Curiosidades  

To Be Continued | Traduzir alhos por bugalhos

16 Jul 2026
By Rita Petrone

Fotografia: iStock.

Entre regiões e gerações, a língua portuguesa desdobra-se numa diversidade de facetas com identidades (e dinâmicas) peculiares.

De norte a sul do país, sem descurar os arquipélagos, comunicar torna-se um jogo renhido de sílabas e trocadilhos. Para facilitar a tarefa, reunimos um glossário de expressões e ditados populares que tornam o viajar pelo tempo e pelo espaço nacional tão fácil quanto apetecível.

- A cavalo dado não se olha o dente – Significa que não se deve criticar ou desvalorizar aquilo que se recebe de oferta.
- A ocasião faz o ladrão – Relembra que a oportunidade pode levar alguém a cometer um erro ou um ato desonesto.
- Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura – Representa que a persistência e a insistência acabam por vencer até os maiores obstáculos.
- Amigo da onça – Traduz-se numa pessoa falsa amiga: alguém que finge ser leal, mas que age, maioritariamente, por interesse. 
- Arrastar pela rua da amargura – Significa estar na mó de baixo durante um longo período de tempo. 
- Cada macaco no seu galho – Serve como um lembrete de que cada pessoa deve ocupar-se com aquilo que lhe compete ou sabe fazer.
- Cair de costas e quebrar o nariz – Significa ter um azar tão grande que até o improvável acontece.
- Cão que ladra, não morde – Traduz-se em “quem faz muitas ameaças, raramente as concretiza”.
- Chorar a morte da bezerra – Representa o ato de se lamentar em excesso por algo de pouca importância ou sem solução possível.
- De pequenino se torce o pepino – Relembra que a educação, os valores e os bons hábitos se aprendem desde cedo.
- Depois da tempestade vem a bonança – Significa que nenhuma dificuldade dura para sempre e que tempos melhores irão, inevitavelmente, chegar.
- Deus dá nozes a quem não tem dentes – Indica que, muitas vezes, quem recebe uma oportunidade não a pode aproveitar, enquanto que quem a desejava acaba por ficar sem ela.
- Discutir o sexo dos anjos – Perder tempo com debates inúteis ou sem qualquer utilidade prática.
- Em terra de cegos, quem tem um olho é rei – Relembra que alguém, quando rodeado de pessoas que carecem de certos recursos ou conhecimentos, possui uma pequena vantagem ou habilidade extra, acaba por se destacar e assumir uma posição de liderança.
- Engolir sapos – Significa suportar humilhações ou injustiças sem reagir.
- Espalha brasas – Traduz-se numa pessoa que gosta de criar conflitos, alimentar rumores ou causar discussões.
- Está o caldo entornado – Indica que certa situação está complicada e que, dificilmente, será resolvida sem muito esforço.
- Falar pelos cotovelos – Representa falar muito, muitas vezes sem parar ou sem estar a dizer grande coisa.
- Farinha do mesmo saco – Indica pessoas ou situações bastante semelhantes, mas tem uma conotação negativa associada.
- Fazer das tripas coração – Significa encontrar forças e coragem para enfrentar situações difíceis.
- Fazer gato sapato – Indica tratar alguém sem respeito ou aproveitar-se dessa mesma pessoa.
- Fia-te na virgem e não corras – Relembra que não basta confiar na sorte e que é preciso agir.
- Ficar a ver navios – Significa ficar sem aquilo que esperava ou perder uma oportunidade.
- Ficar em águas de bacalhau – Representa que algo não se vai realizar. É o equivalente a dizer que algo "foi por água abaixo".
- Filho de peixe sabe nadar – Relembra que é comum os filhos herdarem os traços ou características dos pais.
- Gato escaldado de água fria tem medo – Indica que quem já teve uma má experiência, acaba por tornar-se mais cauteloso.
- Grão a grão enche a galinha o papo – Relembra que o verdadeiro sucesso faz-se de pequenos esforços e conquistas que se acumulam ao longo do tempo.
- Ir com muita sede ao pote – Significa que mostrar demasiada pressa ou ambição pode ser prejudicial.
- Lágrimas de crocodilo – Traduz-se numa demonstração de tristeza ou arrependimento que não é sincera.
- Mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo – Relembra que as mentiras acabam sempre por ser descobertas, mais cedo ou mais tarde.
- Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar – Significa que é preferível valorizar uma certeza do que arriscar tudo por uma mera possibilidade.
- Mandar às urtigas – Indica desistir de algo ou rejeitá-lo por completo.
- Meter a colher – Traduz-se em intrometer-se num assunto que não lhe diz respeito.
- Meter o Rossio na Betesga – Significa tentar fazer caber demasiado num espaço ou situação que não o permite.
- Morrer da cura – Indica sofrer mais com a solução do que com o problema inicial.
- Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje – Relembra que é melhor tratar das tarefas de forma imediata do que adiá-las.
- O barato sai caro – Escolher a opção mais barata pode acabar por trazer maiores custos.
- O hábito não faz o monge – Significa que a aparência não revela o verdadeiro caráter ou valor de uma pessoa. É o equivalente a “não julgar um livro pela capa”.
- O seguro morreu de velho – Recorda que vale sempre a pena prevenir ao invés de remediar.
- Passar de cavalo a burro – Significa perder importância, estatuto ou qualidade de forma evidente.
- Pulga atrás da orelha – Indica uma desconfiança ou suspeita difícil de ignorar.
- Quem anda à chuva molha-se – Relembra que quem se envolve em determinadas situações deve arcar com as consequências.
- Quem não arrisca, não petisca – Sem correr riscos, dificilmente se conseguem alcançar grandes recompensas. 
- Quem semeia ventos colhe tempestades – Significa que as más ações acabam por trazer consequências negativas.
- Quem vê caras não vê corações – O mesmo que “o hábito não faz o monge”. Significa que a aparência não revela o verdadeiro caráter ou valor de uma pessoa. É o equivalente a “não julgar um livro pela capa”.
- Resvés Campo de Ourique – Traduz-se em conseguir algo por muito pouco ou escapar por um triz.
- Tirar o cavalinho da chuva – Representa deixar de ter esperanças porque algo não vai acontecer.
- Trocar alhos por bugalhos – Significa confundir coisas completamente diferentes.
- Tudo o que vem à rede é peixe – Indica aproveitar qualquer oportunidade, sem ser muito exigente ou seletivo.
- Vai chatear Camões – Forma irónica de mandar alguém embora ou de dizer para parar de incomodar.

Artigo integrado no âmbito da edição The Portuguese Summer Issue, disponível na nossa e-shop.

Rita Petrone By Rita Petrone
All articles

Relacionados


Moda  

O corte e costura do “era uma vez”: a importância do storytelling na Moda

24 Jun 2026

Moda   Compras  

5 marcas portuguesas de swimwear para conhecer neste verão

30 Jun 2026

Moda  

Tudo se veste, tudo se lê: quando a Moda tem (literalmente) algo para dizer

01 Jul 2026

Editorial | Oh... The Portuguese Summer, julho-agosto 2026

15 Jul 2026