The Bridal Affair | To be Continued: Love on display

07 Mar 2026
By Beatriz Fradoca

Entre escolhas profundamente pessoais e decisões que rapidamente se tornam assunto público, os casamentos de celebridades vivem num território singular, onde a intimidade raramente existe sem escrutínio. Cada detalhe, do vestido à lista de convidados, ganha uma dimensão que ultrapassa o privado e se transforma numa narrativa coletiva. No âmbito do recente noivado de Vicky Montanari, a Vogue falou com a influencer sobre como se equilibram emoções genuínas com a exposição inevitável.

Criadora de conteúdo e referência de Moda para uma geração que vive entre o digital e o real, Vicky Montanari entra numa nova etapa da sua história. Nesta entrevista à Vogue Portugal, fala-se menos de fórmulas perfeitas e mais de intenção, identidade e da forma como se constrói um dia que ficará para sempre na memória.

O pedido de casamento apanhou-a num momento previsível da sua vida ou foi totalmente inesperado?

O pedido apanhou-me de forma completamente inesperada. Estamos juntos há mais de sete anos, mas a nossa vida anda tão preenchida com tantas viagens, projetos e planos que nunca senti que isso estivesse próximo. Talvez por isso tenha sido ainda mais especial. Foi uma alegria imensa, e a emoção e surpresa que senti naquele dia são difíceis de traduzir em palavras.

Sempre teve uma ideia clara do casamento que queria ou esse imaginário foi mudando com o tempo?

Nunca tive uma ideia definida do casamento que queria. Sou muito curiosa e sensível ao que me rodeia e, por ter a sorte de estar em eventos e lugares tão extraordinários, estou constantemente a descobrir novas referências, detalhes e novas possibilidades. Isso faz com que o meu imaginário esteja em constante evolução, inclusive agora, tornando o processo simultaneamente mais interessante e mais desafiante.

Que tipo de noiva se está a descobrir durante este processo — mais intuitiva ou mais controladora do que esperava?

Por enquanto, não sou controladora; sou uma noiva muito intuitiva. Tenho uma wedding planner em quem confio, e isso tem-me permitido viver este processo com mais tranquilidade e leveza. Ao mesmo tempo, os preparativos mais palpáveis começam no próximo mês; por isso, talvez essa serenidade seja apenas ilusória, antes de tudo ganhar uma nova energia.

Até que ponto a sua identidade pessoal e criativa influencia as decisões que está a tomar para este dia?

Influencia totalmente. Tenho uma noção muito clara do que não me representa e quero trazer elementos que fazem parte da minha identidade e das culturas que me moldam, de forma natural e pessoal. Ao mesmo tempo, o casamento é a dois e muito também vem do Miguel; temos sorte de nos encontrarmos com facilidade dentro dos nossos gostos.

O vestido é, para muitas mulheres, o centro de tudo. Para si, foi um ponto de partida ou algo que preferiu deixar amadurecer com o tempo?

Ainda não tenho o vestido. Talvez por a Moda ser uma parte tão central da minha vida, sinto que é precisamente o tema que mais tem levado tempo a ser decidido. Ao mesmo tempo, sei que tudo se vai alinhar e que o vestido certo vai chegar até mim.

Há referências estéticas, culturais ou emocionais que estejam a servir de fio condutor para o casamento?

Obviamente. No fundo, é tudo sobre isso, a ligação emocional a Portugal e à cidade onde vamos casar. Entre os dois, reunimos quatro países de origem, e isso estará presente de forma muito natural em todos os momentos. Existe uma intenção muito consciente de refletir quem somos, não só individualmente, mas também enquanto casal. Esteticamente falando, ambos somos librianos, temos uma sensibilidade muito forte para a beleza e para o simbolismo, e isso também estará presente nos detalhes, para quem os quiser procurar.

O local escolhido tem um significado especial ou foi uma decisão puramente sensorial?

O local foi escolhido por ser onde mais felizes somos. É um lugar ao qual voltamos vezes sem conta; foi lá que percebemos que queríamos viver juntos e onde passámos a pandemia, só os dois. É um sonho poder atar laços num lugar com o qual temos uma ligação tão profunda.

Num mundo tão exposto como o digital, como decide o que quer partilhar e o que prefere guardar só para si?

É um processo muito intuitivo, assim como tudo na minha vida. Nunca expus muito a minha família e amigos. O Miguel acaba por aparecer, naturalmente, partilhamos a vida e seria impossível existir neste universo sem que ele fizesse parte dele. Ao mesmo tempo, amo poder partilhar com a minha comunidade os momentos que me preenchem. Contudo, não serei uma noiva nada low profile, e todas as celebrações que já organizamos (uma por mês em ocasiões diferentes, fizemos Páscoa, Natal, verão) são um indício disso.

Há tradições que faz questão de manter ou sente-se livre para as reinterpretar à sua maneira?

Não temos famílias tradicionais, e isso dá-nos a liberdade para interpretar tudo à nossa maneira. Tenho um grande respeito pelo significado das tradições, mas também uma vontade de as tornar pessoais, atuais e alinhadas com o que queremos pra nossa vida.

Existe algum detalhe — aparentemente pequeno — que, para si, carrega um enorme valor emocional?

Acho que o detalhe mais importante é estarmos juntos. Quero poder viver a noite ao lado do Miguel, de forma muito presente. Apesar de termos a nossa família e amigos connosco, para mim é essencial conseguirmos partilhar esse tempo de mãos dadas; não é um dia para estarmos separados. Eu sou naturalmente muito dispersa, por isso é algo que quero levar comigo de forma consciente.

O que espera sentir quando o dia finalmente chega?

Tranquilidade, felicidade, emoção e presença: quero conseguir sentir tudo e viver cada segundo. Mas provavelmente o que vou sentir é muita ansiedade e nervosismo, como todos.

De que forma imagina que este momento vai marcar o próximo capítulo da sua vida pessoal?

Não sei se a essência do que já temos mudará muito. Vejo este momento mais como uma celebração do amor que construímos ao longo de tantos anos e do compromisso consciente de querermos continuar a crescer juntos. Existe um simbolismo muito forte nessa escolha, isso sim, o de celebrar a nossa história e afirmar, intencionalmente, a vida que queremos partilhar.

EntrevistaBeatriz Fradoca
VídeoGonçalo Castelo Soares
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