Para a leitura deste mês do Vogue Book Club, a escolha foi "O Quarto de Giovanni", de James Baldwin.
O Quarto de Giovanni é o segundo romance de James Baldwin e acabou por afirmar o autor como um dos grandes escritores do século XX. O livro acompanha David, um jovem americano que se muda para Paris de forma a descobrir mais sobre si enquanto a sua noiva decide fazer o mesmo em Espanha. Numa noite num bar clandestino, conhece Giovanni, um barman italiano e incrivelmente sedutor. Rapidamente, os dois iniciam uma relação intensa, confinada ao quarto de Giovanni. Quando David se vê obrigado a tomar uma decisão sobre o rumo da sua vida, desencadeia uma série de acontecimentos que terminam numa tragédia inimaginável.

James Baldwin
Anthony Barboza/Getty Images
Mariana Pimenta, Editora de Moda Lighthouse Publishing
A personagem principal, David, encontra-se numa luta contra a sua identidade sexual e encontra refúgio no quarto de Giovanni, que se torna o seu amante. Este conflito interno constante de David traz um desconforto à história que creio que foi o objetivo de Baldwin, em nome de destacar os problemas sociais relacionados com a homofobia dos anos 50. Baldwin captou esse desconforto de uma forma tão palpável que fiquei cada vez mais impaciente e inquieta com as atitudes da personagem principal. O plot do livro agarrou-me desde início, tanto que me senti como se estivesse também presa no quarto de Giovanni, a assistir à degradação do relacionamento e da narrativa. Adoraria ter aprendido ainda mais sobre o passado de Giovanni, mas o livro convenceu-me a ler todas as outras obras de James Baldwin.
Rita Petrone, Jornalista
Como uma escrita tão descritiva quanto mágica, James Baldwin conseguiu cativar-me desde a primeira página. Este é o meu primeiro livro do autor, mas certamente não será o último. Publicado originalmente em 1956, a história explora temas como a masculinidade e a homossexualidade sob uma lente que os considera tabu. Aqui, Baldwin, um homem negro, optou por incluir apenas personagens brancas, desafiando assim a convenção da altura de que autores negros deviam apenas dedicar-se a contar histórias que incluíssem personagens negras na equação. Ao longo da obra, que acompanha David e o seu processo de descoberta pessoal e sexual, dei por mim a ficar cada vez mais frustrada: considerei as suas escolhas cada vez mais inusitadas e, acima de tudo, egoístas. Ainda assim, é uma obra que me deixou agarrada às páginas para descobrir todas as peças do mistério tecido, e acredito ser um livro crucial para quem tem interesse na natureza humana e no lado mais negro da sociedade tradicional.
Inaya Mussa, Colaboradora
Há muito que queria ler uma obra de James Baldwin, e O Quarto de Giovanni foi a eleita. Ao longo da narrativa, exploram-se as diferentes facetas que o amor e uma relação íntima podem assumir e, aquilo que mais me marcou, a dualidade entre o arrependimento e o desejo, tendo em conta o contexto em que o protagonista se encontra. É uma obra que derruba barreiras e questiona a identidade – sobretudo considerando que foi escrita nos anos 50 –, abordando temas que permanecem, ainda hoje, extremamente relevantes. Aqui, Baldwin constrói um romance intenso e cru, que me conquistou pela sensibilidade da sua escrita.
Leitura do próximo mês

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