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Project Union 25. 6. 2020

Project: Vogue Union | Tânia Nicole, um acaso feliz

by Mathilde Misciagna

 

Tânia Nicole fundou a marca de menswear Nycole em 2017. Desde aí já conquistou o público nacional e internacional com a frescura das suas peças.

Tânia Nicole

Natural de Leiria, foi em Lisboa que Tânia Nicole começou a sua formação em Moda na Escola Profissional Magestil, tendo posteriormente frequentado uma especialização em Produção de Moda na ETIC. Com intenção de ingressar no ensino superior mudou-se para o Porto para frequentar a licenciatura em Design de Moda na ESAD, em Matosinhos, assim como o mestrado em Produto-Moda. Para Tânia a Moda “aconteceu por acaso”, como a própria contou à Time Out Porto em 2018. “Precisava de escolher um curso para acabar o ensino secundário e gostou tanto que mais tarde decidiu não ficar por aí e seguiu para o ensino superior.” Para “desgosto” da mãe e deleite do pai, que ganhou umas peças novas no guarda-roupa. Quando fechou a sua primeira encomenda no primeiro showroom em Paris, o esforço tinha valido a pena.

Durante a sua formação conquistou o prémio de melhor coordenado feminino na 10ª edição do AcrobActic e o 1º lugar no concurso Europeu de Jovens Designers ACTE European Young Designers Competition em Itália. Em 2016 conquistou o prémio Fashionclash no concurso Sangue Novo, promovido pela Modalisboa, que a levou a apresentar a coleção premiada em Maastricht, na Holanda. 

Em 2017 fundou Nycole - uma marca de menswear sediada no Porto e que atualmente apresenta no Portugal Fashion e está presente em feiras internacionais. Contou com duas participações internacionais na semana de Moda de Roma e representou Portugal na Guest Nation da renomada Putti Uomo, em Florença. Inspirada pelos clássicos do universo de alfaiataria masculina e com detalhes desportivos, a frescura das suas propostas para Homem foi desde cedo um sucesso. Silhuetas oversized, desconstruídas e uma estética intemporal para um homem contemporâneo. “A diferença está nos detalhes”, como a própria Tânia sublinha. A peça que considera que define melhor o ADN da marca é um trench coat com o escapulário das costas construído através de atacadores, da coleção outono/inverno 2018. “Trabalha a fusão entre uma peça clássica e bastante comercial com um detalhe criativo e identitário (através da manipulação dos atacadores)”, descreve a designer por e-mail à Vogue. 

"No final de cada desfile tenho sempre a vontade de mudar algumas coisas."

Criando roupa para homem não precisa de estar sempre a pensar se ela própria vestiria ou não e por isso o processo criativo torna-se mais livre. O primeiro passo é a ida às feiras para poder escolher os tecidos que quer usar nas peças. Depois vem o conceito e para isso vai quase sempre buscar inspiração à música para a poder cruzar com outros mundos. “Não voltava atrás para refazer nenhuma coleção, mas no final de cada desfile tenho sempre a vontade de mudar algumas coisas, nunca estou 100% satisfeita com o resultado final,” diz.

Com clientes internacionais, nomeadamente japoneses, desde a estação passada que Tânia pensou em restruturar a marca e direcioná-la aos produtos que mais vende, principalmente t-shirts e sweatshirts. “Tendo em conta o funcionamento do sistema de Moda nos últimos anos e o desperdício de peças que são produzidas apenas para desfile, optei por apresentar coleções mais pequenas, de meia-estação e com parcerias com ilustradores.” Na penúltima coleção, Persona, teve como ponto de partida o álbum de techno/minimal intitulado Persona do DJ Rival Consoles. O álbum personifica a exploração da persona, a diferença entre a forma como nos vemos e como os outros nos veem. Em oposição à perda do contacto físico resultante da era digital, a coleção foi também influenciada pelo universo do futebol, um desporto que simboliza a multiculturalidade, o espírito coletivo e a união entre os adeptos. A última coleção, intitulada Boruca, partiu de uma máscara esculpida por uma tribo indígena comprada durante uma viagem à Costa Rica. A variedade de cores fortes e luminosas presentes na máscara e nos tecidos criados por esta tribo, influenciaram diretamente a paleta cromática da coleção que misturou peças para climas quentes e frios.

"Na Moda temos que começar a valorizar mais os nossos intervenientes.”

Apesar das dificuldades inerentes à indústria, nunca pensou em desistir e se tivesse oportunidade de fazer uma colaboração com um colega designer português seria Maria Gambina. Acredita que a união na indústria é possível, “mas nem sempre fácil”.

A Moda tem um longo caminho de mudança pela frente. Tânia acha que as marcas estão muito centradas na valorização do diretor criativo, na sua imagem e no dinheiro que este possa trazer à marca e não estão propriamente interessadas no seu talento, uma vez que normalmente é a equipa de design por trás dele que cria todas as coleções. “Acho que temos que pensar mais no coletivo e menos em centrar o trabalho de muitos numa só pessoa. Na minha opinião, a entrada do desiginer sozinho no final do desfile está completamente fora de moda. Noutras áreas, como por exemplo no cinema, no final de cada filme aparece sempre a ficha técnica com todos os intervenientes e na Moda temos que começar a valorizar mais os nossos intervenientes.”

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