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Annie Leibovitz na Fundação MOP

25 Mar 2026
By Vogue Portugal

A Fundação MOP, na Corunha, apresenta “Wonderland”, uma retrospetiva dedicada a Annie Leibovitz. A exposição propõe um mergulho no universo criativo da fotógrafa, onde a realidade e a fantasia coexistem, reafirmando a união entre a Arte e a Moda.

Intencional, precisa e intemporal. Annie Leibovitz é um dos pilares da fotografia de Moda internacional. A fotógrafa junta-se ao elenco irrepreensível de autores que moldaram o imaginário visual da indústria, como David Bailey, Irving Penn, Helmut Newton, Steven Meisel e Peter Lindbergh. Agora, a sua obra chega à Fundação MOP, através de Wonderland. Junto à marina da Corunha, o projeto iniciado por Marta Ortega Perez traz uma retrospetiva extensa sobre a visão singular de Leibovitz e expõe o seu trabalho num contexto artístico. Segundo Leticia Castromil, gerente da fundação, o ethos da MOP passa precisamente por sublinhar e reivindicar a relação entre a Moda e a Arte no reino da fotografia.

A exposição abre com um mural de fotografias dos bastidores da Tour of the Americas '75 dos The Rolling Stones. Este projeto, profundamente influenciado pela admiração de Leibovitz pelo fotojornalismo, marcou o início da sua longa carreira, mesmo quando a fotógrafa ainda não sabia como fotografar a cores. O seu desenvolvimento artístico passou por estudar pintura e explorar fotografia durante a noite — combinação que se revelou imperativa no desenvolvimento da sua estética. Captar intimidade tornou-se uma obsessão que Leibovitz confessa ter salvo a sua vida.

Ao longo da exposição, é percetível o balanço que o projeto faz entre o fascínio da fotógrafa pela realidade e a fuga total, submergindo-se em fantasias que dão nome à exposição. Leibovitz reconhece também a importância da colaboração com stylists na construção das suas imagens: entre essas parcerias, destaca-se a com Grace Coddington, que foi essencial em produções inspiradas em Alice no País das Maravilhas ou O Feiticeiro de Oz, que são hoje consideradas referências incontornáveis. As composições destas obras revelam também a sua profunda ligação à pintura. Este é um fascínio que perdura, já que a fotógrafa revelou que continua a aprender a partir do processo criativo de outros artistas, como David Hockney. 

A exposição retrata mulheres com confiança, como Penelope Cruz, Rihanna ou Diane Keaton, que inspiraram Leibovitz pela sua beleza interior e essência. A mostra retrata também personalidades como Melania Trump, Caitlyn Jenner, Elon Musk ou Kim Kardashian — que ainda que polarizadoras, emergem com conotações que enriquecem a obra da fotógrafa com uma dimensão de comentário social. Esta versatilidade torna a visita à retrospetiva um momento dinâmico, sem nunca diluir o cunho autoral da artista. Cada imagem reforça o argumento que atravessa toda a exposição: que a criatividade transcende convenções.

Leibovitz sublinha a importância de levar a cultura para lá dos grandes centros urbanos. Após uma carreira duradoura, mantém uma convicção simples: “everyone is interesting” (todos são interessantes). A sua procura por beleza intemporal continua viva, como demonstram retratos como o Whoopi Goldberg (imersa em lente), Patti Smith (rodeada de chamas) ou Demi Moore (grávida). 

Wonderland está patente na Fundação MOP até dia 1 de Maio e tem entrada gratuita. Mais informações aqui.

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