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Pessoas 23. 6. 2020

Project: Vogue Union | Ana Duarte, do Judo à Moda

by Mathilde Misciagna

 

Diretora criativa e fundadora da Duarte, uma marca de luxury sportswear, e ilustradora com cinco livros publicados, a jovem Ana Duarte é orgulhosamente made in Portugal.

Ana Duarte

Ana Duarte é "alfacinha de gema” e tem 29 anos. Licenciou-se em Design de Moda pela Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa e deu cartas em Inglaterra, onde concluiu com distinção o mestrado em Menswear Design and Technology pela London College of Fashion, em 2015. Além de assinar as criações de Duarte, é também ilustradora e conta com cinco livros publicados.

Ao longo da sua carreira, foi selecionada pelo British Council para expor no International Fashion Showcase durante a London Fashion Week, em 2013, e integrou as exposições: 22 Anos de Design da Faculdade de Arquitetura no MUDE, em 2014; LCF MA15 na Victoria House, Londres 2015, e a exposição 2 em 1: Jovens e Criadores no Museu Nacional do Traje, em 2017.

Faz questão de salientar que as suas peças são feitas em Portugal e são o mais sustentáveis possíveis - ao abrigo de um know-how que não se encontra em muitas partes do mundo – sendo o conceito da marca redefinir o chamado luxo desportivo. Praticou Judo durante muitos anos, pelo que a sua estética se carateriza pela orientação para o desporto, pela consciencialização em relação ao corpo e ao movimento. Isto significa que desenha peças únicas, ergonómicas, confortáveis e de excelente qualidade e manufatura. “Somos nós que escolhemos os materiais, muitos deles excedentes de produção de fábricas e somos nós que fazemos os prints de raiz, inspirados no tema de cada coleção (muita gente pensa que compramos já feitos). A nível de modelagem é tudo desenvolvido por mim no nosso atelier, e todos os protótipos e provas, bem como cortar os tecidos para enviar para costureiras externas, também é tudo feito in house. Temos a sustentabilidade sempre presente, tanto a nível social e económico como ambiental,” explica a designer Ana Duarte sobre a execução das suas peças.

"Temos a sustentabilidade sempre presente, tanto a nível social e económico como ambiental."

As coleções comportam peças adaptáveis a todas as estações, em linha com um cliente contemporâneo e com um lifestyle viajado. E por falar em viagens, Duarte apresentou a atual coleção, disponível em loja (Atacama), na edição de outubro de 2019 da ModaLisboa. Na passerelle pisaram tons creme e pasteis, incorporados em materiais de origem natural, como o linho, o algodão e a seda. Inspirada numa aventura pelas paisagens áridas e pictóricas do deserto de Atacama, no Chile. Uma viagem aos Himalaias é também o ponto de partida para a coleção Third Pole, que chama a atenção do público para o problema da extinção de espécies e alterações climáticas naquele que é o terceiro polo de água doce do mundo: “Fizemos uma colaboração com o street artist Edis One, conhecido pelo seu projeto Extinction, em que ele desenhou cinco animais em vias de extinção nessa zona do globo e a partir daí criei um print em que conjugava os cinco com as cores da montanha e das florestas subtropicais que existem na sua base.”

A pandemia exigiu adaptação através de novos formatos e deixou tempo para a criação de novidades. “A nossa área tem os seus desafios, como tantas outras áreas. Nunca pensei em desistir. Quando as coisas não correm como planeado ou como esperávamos, costumo refletir sobre como contornar a situação e seguir em frente,” explica Ana à Vogue. E seguiu em frente, porque assim que a DGS decretou que se deviam usar máscaras sociais, começou a desenvolver um molde e a produzir várias com os estampados das coleções.

"Cada vez mais trabalhamos para um futuro unido, porque juntos somos mais fortes.”

Ana preocupa-se com os detalhes, porque são eles que permitem aos clientes sentir-se donos do mundo com as suas peças vestidas. O sentimento no final de cada desfile é de alívio e realização indiscritíveis. “Penso que o mais gratificante é ver pessoas na rua a usar peças da Duarte. Sentir que os nossos clientes se relacionam com o que criamos e acreditam na nossa visão é a maior recompensa de todas.” Posto isto, se pudesse voltar atrás e refazer alguma coleção faria tudo igual. “Cada coleção representa um mindset e uma altura específica tanto a nível pessoal como profissional e da marca; cada uma é reflexo das parcerias e momentum em que nos encontrávamos na altura. Apesar disto, acredito que há sempre espaço para evoluir,” acrescenta a designer.

A união na indústria é possível, segundo Ana Duarte: “É preciso continuar a mudar a forma de pensar, tanto a nível de fornecimento de materiais, como de interajuda entre empresas e marcas. Penso que cada vez mais trabalhamos para um futuro unido, porque juntos somos mais fortes.” E a Vogue assina por baixo.

Todas as peças estão disponíveis na loja online ou por marcação no atelier da marca. Para além disso, Duarte está à venda na The Feeting Room (Lisboa e Porto) e online em Minty Square.

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