Artigo Anterior

Steal her style: três looks de Ariana Grande que queremos canalizar agora

Pessoas 24. 12. 2020

Até sempre, Stella Tennant

by Rui Matos

 

Desfilou nas passerelles de Karl Lagerfeld e tornou-se cúmplice das objetivas de Steven Meisel, Stella Tennant será sempre um símbolo da Moda britânica que viverá para sempre na nossa memória.

Vogue, 1995. Arthur Elgort/Conde Nast via Getty Images 

“É com grande tristeza que anunciamos a morte repentina de Stella no dia 22 de dezembro de 2020”, avança, nesta quarta-feira, 23, a família da supermodelo - o fotógrafo francês David Lasnet e os seus quatro filhos, Marcel, Cecily, Jasmine e Iris. No comunicado, a família pediu privacidade neste momento de luto e acrescentou ainda: “Era uma mulher maravilhosa e uma inspiração para todos nós. Sentiremos muito a sua falta.”

Stella Tennant deu os primeiros passos na indústria por acidente. O ano era 1993 e Tennant, à data com 22 anos, tinha acabado por se formar em escultura Winchester School of Art. “Um amigo meu conhecia Plum Skyes, à época assistente na British Vogue, and Plum estava a trabalhar com Isabella Blow num portefólio,” recordou Stella em dezembro de 2018 à Vogue UK - edição em que protagonizou a capa que celebrava o seu 25º aniversário na indústria. A primeira vez da supermodelo não poderia ter sido com ninguém menos do que Steven Meisel, apesar de Tennant não saber quem era Meisel. “À época não sabia muito bem quem era o Steven.” Uma semana depois a jovem Stella viajou até Paris para fotografar uma campanha da italiana Versace. “Eu apareci e encontrei a Linda Evangelista, Shalom Harlow e Kristen McMenamu no estúdio. Não te consigo descrever o quão intimidante foi. O Steven fotografou-me ali parada enquanto a Linda e a Kristen dançavam à minha volta, estava demasiado nervosa para me mover,” recordou a modelo. Tais fotografias estiveram na mira para uma capa na versão italiana da Vogue. Este foi um momento decisivo na carreira de Tennant que, da noite para o dia, mudou radicalmente. 

Vogue, 2001. Arthur Elgort/Conde Nast via Getty Images.

De novata à estrela da companhia, o rosto de Stella passou a ser um cartão de visita para a indústria da Moda em todo o mundo. Mario Testino, David Sims, Arthur Elgort e Mark Borthwick apaixonaram-se por esta figura e imortalizaram algumas das suas fotografias mais icónicas.

O pixie, a silhueta esguia e altiva, o corpo escultural, a presença hipnotizante e os traços andróginos fizeram de Stella Tennant a belle du jour da década de 90. Tornou-se numa figura essencial nas passerelles das principais capitais da Moda. Seja na Alta-Costura ou no pronto-a-vestir, era um camaleão. Foi figura recorrente nas passerelles de Chanel, Versace e Jean Paul Gaultier, para nomear alguns. Mas foi com Alexander McQueen que se tornou num pilar da Moda, desfilando nos mais icónicos desfiles do designer, incluindo a primavera/verão de 1996, The Hunger, e a primavera/verão 1997, La Poupée. 


Nesta galeria reunimos 20 dos melhores momentos de Stella nas passerelles. © Getty Images.

Em 1998, depois de ter anunciado que estava grávida do primeiro filho, fruto do relacionamento com o fotógrafo David Lasnet, a modelo decidiu retirar-se da indústria. Nesse memo anos, Tennant e Lasnet deram o nó, com a modelo a usar um vestido Helmut Lang numa cerimónia que teve lugar na Escócia, onde Stella nasceu e onde sempre viveu. Mas o regresso não tardou e, pouco depois de ter nascido o terceiro filho do casal, Mario Testino fotografou Stella para uma campanha da Burberry. 

Vogue, 2004. Arthur Elgort/Conde Nast via Getty Images.

O interesse pela escultura nunca desapareceu, muito pelo contrário à margem da Moda, a britânica estabeleceu um estúdio de escultura em sua casa em Berwickshire, onde trabalhou com a irmã Issy, criando a marca de objetos de decoração Tennant & Tennant. Na última década, os interesses expandiram e Stella tornou-se numa defensora ávida por causas ambientais, sendo o rosto de várias campanhas de consciencialização sobre as mudanças climáticas.

Stella Tennant deu corpo aos sonhos que a indústria cria, foi a protagonista perfeita, moldou uma geração. Por isto e muito mais, a Moda estará para sempre grata pelo seu contributo.