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Alexa Chung: a estreia na London Fashion week

Alexa Chung © Jamie Stoker

Entrevistas 15. 9. 2018

by Aimee Farrell

 

Com uma coleção inspirada no lounge das partidas de um aeroporto, a primeira apresentação de Alexa Chung na semana de Moda de Londres está pronta para levantar voo. Horas antes do desfile, a Vogue sentou-se com a it-girl-tornada-designer para falar das suas musas do dia-a-dia e dos destinos que a inspiram - de Ibiza a Skegness.

Dentro da elegante sede de Alexachung, em Dalston, sente-se uma serenidade quase perturbadora - a bonança antes da tempestade. Encontramo-nos numa sala com os objetos e artefactos que Chung tem colecionado ao longo das suas aventuras em torno do globo. Há bonitas lanternas japonesas, polaroids divertidas de saídas à noite, em Manhattan (onde se sediou ao longo de 7 anos), e cópias do livro de poesia da sua amiga Florence Welch ao lado dos tons terras que a artista Illy Jankovich imaginou para a mais recente linha de Alexa inspirada no gupo Bloomsbury, "Virginia". Seja pela paleta de tonalidades naturais, rosa velho ou verde-cinza nas paredes, seja pela fluidez da mobília dos anos 50, é um espaço com um toque elegante e acolhedor que reflete na perfeição a mais recente - e, convenhamos, mais crescida - Alexa Chung enquanto diretora criativa da marca homónima.

Enquanto caminha confiante pelo escritório adentro, cumprimentando alegremente a jovem equipa, nunca se adinvinharia que o ícone de 34 anos estaria prestes a embarcar naquele que é o momento chave na vida da sua emergente marca. Em menos de 72 horas, Alexachung estreia-se na passerelle da semana de Moda de Londres com um desfile que é uma espécie de meditação sobre o allure nostálgico das viagens e dos aeroportos. Apesar da sua aparência delicada, a significância - e stress - da ocasião não passaram ao lado de Chung que, diz, esteve acordada até de madrugada a responder ansiosamente a e-mails. Jamais o imaginaria. A sua pele luminosa de uma recente viagem à Sicília completava a simplicidade da t-shirt branca com as suas iniciais bordadas e cropped jeans, tudo rematado com uma sombra prateada e um anel yin/yang.

Até agora, a sua marca, fundada em 2017, seguiu o modelo see-now-buy-now. É significativo que, num momento de fluxo para a industria, esteja a fazer a mudança para um desfile tradicional no calendário da Fashion Week, pontuado por chegadas regulares de peças instantaneamente acessíveis em linhas cápsula. Chung parece confiar que é este o modelo híbrido ideal para a confusão de calendário das semanas de moda.

"Este desfile sempre esteve muito nítido na minha mente.", conta, referindo-se à forma como tudo se completou. "Queria que fosse um aeroporto de fantasia onde diferentes personagens apareceriam." É óbvio que Chung se divertiu a imaginar esta procissão nomádica de looks vindos de todo o tipo de locais possíveis e imaginários. Há fatos de safari e calças com prints havaianos, bem como vestidos cintilantes, dignos de Ibiza, e casacos puffer. Mas nem tudo toca o exótico e o longínquo. Há ainda longos sobretudos com capuz para climas menos solarengos e um print de postais num par de calças de pijama em seda que mostram os cenários de Clacton, Brighton e Skegness em imagens de beira-mar. Numa palavra: estes looks nascem da realidade.

© Jamie Stoker

Chung pegou no seu tema e levou-o à letra. Quando reparou num print de um coelhinho num guardanapo numa viagem recente a Tóquio, tornou-o na base do branding da sua agência de viagens fictícia, AC Worldwide Travel. Este motivo animal é recorrente enquanto logo - e estampado - em tudo desde calças e chapéus a t-shirts e fatos de treino com uma patina subtil vintage. Embora com uma predileção flexível pela paleta de azuis gelados, creme, branco, deixou que os padrões tivessem carta verde para irromper pelo têxtil e acessórios. "Quando usávamos um print, tinha de ser mesmo fora da caixa", diz, estalando os dedos para sublinhar o ponto de vista. Ainda assim, é uma coleção altamente vendável. Há vestidos-camiseiros e camurças, saias-lápis que Chung vê como êxitos: "Senti-me estranha a admiti-lo até que percebi que é esse o objetivo", sorri, experimentando um blazer creme que fica impecável - sem esforço - no seu look.

Muitos dos acessórios em destaque aqui começaram como desenhos ingénuos no caderno de rabiscos de Alexa. Mostra-me ilustrações embrionárias das suas sandálias em verde-água com cunha em cortiça, os slippers em crochet metálico e as botas Eduardianas com renda que estão prontissimos para o desfile, num canto da sala. Numa estratégia inteligente, vai poder pré-encomendar os sapatos em plástico (em colaboração com Juju), e comprar a linha cápsula de deliciosos lenços, imediatamente depois do desfile. 

Nesta altura em que o athleisure wear está a ganhar terreno, é raro, admite Chung, ver alguém a arrasar com estilo nos aeroportos. Estas peças, pelo contrário, bebem da era no final dos anos 70, em que nomes como Mick Jagger e The Beatles atravessavam aeroportos em bombazina e veludo deixando um aroma a patchouli pela sua passagem. "Eu gosto daquela altura em que tudo ficou mais suave", diz do seu mood board masculino. "Quando todos ja tinham tido as suas trips psicadélicas e se tinham passado e tudo o mais, começou a ficar mais acolhedor."

O título do show - "Chegadas e Partidas" - aponta para um jogo com contornos mais filosóficos, também. Ter um horário oficial na LFW tem estado na lista de Chung desde que a marca começou. "O aeroporto é muitas vezes um local de vulnerabilidade e ansiedade", revela. "Num nível maior e mais metafórico, é sobre dizer adeus ao teu passado e dar as boas-vindas ao teu futuro". Com jeito, pode significar um upgrade de classe. 

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