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Palavra da Vogue 30. 8. 2022

#VogueBookClub: Pessoas Normais, de Sally Rooney

by Joana Rodrigues Stumpo

 

É disto que são feitos os novos clássicos.

Como sabemos se algo veio para ficar ou se é só moda? Ninguém aqui é especialista em tendências literárias, sabemos apenas aquilo que vemos vezes e vezes sem conta repetido na Internet, e Sally Rooney é um nome de que estamos convencidos que é muito mais do que uma coisa passageira. Pessoas Normais foi das primeiras obras da autora a fazer furor. Confesso que fiz de propósito para me afastar deste livro durante uns bons anos - nada que tenha reviews demasiado positivas me convence. O que me fez dar o braço a torcer foi a série protagonizada por Daisy Edgar-Jones e Paul Mescal. O meu feed das redes sociais estava repleto de pequenos excertos e eu estava cansada dos spoilers que lentamente me convenceram de que talvez não fosse tão cliché quanto me parecia.

Não estava totalmente enganada: Pessoas Normais é, na sua essência, um romance não tão diferente de todos os outros. O que, para mim, foi mais difícil de ultrapassar foi a idade das personagens. Já não é a mesma coisa ler histórias acerca de adolescentes e jovens adultos, é difícil levar a sério um casal de 16 ou 17 anos que vive um romance com a maturidade de um adulto. Ainda assim, fora esta minha faceta mesquinha que não me deixa simplesmente apreciar aquilo que é bom, Pessoas Normais é escrito com palavras de mel, aquelas que consumimos com tanta facilidade e nos sabem ao néctar mais doce. Não que a história de Connell e Marianne seja um conto de fadas contemporâneo, mas, mesmo nos momentos maus, Rooney sabe como nos contar todos os detalhes sem nos magoar demais. Sentimos as dores dos protagonistas e deixamo-nos mergulhar neste romance que é perfeitamente imperfeito. Penso que, se tivesse lido Pessoas Normais há uns anos, ter-me-ia, certamente, marcado de forma muito mais intensa. Ainda assim, o impacto que este livro tem não é pouco, porque, apesar das críticas que eu possa apontar, Sally Rooney prova, mais uma vez, que é mestre na arte de storytelling contemporâneo e realista. Quanto à série, a performance dos atores corresponde quase de forma perfeita às personagens delineadas pela autora, se bem que a regra continua a aplicar-se - o livro é sempre melhor do que a adaptação ao ecrã. 

Pontuação:

O Vogue Book Club é uma rubrica semanal. Neste espaço, um membro da equipa da Vogue Portugal propõe-se refletir, ou apenas comentar, um livro - seja uma novidade literária ou um clássico arrebatador. Pode participar nesta discussão através da hashtag #VogueBookClub.

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