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Levar a esperança ao peito

03 Sep 2020
By Rui Matos

É através da sua arte que Rosarinho Cruz conquista aficionados por joalharia. Estas não são meras joias, são verdadeiras obras de arte que nos acompanham em todas as ocasiões.

É através da sua arte que Rosarinho Cruz conquista aficionados por joalharia. Estas não são meras joias, são verdadeiras obras de arte que nos acompanham em todas as ocasiões. 

“A esperança é uma coisa com penas/Que pousa na alma/E canta a melodia sem palavras/E nunca para.” As palavras são de Emily Dickinson e fazem o fit perfeito com aquilo que Rosarinho Cruz faz. A joalheira portuguesa cria verdadeiras peças de arte que carregam muitos significados e a esperança está intrínseca em cada objeto que idealiza. “É no meu atelier, mergulhada no meu mundo, nas histórias que me chegam, nas experiências de vida que desde pequena traçaram o meu caminho, que me perco, que me entrego e onde me sinto ‘em casa’”, começa por nos explicar a designer.

Filho de peixe sabe… exatamente, ser artista. Rosarinho Cruz, é filha do pintor e escultor português António Cruz, e desde muito cedo que revelou um grande interesse pelo métier que o pai exercia. “O sentido de estética, apurado, esse devo-o à vivência com o meu pai que me dotou de sensibilidade, uma ferramenta fundamental à criação, o tesouro que carrego comigo, e que me permite que um pedaço de ouro (ou de papel até) seja uma ferramenta de conto de histórias,” explica. Cruz. “Faço-o com as joias que desenho todos os dias desde há 30 anos e agora, mais recentemente, faço-o com as medalhas, que são o reflexo das aguarelas que desenho. Não ambiciono ser pintora, a pintura é aliás um refúgio, é uma forma de parar, de me encontrar, e de me dar.”

Neste mês de setembro, as plataformas da Vogue em todo o mundo estão a trabalhar o tema da esperança - um repto tão necessário, talvez mesmo essencial, nos dias que correm. Sob esse tema, a designer criou uma medalha que eleva a arte da joalharia nacional a outro nível, porque quando há sentimento naquilo que um artista executa, qualquer peça passa a ser maior do que a vida. 

Medalha HOPE feita à mão em ouro, prata e esmalte, € 120, Rosarinho Cruz para a Vogue Portugal.
Medalha HOPE feita à mão em ouro, prata e esmalte, € 120, Rosarinho Cruz para a Vogue Portugal.

Esperança e Vogue serviram de ponto de partida para esta peça, uma história que merece ser lida na íntegra:

“Uma cliente que chegou até mim num momento menos feliz, pediu-me para que eu fizesse um desenho e uma medalha que representasse a sua família. É um tema que adoro desenhar, perceber as características de cada um, alguma coisa que se destaque, e mesmo que muitas vezes no esmalte (na medalha) os detalhes fiquem esbatidos, eu adoro esses pormenores que muitas vezes só quem usa sabe o que lá se vê!

A cliente que me pediu a aguarela estava com cancro. A medalha era para oferecer à sua mãe, como forma de agradecimento do apoio e força que estaria a demonstrar... Uns meses mais tarde, seis amigas juntam-se e criam um grupo onde me incluem, para oferecer a esta mesma amiga/cliente uma medalha que representasse o fim desta luta (o fim dos tratamentos) e as amigas que nunca a deixaram de apoiar. 

Lá estava eu, abraçada a mais um desafio e à vontade de poder fazer parte da vida das pessoa e ajudar, na forma como sei, a 'escrever' histórias. À minha maneira, escrevo-as como melhor me sei exprimir, a desenhar. E mesmo quando são temas mais pesados, que são aliás os que mais me prendem, não me deito sem acabar o que me propõem, porque é nas noites mais escuras que se vêem as estrelas mais brilhantes!

Desenhei uma menina, com uma peruca de cabelos compridos, morena, com um ramo de flores na mão, seis flores, que representariam as seis amigas. Foi assim que a vi quando a conheci, uma menina, menina sim, de 20 e tal anos, com muita esperança e muita vontade de viver. 

Quando as amigas me enviaram o vídeo onde se vê a amiga a receber a medalha, adorei perceber que aquela menina com aquele cabelo comprido que eu imaginei correspondia em tudo à imagem que idealizei e desenhei.”

Rui Matos By Rui Matos

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