Para a leitura deste mês do Vogue Book Club, a escolha foi "Famesick", de Lena Dunham.
Numa viagem literária que percorre uma década da sua vida, Lena Dunham, a mente por detrás da série Girls e do livro Not That Kind of Girl, apresenta Famesick. Este é um memoir que, de forma irreverente e absolutamente frontal, explora os temas que marcaram (e continuam a marcar) a sua identidade, da doença à fama e ao sexo, enquanto a autora se questiona sobre o preço de concretizar os seus sonhos e o ricochete que essas ambições tiveram no seu percurso.
Rita Petrone, Editora Online
Memoirs têm sempre um lugar garantido no meu coração — especialmente quando pertencem a figuras polarizantes ou de grande impacto. Lena Dunham, quer se queira quer não, encaixa firmemente em ambas categorias. Famesick explora o lado negro da fama pela lente de um dos nomes que mais marcaram a década de 2010. Como tende a acontecer com este género literário, li esta obra em formato de audiobook, narrado pela autora, o que acredito ter acrescentado uma camada extra à experiência. Ao longo do livro, Dunham fala-nos da sua ascensão até à vida pública, do sucesso geracional de Girls, das suas vivências privadas (e conturbadas) e do declínio da sua saúde devido à endometriose. Foi uma leitura, acima de tudo, reveladora. Dunham é uma das mais fascinantes storytellers da sua geração — verdadeiramente one of the greats. O seu tom de voz é mordaz, witty e individual; mas também altamente intencional, quiçá manipulador. Os episódios descritos ao longo do livro convidam-nos a desfrutar da sua versão dos factos, ao mesmo tempo que nos deixam com a ideia de que existe toda uma panóplia de perspetivas nas entrelinhas de cada capítulo. É uma manipulação suave, quase íntima, na medida em que se faz anunciar conforme vai apagando o seu rasto. Talvez seja por isso que tenha sido uma leitura tão fascinante, que me agarrou desde o início e não me permitiu largar até à última página. Dunham é uma mestre da sua arte e Famesick é apenas a mais recente prova do seu talento e saber-fazer.
Carolina Nunes, Editora de Moda Online
Lena Dunham relembra-nos o que faz de nós humanos: as relações interpessoais que nos deixam destroçados, os pensamentos intrusivos que nos consomem, e a constante necessidade de lidar com tudo o que se passa à nossa volta. Com uma escrita brilhante e intensamente cativante, a escritora revela uma criatividade em captar momentos e pessoas da forma mais honesta possível. Dunham consegue condensar tanto, demonstrando uma capacidade de ultrapassar profundo desgosto e trauma, de uma forma relacionável, carismática e extraordinariamente engraçada.
Mariana Pimenta, Editora de Moda LightHouse Publishing
Adoro um bom memoir, e Famesick não desiludiu. Ao longo destas páginas, Lena Dunham leva-nos pelos seus anos de maior sucesso, mas também por alguns dos períodos mais traumáticos da sua vida em Hollywood. Desde as suas dolorosas lutas contra a endometriose até às histórias sobre rapazes, passando pela criação e produção de uma série de sucesso, Dunham consegue conduzir-nos pelas suas memórias com uma honestidade e um sentido de humor realmente cativante. Gostei imenso de ler estas memórias e de conhecer melhor Lena Dunham, tanto a pessoa por detrás da figura pública como o percurso que a trouxe até aqui. Algumas das histórias do livro são de tal forma rebuscadas que fico a pensar como é que isto é possível. A história da sessão fotográfica para a Vogue US, com Annie Leibovitz, deixou-me particularmente chocada. É daquelas histórias que parecem demasiado improváveis para serem verdadeiras, mas mesmo assim, estão ali, contadas com uma naturalidade desconcertante. Enquanto escrevia esta review, surgiu a notícia de que Lena Dunham se tinha tornado mãe. Quem acompanhou esta leitura connosco vai perceber por que razão esta notícia é tão reconfortante.
Inaya Mussa, Colaboradora
Famesick é daqueles livros que não se consegue pousar. Bastante popular entre grupos literários online, admito que estava um pouco reticente e com algumas dúvidas sobre como é que um memoir de Lena Duhnam tinha conquistado uma reação tão positiva — não que estivesse particularmente a par da sua vida, tanto pessoal como profissional. Afinal de contas, nem Girls tinha visto. O que rapidamente percebi foi que era eu que desconhecia a escrita viciante e sagaz de Duhnam. Da sua ascensão à fama e à concretização do trabalho com que sempre sonhou (que, simultaneamente, a estava a consumir) às inúmeras complicações de saúde e à forma como estas moldaram as suas relações pessoais, a autora percorre uma década da sua vida, revelando aos leitores os bastidores de uma identidade pública. A forma como escreve é um testemunho à sua mestria relativamente à escrita, alternando com rapidez entre episódios sérios e momentos cómicos que me deixaram incrédula. Escusado será dizer que, depois de terminar o livro, fui diretamente ver a sua série de estreia, Girls.
Carolina Cavaco, Estagiária de Redes Sociais
Soube desde que agarrei no livro que a minha review seria influenciada por ser fã de Lena Dunham, pessoa e obra. Contudo, não esperava que ao ler Famesick sentisse que, mais do que uma biografia, lia o diário de uma amiga que, por acaso, conheceu Nora Ephron e namorou com Jack Antonoff. Dunham transforma experiências como idas à Met Gala, um photoshoot com a Vogue US ou assinar um contrato com a HBO em experiências profundamente humanas e com as quais qualquer um se consegue identificar. Mas não se trata de uma banalização da fama, o lado B está sempre presente: a notoriedade e a visibilidade, e, especialmente, o seu resultado catastrófico num cérebro de uma jovem adulta. Entre as incertezas da maternidade, da saúde e da fertilidade, Dunham leva-nos na jornada de concretização dos seus sonhos, marcada especialmente pelo olhar retrospectivo sobre tudo aquilo de que abdicou para os alcançar. Numa escrita repleta de comparações e metáforas, tal como os guiões que escreve, com namedropping inesperado, Famesick é um retrato vívido e vulnerável daquela que, profeticamente, acredito que seja a voz de uma geração.
Leitura do próximo mês

As Intermitências da Morte, de José Saramago.
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