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Entrevistas 30. 10. 2018

Soraia Chaves: “Apresento-me como se fosse um enigma”

by Rui Matos

 

É por natureza uma mulher reservada e mulifacetada. Soraia Chaves dá, atualmente, vida à poetisa Natália Correia, em Três Mulheres, e é a nova embaixadora Intimissimi. A combinação perfeita para conversarmos com a atriz portuguesa.

O percurso profissional iniciou-se aos 15 anos, quando em 1997 venceu o Elite Model Look Portugal. Enquanto modelo, viajou, conheceu pessoas e abriu os seus horizontes para realidades que até então lhe eram desconhecidas. “Aprendi muito através desse caminho,” afirma, em entrevista à Vogue Portugal. Deixou as passerelles e abraçou o mundo da representação, vontade com que sempre coexistiu. Estudou e investiu todo o seu tempo e energia nessa construção. E foi em 2005, de Norte a Sul de Portugal, que o seu nome começou a ecoar por terras lusitanas. 

Estreou-se no cinema com O Crime do Padre Amaro (2005), filme de Carlos Coelho da Silva, baseado na obra homónima de Eça de Queirós. Chocou Portugal com a sua nada tímida Amélia. Voltou a fazê-lo com Maria de Call Girl (2007), o filme de António-Pedro Vasconcelos. Por aquela altura, já todos sabiam quem era Soraia Chaves, uma das atrizes a mudar a maneira como se olhava para o cinema português. 

“Não esperava de todo a repercussão que houve a nível mediático,” conta-nos. “Sobretudo com o primeiro projeto, foi uma surpresa brutal para mim. Acho que esses dois filmes revelaram no fundo que talvez a sociedade portuguesa não estava preparada para um filme tão arrojado. O que mostrou um certo conservadorismo por parte do público e talvez tenha sido por isso que foi tão mediático.”

Depois de duas personagens tão fortes, o rótulo de sex symbol foi inevitável. Mantém-se até aos dias de hoje, mas Soraia não o compreende, nem se identifica com ele. Quando lhe perguntámos como é ser considerada uma femme fatale e como é que se gere esse olhar diz ser “uma pergunta engraçada. No dia-a-dia não me vejo como tal, não me comporto como tal. É um personagem que existe para o público, uma imagem criada através do meu trabalho enquanto atriz.”

Apesar de toda esta exposição, Soraia Chaves preserva a sua intimidade. Mesmo nas redes sociais, aquilo que mostra não dá para decifrar nem um terço das várias facetas que diz ter. Partilha as coisas que a fazem feliz no quotidiano, os diversos estados de espírito e o seu gosto por música e literatura. Sente-se mais próxima das pessoas, aquelas que conhece e as que não conhece. Soube abraçar na medida certa esta nova forma de comunicar. “Há um lado poético em mim que é revelado através das redes sociais. Algumas facetas que as pessoas não conheciam e que agora conhecem. Apesar de eu, efetivamente, não apreciar muita exposição. Revelo mas não revelando muito. É como se fosse um enigma. Apresento-me como se fosse um enigma.” 

 
 
 
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Do cinema para a caixinha mágica, Chaves já emprestou o seu corpo a personagens marcantes. Em 2006, embarcou na comédia Aqui Não Há Quem Viva, três anos depois foi Maria Emília Vieira em A Vida Privada de Salazar (2009). Foi Antónia Lobo em Perdidamente Florbela (2012) e, agora em 2018, é Natália Correia em Três Mulheres, a mais recente série portuguesa realizada por Fernando Vendrell que nos conta a história de três personalidades (Natália Correia, Snu Abecassis e Maria Armanda Falcão) que são um exemplo de coragem e compromisso com os tempos futuros. 

“Esta experiência foi muito enriquecedora. Foi uma viagem que me permitiu conhecer uma pessoa fascinante que é a Natália Correia. Foi uma viagem à poesia e a um Portugal muito distante.” Mas são estas viagens que fascinam e agarram Soraia Chaves, que através da representação é convidada a “olhar para o mundo de uma outra perspetiva.” Para a atriz de 36 anos, é difícil escolher um personagem que a tenha marcado, diz-nos que todas aparecem em diferentes fases, contudo a poetisa portuguesa foi a personagem que lhe mudou a forma de estar. Deixou-se contaminar positivamente pela força e coragem de Correia. A convicção de ser mulher por inteiro, sem medo dos julgamentos, o ser-se livre foram três dos aspetos que apadrinhou desta personagem. 

O mote da campanha digital que protagoniza para a Intimissimi é #NoOneCanJudgeMe, que não poderia ir de forma mais certeira ao encontro de Soraia Chaves, que se aliou à marca italiana para transmitir a ideia de que a mulher é livre e deve usufruir da sua feminilidade. “Achei que fazia todo o sentido representar a marca. Eles querem passar a mensagem do não julgamento feminino. Identifico-me com esses valores. Nesta campanha não há a objetificação da mulher. Aqui, a mulher pode usufruir da sua sensualidade sem se transformar num objeto de desejo para o homem. É uma campanha que valoriza muito a mulher.”

Era inevitável perguntar onde é que se pode encontrar a sensualidade de uma mulher e, para Soraia Chaves, é possível encontrá-la na “atitude, no conforto de estar na sua pele e na sensação de se ser livre.” Parece poético, porque na verdade o é. A literatura faz parte do seu quotidiano, é a maneira que tem de matar a curiosidade por ouvir novas vozes e acrescentar conhecimento ao seu arquivo, assim como a música, que é o lado mais espiritual. Ao ser embaixadora Intimissimi, a atriz encontrou o terceiro elemento para um triângulo amoroso onde se consegue movimentar sem qualquer entrave nem julgamento. Ouvimos risos do outro lado da linha telefónica quando lhe fazemos esta observação, recebemos um “sem dúvida”, envergonhado mas assertivo, diz-nos ser “uma excelente visão, que faz todo o sentido. É um ponto de encontro.”

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