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What a steal: os roubos de joias mais marcantes da história

13 Jan 2026
By Diana Inácio

Fotografia: Getty Images

Alguns roubos não se medem pelo valor do que foi levado, mas pela ousadia e pelo estilo de quem os executou. Entre glamour, precisão e genialidade, certos assaltos transformam-se em verdadeiras lendas do crime internacional, onde cada detalhe é cuidadosamente coreografado.

Diamantes e jóias são peças encantadas, com herança em cada grama e ambicionados num todo, e, com a maior honestidade, quanto mais exclusivos, mais cresce o apetite pela sua aquisição. Símbolos de amor, fama e riqueza, estas peças estão espalhadas por todo o mundo, disponíveis ao olhar comum em museus espalhados pelas grandes cidades. É desta exclusividade que nasce um perigoso e arrojado jogo de alto risco — o roubo — que alicia jogadores pela recompensa não só monetária, mas também poten- cial reconhecimento do ato, numa adrenalina que ganha ainda mais dimensão quando viralizada em manchetes. O crime não compensa, sublinhe-se, mas alimenta muitas páginas — incluindo este artigo.

A começar por aquele que em mais memórias deve permanecer e que tantos memes impulsionou: o assalto ao Louvre deste ano. Parece cena de filme, com um atrevimento que nem parece pertencer ao século da tecnologia de segurança de topo. Foram “3 minutos e 58 segundos o tempo que a dupla de ladrões passou na Galeria Apolo do Louvre, na manhã de 19 de outubro, para roubar nove jóias de valor inestimável”, afirma a televisão francesa BFMTV. O plano era simples. O primeiro passo assentava no dress code com o tema trabalhadores municipais — o colete amarelo refletor contrastava com as restantes vestimentas escuras, mas conjugava-se na perfeição com a entrada planeada, o acessível guindaste das obras municipais.

Numa subida lenta (e que não deu azo a qualquer suspeita dos inúmeros turistas que pela zona andavam), os homens entraram na galeria pela janela de fácil abertura, estilhaçaram as vitrines e saíram com 88 milhões de euros em jóias. Entre as relíquias roubadas, a única recuperada foi a jóia da coroa do saque, que neste caso acabou mesmo por ser a coroa da Imperatriz Eugénia (esposa do imperador Napoleão III). Apesar do esforço e planeamento ao pormenor, uma impressão digital deixada para trás levou à identificação dos perpetradores. Já as jóias, desapareceram sem rasto e, com elas, a esperança de um reaparecimento.

Coroa da Imperatriz Eugénia
Zhang Dengue/VCG via Getty Images

Apesar deste exemplo se incluir na memória recente, há outros assaltos que na história se inscreveram para sempre, seja pela execução, seja pelo desfecho final. Comece-se por Antuérpia — a cidade por onde todos os diamantes passam antes que qualquer um tenha o privilégio de os possuir. Foi precisamente aí, no ano de 2003, no Antwerp Diamond Center, que ocorreu o “roubo do século”, segundo a BBC News. O assalto foi liderado por Leonardo Notarbartolo, o cérebro italiano por detrás do golpe, que contou com quatro especialistas — Speedy, o responsável por espalhar lixo e esconder possíveis provas; o Monstro, o especialista em fechaduras e mecânica; o Génio, o perito em sistemas de alarme; e o Rei das Chaves, um reconhecido falsificador de chaves.

O espaço era composto por dez níveis de segurança, inúmeras fechaduras, sensores de calor e detetores de campos magnéticos que mantinham em segurança mais de 150 cofres de diamantes. Não é ao acaso que foi necessário quatro anos de preparação para que todos estes obstáculos fossem ultrapassados e 109 dos 189 cofres fossem roubados. Sem que nenhum alarme fosse acionado, foram levados 100 milhões de dólares em diamantes, ouro e pedras preciosas, num ato perfeito e sem falhas — pensou o gangue. Apesar de todos os cuidados durante a ação, esqueceram-se que, após a mesma, os cuidados devem ser redobrados — perto do local do crime, foi encontrada uma sanduíche meio comida. O ADN foi extraído e a maioria dos membros do grupo presos, ainda que o saque nunca tivesse sido encontrado. Este roubo bem preparado, ainda que tenha acabado com um desfecho inesperado, ficará para sempre reconhecido pela pura audácia de assaltar um dos cofres mais seguros da Terra.

Em 2007, a Antuérpia voltou a ser notícia pelos piores motivos — o Banco ABN AMRO tornou-se palco de um dos roubos mais peculiares alguma vez registados. O protagonista da história apresentava-se como Carlos Hector Flomenbaum, um homem alegadamente argentino (segundo o passaporte), com cerca de 50 anos, aparência inofensiva, palavras suaves e uma generosidade fora do comum. Frequentava o banco com regularidade, sempre com os bolsos cheios de presentes destinados aos funcionários, gestos que, aos poucos, abriram portas e cimentaram uma confiança quase familiar.

E foi precisamente essa confiança, pacientemente cultivada, que lhe garantiu o acesso direto a um dos cofres de diamantes mais valiosos da instituição. Quando finalmente teve o que precisava, o golpe aconteceu de forma simples e discreta. Sem violência, sem pressa e sem chamar a atenção, 28 milhões de dólares em diamantes desapareceram das prateleiras como se nunca tivesse lá estado. Quanto à fuga, foi tão impecável quanto o roubo. Nem sinal das pedras preciosas, nem vestígios do homem que as levou — que, como se veio a descobrir mais tarde, não era Carlos Hector, mas alguém que utilizava um passaporte roubado para encarar a personagem na perfeição. Um roubo calculado ao detalhe, executado com charme, paciência e subtileza — e que permanece, até hoje, um dos mais lembrados da cidade.

Antuérpia pode até ser o paraíso dos diamantes, mas é em Cannes que as grandes celebridades aparecem repletas de jóias e desejo de adquirir ainda mais. Nesta cidade, inúmeros são já os roubos, mas em destaque fica o de 2013 no Hotel Carlton, esse local tão prestigiado que serviu de cenário para o filme To Catch a Thief de Hitchcock. Considerado o maior assalto realizado por apenas uma pessoa, o homem entrou a ameaçar com uma pistola e saiu em menos de 60 segundos com uma mala repleta de jóias. O assalto foi rápido e eficaz, com uma perda de 72 peças no valor total de 136 milhões de dólares. Helicópteros foram chamados e estradas foram cortadas, mas nada impediu a fuga perfeita do criminoso no calor cintilante da Riviera. O saque permanece desaparecido, e com ele o ladrão que nunca foi identificado, ainda que se suspeite pertencer aos Pink Panther. O mistério, esse, continua a assolar o imaginário do mundo.

Hotel Carlton em Cannes
Getty Images

Entre os roubos mais impressionantes — e certamente mais originais — destaca-se o assalto ocorrido no Aeroporto de Bruxelas, em 2013. Para 120 passageiros do voo com destino a Zurique, aquele parecia apenas mais um dia comum de viagem. “O avião não descolou e os passageiros não perceberam ou ouviram nada”, afirma o porta-voz do caso numa entrevista online. No entanto, para os funcionários responsáveis por carregar a aeronave com 121 encomendas de “diamantes brutos e lapidados procedentes da Antuérpia e que seguiram para Zurique, na Suíça”, o cenário foi bem diferente. Esta operação rotineira transformou-se rapidamente num dos golpes mais audaciosos da última década.

Oito homens fortemente organizados, com o fardamento da polícia e conhecedores da rotina do aeroporto, intercetaram a valiosa carga. Numa questão de minutos — cerca de cinco, mais precisamente — executaram o assalto com precisão militar, sem o recurso a qualquer arma e sem causar ferimentos. A carga roubada, avaliada em aproximadamente 50 milhões de dólares, foi levada sem resistência e, tão rapidamente quanto apareceram, os assaltantes desapareceram sem deixar rasto. A operação foi tão bem planeada que, apesar das investigações internacionais que se seguiram, não surgiram suspeitos concretos nem culpados. As jóias nunca foram recuperadas, à exceção de alguns fragmentos deixados ao longo do percurso da fuga. Este assalto foi “um dos maiores roubos de diamantes da história” e permanece até hoje envolto em mistério, frequentemente citado como um exemplo de audácia, precisão e frieza — um verdadeiro golpe digno de cinema.

Por falar nisso, no universo dos grandes assaltos, poucos são os nomes que ressoam com tanto prestígio como os Pink Panthers. Este grupo internacional de ladrões ganhou notoriedade em 2003, após um roubo icónico em que um diamante de 500 mil libras foi escondido num pote de creme facial, em homenagem a uma cena do filme O Regresso da Pantera Cor-de-Rosa. Entre 2003 e 2009, os Pink Panthers consolidaram uma carreira internacional impressionante, cometendo 120 assaltos em 20 países distintos. Reconhecidos pelo seu requinte, audácia e precisão, os seus roubos foram até caracterizados como Arte por alguns criminologistas, levando à realização de um documentário sobre as suas maiores façanhas — Smash and Grab: The Story of The Pink Panthers.

Audácia e profissionalismo são palavras de ordem. “Não há espaço para o improviso”, afirma William Labruyere, coordenador da equipa da Interpol criada para investigar o grupo, numa entrevista online. O bando domina a arte da caracterização, das fugas cinematográficas — incluindo a condução de um Audi através de uma vitrine — e da execução de golpes sem deixar qualquer vestígio. Um exemplo paradigmático ocorreu em 2008, na loja Harry Winston em Paris, onde membros do grupo, disfarçados de mulheres, roubaram cofres e caixas de segurança em apenas 20 minutos, com um saque total de jóias avaliado em 107 milhões de dólares. Porém, nem todos os planos são perfeitos.

Em 2009, o assalto à Graff Diamonds em Londres demonstrou que até os melhores podem falhar. Solomon Beyene e Craig Underwood executaram um plano teatral impecável, com uma caracterização cinematográfica irreconhecível. Numa única pasta de couro, levaram 43 peças no valor de 40 milhões de euros e fugiram através de uma sequência de trocas de carros que quase garantiu o sucesso absoluto. O deslize veio com um simples telemóvel esquecido num dos veículos, permitindo que análises de DNA os identificassem e capturassem. O saque, porém, desapareceu sem deixar rasto e nunca foi recuperado. Os Pink Panthers permanecem um ícone de sofisticação e audácia no crime internacional — ladrões que transformam o roubo em Arte e cujas histórias continuam a fascinar os estudiosos do crime.

Há histórias que, quando são simplesmente relatadas, parecem perder aquela pitada de entusiasmo e suspense que lhes dá a verdadeira vida. As versões apresentadas nas notícias são, muitas vezes, apenas especulações — narrativas filtradas, reduzidas ao que pode ser revelado ao público, com detalhes tão superficiais que pouco traduzem a complexidade real dos acontecimentos. Foi por isso que alguns dos roubos mais emblemáticos foram transformados em documentários. Um dos exemplos mais fascinantes é o Millennium Dome Heist, um assalto que abalou o mundo na mudança do milénio e que hoje pode ser visto nos pequenos ecrãs com a facilidade de meia dúzia de cliques. A série, dividida em três episódios, alterna relatos dos próprios intervenientes e imagens reais combinadas com recriações meticulosamente produzidas e estúdio, criando uma experiência envolvente e quase cinematográfica.

Tudo começou em Londres, no ano 2000, quando um grupo de ladrões decidiu roubar um dos maiores diamantes alguma vez exibidos, avaliado em cerca de 350milhões de libras. Após quatro meses de preparação, o plano parecia limado e pronto para a ação. O que não esperavam era que a polícia britânica estivesse um passo à sua frente. “Pensei que este grupo, por acaso, provavelmente, merecia ter conseguido.”, pronunciou-se Tim Thorn, o chefe de segurança da De Beers, no documentário. Até ao último segundo, a série revela pormenores tão inesperados que nem os jornais mais sensacionalistas ousariam mencionar. E reforça uma realidade inegável: nem todos os roubos precisam de ser bem-sucedidos para se tornarem lendários — basta serem memoráveis.

Diamante de 203 quilates avaliado em cerca de 350 milhões de libras
De Beers via Getty Images

Entre túneis escavados secretamente sob galerias e roubos executados com a naturalidade de um dia comum, multiplicam-se, ao longo da história, casos que jamais serão esquecidos. Permanecem não apenas pela ousadia dos seus autores, mas também pelo valor inimaginável do que foi levado — ou, por vezes, pelo desfecho inesperado que os transformou em mitos. Cada um destes exemplos revela até onde pode ir a engenhosidade humana, e relembra que, no universo dos grandes roubos, a realidade consegue ser tão ou mais surpreendente que qualquer ficção. Por falar nisso, fica o disclaimer — não tente isto em casa. 

Publicado originalmente em Eternal Shine, o suplemento de jóias da edição Dare To Be Bold da Vogue Portugal, de dezembro 2025, disponível aqui.

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