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Entrevistas 15. 3. 2018

Storytailors: preview outono-inverno 2018

by Sara Andrade

 

A dupla João Branco e Luís Sanchez partilham com a Vogue o que podemos esperar da estação que apresentam este sábado, no Portugal Fashion. E explicam o ADN por detrás do nome.

É que Storytailors é mais do que um nome numa etiqueta. É uma história de vida numa peça de roupa. É a história do duo, é a história da marca, mas também é a história que dela sairá depois de sair da loja. Branco e Sanchez escrevem apenas o primeiro capítulo: os seguintes até ao desfecho é inteiramente da sua responsábilidade.

João Branco, Storytailors

É também nesta ótica que a filosofia da etiqueta é criar itens que possam ser "reinterpretados" por quem os usa: com o corte e construção exímia dos dois alfaiates (tailor não é apenas um sufixo num rótulo), quando adquire um exemplar Storytailors, está na verdade a levar duas ou três peças de roupa (um casaco que é também colete, calças que passam a calções, saias de diferentes comprimentos) e a começar uma espécie de coleção "Lego" que pode aumentar com novas aquisições, juntando-as e trocando-os com as que já tem no guarda-roupa.

Luis Sanchez, Storytailors

Se está à procura de vestidos básicos tipo marca de high street, esqueça - não os vai encontrar. Um dos dogmas da marca é o design e há um trabalho nesse sentido que não escondem. Mas é também por isso que se ruma ao nº 8 da Calçada do Ferragial, em Lisboa: para se apaixonar por uma silhueta especial na loja da marca portuguesa (ou encomendar uma à sua medida no atelier). A ideia é comprar uma vez, e usar para sempre. Porque aqui não se faz Moda sazonal. Criam-se histórias em forma de guarda-roupa.

Abaixo, João e Luís contam-nos tudo em discurso direto - incluindo um enquadramento da coleção que apresentam este sábado, no âmbito do Portugal Fashion. 

O que podemos esperar do outono-inverno 2018 de Storytailors?

O outono-inverno da Storytailors traz-nos uma revolução, uma revolução que começou quando reparámos que víamos muitas vezes números capicua em vários contextos diferentes, um dos quais o 111. Fomos pesquisar a sua simbologia e descobrimos que se relacionavam com mensagens divinas de anjos universais de boa fortuna, resiliência, sucesso... A partir daí, imaginámos uma história de várias histórias, num tempo que ainda não existe, em que as pessoas, ao partilharem a mesma energia, partilham a mesma existência. Ou seja, qualquer um de nós, ao fechar os olhos, poderia abri-los noutro sítio, noutra época, noutro corpo, com outra idade, com outro género e até de outra espécie. Este facto dar-nos-ia uma nova dimensão de compreensão do outro, de partilha, de tolerância e de Amor. Este é o nosso manifesto 111.

Na história desta coleção, contamos os episódios vividos por alguém que, ao abrir os olhos a cada período de tempo que seja um palíndromo com o número 1, desperta numa realidade diferente. As peças, tal como a pessoa descrita na história, têm várias dimensões, são reversíveis e podem desconstruir-se e combinar-se de forma insólita e inesperada. As peças deste viajante ou daydream traveller, deste viajante da realidade, têm um carácter transversal a género. As silhuetas partem de formas oversized e vão-se aproximando do corpo, em peças com detalhes desportivos e pormenores de construção que sugerem o nascer de asas com que o nosso anjo viajante voa.

Quisemos misturar materiais como o neoprene, jaquard, marrocain, malha lamé, ganga, cabedal (vegan) e popelines com acabamentos tecnológicos, com fechos. Isto resulta numa coleção em que a sofisticação e o glamour são vistos numa ótica muito desportiva e em movimento, nas cores preto, branco, vermelho, ouro, prata, cinza e azul índigo. 

Um look/aspeto da nova coleção a que temos que estar atentas?

A libertação que as peças permitem - a tal transformabilidade de que já falámos. As peças podem literalmente virar-se do avesso, abrir-se ao meio e recombinar-se. A suavidade das formas e alguma fluidez contrasta com a linguagem desportiva e com as arestas das “asas".

O que é que um nome como Storytailors significa - tanto em termos simbólicos como em termos práticos?

Significa inspiração no ato de criar vestuário e no ato de vestir. Traduz-se não só no processo criativo usado da nossa parte, e em que participa toda a equipa, mas também nas características formais que incluímos nas peças e que são um convite a quem as usa para continuar o processo criativo. Chamamos a isto storytailoring! Estamos a falar de peças que se transformam noutras através de componentes como fechos, botões, partes amovíveis, zonas manipuláveis. A modelagem das nossas peças é uma fusão entre os princípios orientais e ocidentais. Esta é também uma característica que nos distingue e que potencia esse fator de transformabilidade ou de interpretação.



O que querem trazer/trazem de diferenciador para o mercado?

As nossas histórias! Elas são o nosso scrapbook de ideias, dão a conhecer aspetos da nossa cultura, fundida com aspetos de outras culturas e da sociedade contemporânea. Assumirmos as nossas peças como intemporais e incentivarmos os nossos clientes a usá-las após a estação em que foram criadas é também um fator de distinção. (Apesar desta ser uma postura que cada vez encontra mais ecos noutras outras marcas atualmente). O trabalharmos formas tão próximas do corpo como um espartilho e formas tão afastadas como um kimono.

E o vosso processo criativo?

É muito orgânico e progressivo. Começa num momento de inspiração, continua numa conversa de partilha de ideias, desenvolve-se e amadurece quando fazemos os primeiros protótipos e ao mesmo tempo que nasce a história da coleção. Surgem naturalmente as formas, as cores e as texturas a partir daí. O contacto diário com a nossa equipa e com os nossos clientes também é essencial para este processo.


O que nunca fariam, enquanto marca?

Copiar outras marcas! (risos). Deixar de criar. Deixar de ter prazer em fazer o que fazemos. Prescindir da felicidade no que fazemos.

Um objetivo, enquanto marca?

Desenvolver canais de vendas de forma a que isto permita também o desenvolvimento de mais condições para criar, de mais condições para todos os envolvidos na Storytailors, de mais produto para fazer os nossos clientes mais felizes… Desenvolver uma relação frutífera e sólida com a indústria da confeção.


Como é que se mantém relevantes, num mundo em constante mudança e com tanta oferta, hoje em dia, em todas as áreas?

Mantendo-nos fieis a estes princípios que, de facto, nos distinguem no mercado e, em simultâneo, ouvirmos as necessidades de quem nos rodeia.

A melhor frase para vos descrever?

Para não dizermos só Storytailors vamos dizer Storytailors are happiness hunters. Procuramos ser felizes com que fazemos, fazendo felizes aqueles para quem trabalhamos!

Todas as imagens © Catarina Abrantes

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