apoiam e me ajudam a superar esses momentos para eu voltar ao trabalho! Tenho como lema de vida 'O que não me mata torna-me mais forte!' Depois de estar mais recomposta da derrota, procuro retirar ensinamentos dela e melhorar e trabalhar os aspetos que desencadearam a derrota. Seguir em frente! Ficar mais FORTE!

 

Melanie Santos, Triatlo

O que é que dizes a ti própria — e a que técnicas recorres — quando precisas de te motivar?
Lembro-me sempre do que já conquistei e penso no que ainda quero conquistar. Também recorro muito à meditação para libertar o stress e a pressão do nosso dia-a-dia/competições. Ajuda-me muito a focar, em mim e nos meus objetivos. Falo muito com o meu treinador e fazemos muitos planos durante a época. Criamos sempre um plano B, caso as coisas corram mal, e isso facilita a manter-me motivada durante o ano inteiro.

 

Laura Sales, Ginástica


Que estratégias usas para ires mais além, para te superares diariamente e seres melhor naquilo que fazes?
Qualquer atleta de alta competição passa por momentos menos bons na sua carreira desportiva, é praticamente impossível estar sempre na melhor forma, tanto física como psicológica. Mas foi graças a esses momentos menos bons que aprendi e criei defesas e estratégias para me superar diariamente. Para mim, o apoio dos meus treinadores, pais, amigos e da minha psicóloga é fundamental para combater as fases mais difíceis. Contudo, tem de partir de mim querer ultrapassar os meus próprios limites. Ter o sonho de chegar mais além e estar focada nos meus objetivos é a melhor forma quebrar barreiras dia após dia.

 

Joana Ramos, Judo

O que dizes a ti própria - e a que técnicas recorrer - quando precisas de te motivar?
Sempre que necessito de motivação tento lembrar-me de situações que me trouxeram satisfação ou alegria. Muitas vezes leio o meu "diário competitivo", o caderno onde relato os episódios mais marcantes da minha carreira. Relembro o que senti antes e depois de um "ouro", ou releio o episódio em que fui competir limitada com uma lesão e acabei por fazer um grande resultado, por exemplo, ou aquele outro, em que quase desisti antes do tempo. Também resulta criar imagens ou pensamentos positivos que me inspirem a continuar a lutar. Penso muitas vezes na minha família, nos amigos e colegas que também se sacrificam para me ajudar. Penso na equipa fantástica que tenho a trabalhar comigo. Quero dar-lhes alegrias e honrá-los a todos com as minhas conquistas, que são nossas. Quando parece que nada resulta, digo a mim mesma ‘Não há lugar nenhum no mundo onde gostarias mais de estar (do que num tapete de judo)’.

 

Fifó, Futsal

Como é que lidas com a derrota? E como a superas?
Sou uma jogadora muito competitiva, não gosto de perder e não lido bem com a derrota. Para a superar, tenho de mudar um bocado o chip, sair de cabeça levantada. Tenho de sentir que dei tudo o que conseguia dar, e tenho de pensar que para a próxima vai correr melhor, pensar que já passou e que virão muitos mais desafios para vencer, pensar no que se fez de menos bem para que não se repita, e assim conseguir melhorar sempre. 


 

Joana Cunha, Taekwondo

O que é que dizes a ti própria — a que técnicas recorres — quando precisas de te motivar?

Costumo ouvir músicas que me permitem entrar em "modo competição". Tento visualizar-me a impôr a estratégia que defino para o combate com os meus treinadores e a ser bem sucedida na sua execução, a pontuar e a defender/anular os possíveis ataques e contra-ataques da minha adversária.

 

Bárbara Gomes, Voleibol

Que estratégias usas para ires mais além, para te superares diariamente e seres melhor naquilo que fazes?
Para mim, a base de toda a evolução é a humildade. É saber reconhecer as minhas limitações e querer trabalhar todos os dias para as ultrapassar, sempre com a consciência de que a perfeição é uma utopia, mas que só se ultrapassam limites se a mesma for um objetivo. Também é importante saber lidar com o fracasso. O desporto não é fácil, está cheio de altos e baixos. Para conseguirmos chegar ao topo é preciso fracassar e voltar a tentar.

 

Susana Costa, Triplo Salto

O que é que dizes a ti própria — a que técnicas recorres — quando precisas de te motivar?

Passo a maioria do tempo a pensar em palavras de auto motivação e superação — por exemplo 'acredita', 'vamos, vai dar, claro que dá'. É uma forma de manter a concentração e o foco. Ao mesmo tempo vou retendo na mente, de forma positiva, aquilo que tenho que fazer, ou seja, vou acreditando que é possível atingir o objetivo mesmo quando o desafio é difícil. 



 

Irina Rodrigues, Lançamento do Disco

Com lidas com a derrota? E como a superas?
Todas as pessoas gostam de ganhar, mas a derrota é muito importante. Num primeiro momento só pensamos em desistir, mas a verdade é que a derrota acaba por ser uma grande lição e ajuda-nos a crescer. Prepara-nos, testa-nos e permite que deixemos cada vez menos coisas ao acaso num momento competitivo.

 

Joana Vasconcelos, Canoagem

Que estratégias usas para ires mais além, para te superares diariamente e seres melhor naquilo que fazes?
Penso em coisas boas e em competições boas que já fiz — o que só se consegue com treino, muito treino, e foco. Por vezes sinto-me mais cansada, o que é normal dada a carga de treinos, e aí, mesmo cansada, tento sempre passar por cima e ser melhor a cada dia que passa, com esforço, trabalho e dedicação.

 

Telma Monteiro, Judo

O que dizes a ti própria - e a que técnicas recorres - quando precisas de te motivar?
A minha motivação vem da vontade de querer ser melhor e de não gostar de perder. Normalmente para me manter motivada tento não pensar no que já conquistei ou naquilo que em que não fui tão bem sucedida, e sim no que está por vir e no que ainda posso vencer. Tento sempre ver as dificuldades como desafios. Mantenho, para mim, que sou capaz de tudo a que me propuser, e que estarei sempre preparada para lidar com o que vier.

 

Catarina Monteiro, Natação

Como é que lidas com a derrota? O que fazes para a superar?

É muito importante saber lidar com a vitória e com a derrota. Na verdade, não sei qual delas é mais difícil de gerir. Aprendi a lidar com a derrota ao longo dos anos. A natação tem a particularidade de todas as centésimas de segundo contarem, e por isso, por uma centésima ganhamos, e por uma perdemos. Mas faz tudo parte do processo. O desporto é como a vida: quando se falha, o passo seguinte tem de servir para refletir sobre o que correu menos bem e aprender com isso, para que no futuro seja possível fazer diferente e melhor. Eu vejo a derrota como um momento de aprendizagem, e muitas vezes é nas derrotas que encontramos o segredo para as vitórias!

 

Patrícia Mamona, Triplo Salto

O que dizes a ti própria - e a que técnicas recorrer - quando precisas de te motivar?
É muito fácil ficar aconchegado em zonas de conforto, mas por vezes basta apenas sairmos dessas zonas para perceber que há mais e melhor fora disso. Outra técnica que gosto de usar é procurar pessoas que já atingiram aquilo que eu pretendo atingir, estudar o que essas pessoas fizeram para chegar ao patamar em que estão. Eu sou tão humana como elas, por isso se elas conseguem porque que é que eu não irei conseguir? Ver o sucesso de outras pessoas e ouvir as suas histórias motiva-me muito para continuar a fazer o meu trabalho.


 

Maria João Bettencourt, Basquetebol

Como é que lidas com a derrota? O que fazes para a superar?

Penso e acredito que ninguém gosta de perder, mas pessoalmente as derrotas custam-me muito porque sou bastante competitiva, não só no basquetebol mas em tudo nada vida. Há dias em que choro, sobretudo de raiva, porque quando sonhas, quando queres muito ganhar algo e quando o resultado não é justo, a mim dói-me. Até nos treinos metem-se comigo porque me chateio quando perco. O basquetebol é um desporto incrível mas muitas vezes é injusto, por isso quando perdemos, custa-me, sobretudo nas primeiras horas. Depois de perder às vezes vou para casa e vejo o jogo outra vez, respiro, interiorizo o que tem que ser, mas depois tento desconectar, tento sempre fazer algo que não esteja ligado ao basquetebol porque me ajuda muito sobretudo mentalmente! Por outro lado sei que no próximo treino tenho outra oportunidade de voltar a tentar, de corrigir erros, e que no fim de semana há outro jogo e não podes perder demasiado tempo a pensar no que passou. Sempre me disseram que tu ganhas ou aprendes, nunca perdes!

 

Jéssica Silva, Futebol

O que dizes a ti própria - e a que técnicas recorrer - quando precisas de te motivar?
O que digo a mim própria? Que sou uma sortuda. Não há motivação maior do que fazer aquilo que se ama. Apaixonei-me cedo pelo futebol e tenho a felicidade de o viver todos os dias. O sentimento de pertencer a uma equipa, de jogar, de concretizar uma estratégia coletiva, correr, aprender skills novos, fazer golos, dar a marcar, tudo isso me diverte e motiva muito.

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