Beleza   Entrevistas  

Quando a beleza e a autenticidade se unem: tudo o que precisa de saber sobre as tendências de maquilhagem

14 Apr 2026
By Rita Petrone

Numa conversa com Sam Visser, global makeup artist de YSL Beauty, viajámos até aos bastidores da criatividade para descobrir as tendências que prometem unir a beleza à essência de cada um de nós – assim como os produtos essenciais a incluir no kit de maquilhagem para os próximos meses.

Na beleza, as regras surgem como meras sugestões. A maquilhagem transforma-se num parque de diversões, onde a criatividade assume o leme de visuais que combinam mestria artística e inovação. Dos lábios aos olhos, sem nunca descurar os contornos singulares de cada rosto, é no mundo encantado da maquilhagem que se tecem looks verdadeiramente inesquecíveis. Foi sob esta perspetiva que, quando Sam Visser assumiu o papel de global makeup artist de YSL Beauty, fê-lo com unhas e dentes e uma identidade estética muito própria. 

A Vogue Portugal falou com o artista sobre o universo pioneiro da maison francesa, a importância da individualidade e da autenticidade no que toca à maquilhagem, e sobre quais as tendências e produtos de beleza que prometem reger os próximos meses.

Agora que faz parte da equipa de YSL Beauty, como é que a sua equipa antecipa as tendências de modo a garantirem o vanguardismo de uma marca que há muito se mantém pioneira no mercado?

Pela minha experiência, sempre que uma tendência surge de um visual no qual participei, noto que é sempre quando nos inspiramos em algo que não está de todo na moda. Quando mergulhamos profundamente no passado ou nos debruçamos sobre ideias mais inusitadas, quase em contraste com o que se passa na cultura pop, é aí que percebo que as coisas realmente funcionam e fazem sucesso. E não é intencional. Simplesmente acontece. É seguir a intuição criativa e criar algo que pareça certo. Acho que quando estamos a tentar forçar uma tendência, não funciona. Só resulta quando estamos a seguir o que nos faz sentir bem e também o que, talvez, seja diferente do que está a acontecer no momento.

Portanto, a inspiração vem de todo o lado.

Sim, de todo o lado. Do cinema, de filmes antigos, de fotografia de Moda, especialmente de fotografia de Moda vintage, de diversos meios de comunicação em print, da música, de todo o tipo de meios. Até na natureza. Adoro passar tempo a ver o pôr do sol e a observar flores. São todas estas coisas que dão origem a ideias sobre a teoria da cor e a harmonias para paletas de cores ou para maquilhagem. A inspiração vem mesmo de todo o lado.

Por falar em tendências, qual é a tendência que adoraria ver voltar e qual é aquela de que já está definitivamente farto?

Tenho tido tanta sorte… Sinto que muitas das tendências de que tenho gostado têm-se concretizado. Isto foi há uns seis anos, mas lembro-me de pensar: “Adoro sobrancelhas finas. Espero que as sobrancelhas finas voltem”. E voltaram. Voltaram mesmo. Mas diria pele com efeito aveludado. Adoro pele matte. Em YSL Beauty, temos pós realmente incríveis, como o All Hours Hyper Blur e o All Hours Hyper Finish Pressed Powder, que são os meus favoritos. Adoro usá-los com um puff

Já uma tendência que gostaria que desaparecesse… Isso é mesmo difícil, porque sinto que todas as tendências, mesmo aquelas de que não gosto, consigo de alguma forma transformá-las em algo que gosto. Acho que, durante algum tempo, fiquei um pouco hesitante em relação à ideia da maquilhagem inspirada em comida, mas pensei: “Ok, podemos interpretar isso à nossa maneira”. Acho que talvez o que eu gostaria de ver desaparecer é aderir completamente a uma tendência. Acho que personalizá-la é a minha abordagem favorita.

Diria que é essa a direção que as tendências de maquilhagem estão a seguir?

Sem dúvida. Individualidade acima de tudo. Acho que agora que todos temos as nossas próprias plataformas sociais, todos temos a capacidade de expressar a nossa própria voz, mostrar a nossa própria estética e mostrar a nossa própria ideia de beleza. Acho mesmo que, no que diz respeito às tendências, às microtendências que estão a surgir, todos temos a oportunidade de, basicamente, dar o nosso próprio toque a essas coisas. E, como artista, também estou muito interessado nisso. Gosto de ver quando as pessoas fazem a maquilhagem parecer ser a sua, ao invés de fazer apenas copy & paste. A maquilhagem é, de certa forma, como a Alta-Costura. É realmente personalizada. E é muito única. 

E o que diria às pessoas que adoram mudar a maquilhagem consoante a estação do ano?

Acho que se pode usar qualquer coisa em qualquer altura do ano (...). Sinto que há certos tropes na área da beleza… Cores pastel na primavera e batons escuros no outono. Eu percebo. Já existem há imenso tempo. (...) Não sou contra isso de todo. Mas acho que, mais uma vez, tudo se resume à individualidade e ao que fica bem em cada um. Se alguém quiser usar um batom escuro e uma base matte no verão, nada o impede. Acho que não há regras, e acho que o que é tão incrível na beleza é que já não é vista como uma receita a seguir. Acho que agora o que importa é usar o que fica bem em nós. (...) Não há nenhuma fórmula. (...) Se uma determinada cor de blush nos fica muito bem, então essa é a cor certa. Acho que é divertido experimentar e testar coisas novas, e que, às vezes, é importante sair da zona de conforto no que diz respeito à beleza. Mas não é, de forma alguma, um motivo para alguém se sentir desconfortável só porque acha que deve usar algo.

Há alguma dica ou fórmula que se pode seguir para encontrar os acabamentos ou tons de base que melhor se adequam a cada um?

Misturar, sem dúvida. Especialmente com bases e corretores. Às vezes, costumo usar duas ou três tonalidades nas pessoas, e isso é um bocado demais. Mas acho que dá para usar apenas duas. A pele de ninguém é toda de uma única cor. É mais raro encontrar alguém com uma única tonalidade na face do que alguém com várias tonalidades. Por isso, quando aplico a base e o corretor, costumo escolher as cores que corrigem a zona abaixo dos olhos. Assim, se esta zona for muito roxa ou muito azul, opto por uma cor com um tom mais pêssego ou um pouco mais quente. A ideia é fazer uma correção de cor subtil. E o mesmo se aplica à pele. 

Costumo olhar para o corpo quando estou a maquilhar o rosto. Não olho para o pescoço. Não olho para a parte de trás do pulso. Essas são as partes mais pálidas do corpo. Olho para os ombros, os braços ou as pernas. É assim que se consegue avaliar a cor. Também não acho que olhar para as veias seja preciso. Acho que o que importa é o que fica realmente bem à luz do sol. Recomendo ir para um local com luz natural, já que é aí que se consegue ver a base de forma mais nítida e precisa. Por isso, talvez seja melhor, quando se experimenta uma base ou um corretor, pedir amostras e ir para um local com luz natural, ou experimentá-los na loja e olhar ao espelho à luz do sol, para que se possa realmente perceber. O tom que parecer completamente invisível a olho nu é a escolha certa.

E quanto aos acabamentos? São uma questão de gosto pessoal?

É uma questão de preferência pessoal, sem dúvida. E também acho que tem a ver com o tipo de pele que se tem. Por isso, diria que, para as peles oleosas, talvez seja melhor optar por algo mais matte, porque, ao longo do dia, vai absorver a oleosidade e a pele acabará por ficar com um brilho natural de qualquer forma. Mas [optar por produtos matte] vai, de certa forma, neutralizar o efeito. 

Gosto muito da base All Hours porque é mais matte – mas na pele oleosa tende a ficar com um aspeto mais brilhante. É uma questão de equilíbrio. Por isso, para peles muito secas, [recomendo] usar algo mais glowy porque é hidratante e acaba por dar um acabamento que não existe naturalmente. Trata-se de complementar. A maquilhagem é, de certa forma, como a skincare. A ideia é tratar o rosto de acordo com as suas necessidades.

Base All Hours, €67,70, YSL Beauty, na Perfumes & Companhia.

Qual é o produto que não falta nunca no seu kit?

Acho que um top 3 é mais justo. Adoro o Touche Éclat, claro. Sei que já existe há imenso tempo, mas há uma razão para ser tão icónico. É impecável. Parece que não se está a usar maquilhagem. Uso-o em mim, uso-o em modelos, uso-o em toda a gente. É incrível e parece que não se está a usar nada. É esse o segredo de como todas os modelos vão aos castings e dizem: “Não estou a usar maquilhagem”, mas, na verdade, estão a usar Touche Éclat. É esse o segredo. 

Eu diria também o Loveshine Plumping Lip Oil Gloss. Está disponível numa variedade tão grande de tons e estou sempre a usá-lo. Costumo usar sempre um lip liner e um gloss. Acho que é algo tão simples, mas que fica tão bonito. É ótimo para o dia a dia, para uma red carpet, para qualquer ocasião. 

E depois o Lash Latex. Incrível. É mesmo outro nível. Quando experimentei [esta máscara] pela primeira vez, depois de estar totalmente pronta, após os testes de laboratório e de tudo o resto, comecei a usá-la e pensei: “Isto é irreal”. (...) Adoro aplicá-la, deixar secar uns 10 minutos e depois aplicar mais, fica com um aspeto artificial. É como se as pestanas ficassem falsas com ela. Porque não forma grumos. O pincel é feito de silicone, por isso molda as pestanas. É incrível.  

Quais são algumas dicas ou truques que daria a alguém que está a começar a maquilhar-se, bem como a alguém que já o faz há anos? O que diria ser uma máxima que toda a gente devia saber?

Sinto que não há apenas uma dica. Quer dizer, o que eu digo a todas as pessoas que se maquilham é: optem simplesmente pelo que vos faz sentir realmente bem, pelo que vos faz sentir realmente bonitas. Sei que isto pode parecer um pouco cliché e simples, mas trata-se mesmo daquilo que nos faz sentir bem. 

Lembro-me que, quando era muito novo, com uns 12 anos, tinha muitos amigos que iam para a escola maquilhados, e era tão engraçado ver o estilo de cada um. (...) E é tão interessante porque a personalidade de cada um transparece. E o mesmo se aplica a quem já se maquilha há imenso tempo: faz o que lhe faz sentir bem. Se quiser usar máscara de pestanas azul todos os dias, nós fazemos uma máscara de pestanas azul fantástica, que existe por uma razão. A ideia é fazer o que nos deixa entusiasmados. No outro dia, minha mãe disse-me: “Eu usava sempre máscara de pestanas azul quando tinha 16 anos. Era a minha coisa preferida de sempre”. E eu perguntei: “Porque é que não a usas agora? Tens mais de 60 anos, mas podes continuar a usar”. Não há limites. Só temos uma vida. Usem a máscara de pestanas azul. 

Por fim, quais são os próximos lançamentos de YSL Beauty pelos quais está mais entusiasmado?

Todas as nossas tonalidades Lovenude que vamos lançar. Há imensos produtos nessa linha. É super entusiasmante. Vai ser um grande sucesso, porque também ainda não tínhamos um lápis de lábios e, por isso, acho que isso vai transformar a nossa linha de certeza. O tipo de looks que podemos criar e as combinações de cores... Estou mesmo entusiasmado para misturar diferentes tons de batom... O Loveshine, o Rouge Pur Couture e os Inks, todas essas opções são incríveis, mas quando se tem um lápis para os lábios, faz uma enorme diferença. E, para mim, isso é uma parte enorme da minha estética de maquilhagem. E acho que a fórmula vai mesmo agradar às pessoas porque dura muito tempo. Não é por acaso que se chama Kiss Shaper. Estou muito entusiasmado com este lançamento. Temos imensas novidades a caminho mas sinto que o Love Nude vai ser um momento marcante. 

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