Artigo Anterior

O novo capítulo da Alta-Costura de Jean Paul Gaultier

Próximo Artigo

Maria Miguel, a modelo portuguesa na edição de abril da Vogue US

Notícias 12. 3. 2020

Conheça Peter Do, designer por trás de algumas escolhas de Zendaya e um dos candidatos ao prémio LVMH

by Julia Hobbs

 

 O plano de Peter Do para estabelecer um atelier da velha guarda de Nova York e ressuscitar o garment district da cidade valeu-lhe um lugar nos finalistas nomeados para o prémio mais cobiçado da Moda. A Vogue foi conhecer o designer de Brooklyn, que aperfeiçoou o seu talento sob a alçada de Phoebe Philo.

Em 2017, Peter Do - o designer vietnamita cuja alfaiataria é comprada (e não emprestada) por Zendaya, Solange e Beyoncé - resolveu reviver o chamado garment district de Nova York a partir do seu quarto de Brooklyn. Foi lá, com mais quatro amigos da indústria da moda que se tinham conhecido online havia oito anos, que nasceu a marca de luxo Do. O manifesto do grupo? A marca Peter Do operaria como um coletivo, reunindo o conjunto de competências de resolução de problemas dos cinco cofundadores, com o objetivo de desfazer a imagem dura deste setor da moda de dentro para fora - começando com horas de trabalho razoáveis ​​e uma conta de Instagram sem grandes floreados. Uma decisão que valeu a pena em março de 2020, com o comunicado de que Do tinha entrado na cobiçada lista de prémios LVMH. 

Novas regras

Atualmente, a conta de Instagram @the.peterdo é a vitrine mais poderosa da marca, representando cerca de 10% da receita total, além de oferecer um espaço não filtrado, onde o coletivo abre as cortinas (como descreve Vincent Ho, diretor de vendas e fundador da Do) das partes de uma casa de moda que os fãs normalmente nunca veem.

Um snap do 'blazer de couro reversível' SS20 suspenso num cabide de madeira contra uma parede branca iluminada pelo dia origina uma cascata de emojis em forma de coração. "Obsessed" é outro comentário recorrente, em referência a fotos improvisadas de calças de couro e camisas brancas translúcidas, que parecem ter sido exportadas diretamente de um rolo de câmara do iPhone.

"A marca foi criada na internet", explica Do, por telefone, através do seu estúdio em Sunset Park, mas ainda assim insiste que o modo como o grupo opera é “muito tradicional".

Uma nova casa de moda em Nova York

Se o front-end do negócio é voltado para franqueza virtual, o back-end codifica os princípios da indústria da moda do passado - crucialmente, a criação de um atelier sedeado em Nova York e o desejo de uma boutique Peter Do.

"O nosso objetivo a longo prazo é ser uma casa de moda de luxo nova iorquina", diz Do à Vogue. “O garment district está a morrer porque as pessoas estão à procura de matéria-prima no exterior e querem que as coisas fiquem cada vez mais baratas. Nós simplesmente não trabalhamos dessa maneira. É realmente importante para mim ter um diálogo com as costureiras e os pattern cutters que fazem a roupa."

Com tudo o que é tratado internamente - da imprensa à produção, do desenvolvimento do produto ao design - o atelier da marca funciona como um clube. O próprio Do cozinha para os 14 funcionários todas as quintas-feiras, um ritual que lembra os jantares que Azzedine Alaïa costumava fazer na cozinha do seu estúdio. "Começámos uma brincadeira chamada ‘desafio da caixa misteriosa’, inspirada no programa de televisão Masterchef. Todas as quartas-feiras, cada pessoa da equipa traz-me um ingrediente e eu faço algo para almoçar no dia seguinte”, revela com uma timidez detetável. "É realmente fofo."

O ethos caseiro é intencional, assim como o ênfase dado a uma vida profissional equilibrada, que influenciou o coletivo Peter Do a mostrar coleções duas vezes (em vez de quatro) por ano desde o início e a desviar-se completamente do tumulto da programação de Ready to Wear de Moda feminina.

Encontrar uma voz

“Estive na Celine durante dois anos e quando saí havia esse vazio”, explica o designer. “O Vincent [Ho] e eu observávamos uma indústria em que as pessoas glamourizavam o trabalhar até tarde e o facto de serem tratadas de forma horrível, e uma Nova York onde só se fazia athleisure. Havia tantas coisas com as quais não concordávamos e agora sentimos que temos uma voz no setor.” 

"Adorávamos a Celine", acrescenta Ho, que anteriormente trabalhava para a marca na equipa de vendas americana. "Mas havia muitas coisas no mundo da moda no geral e no mercado do luxo em particular que vimos à nossa volta e achámos que poderiam melhorar."

Com a referência à designer Phoebe Philo muitas vezes vem o slogan minimalismo, que Do é rápido a descartar. "A razão pela qual eu não gosto dessa palavra, minimalismo, é que não há nada de minimal na maneira como projetamos a coleção. Nós damos tudo. Nós enlouquecemos. E depois reduzimos à essência do que queremos dizer. São necessários 100 looks antes de chegarmos ao que queremos dizer.” 

Ho tem uma resposta rápida para qualquer pessoa que seja tentada a usar a palavra começada por M. "Fazemos roupa para a mulher que está a aproveitar ao máximo o seu dia", diz. "Nós gostamos de dizer que a mulher que Peter Do representa não é rígida nem convencional. "

Cue reimaginou tops e peças de roupa que falam para um consumidor de luxo emergente, que aprecia a realidade tanto quanto os toques finais. Desdobre a bainha de um par de calças e verá que tudo se resume a seda.

"Uma mulher descontraída pode ser clean, mas não sei se é 'minimalista'", diz Ho. "São coisas muito diferentes."

A importância da evolução

A marca está a beneficiar de um impulso de produto iminente: os sapatos estão a ser lançados no verão de 2020, assim como as malhas (para AW20), seguidas pelas carteiras para o verão de 2021. Mas é a alfaiataria que permanecerá no centro do negócio, com foco nos fatos de calça que se verificaram um uniforme não oficial das semanas de moda pelo menos no que à primeira fila dos desfiles diz respeito. O problema com o qual o coletivo está a lidar de momento é quando se aposentar ou desenvolver as suas maiores histórias de sucesso.

“Na Celine, quando o stock acabava os buyers pediam mais e, quando chegava o stock, já ninguém queria, porque o mundo inteiro já tinha comprado”, diz Ho. "É um equilíbrio muito delicado. É realmente importante enquanto marca jovem seguir em frente e não ficar estagnada."

Artigos Relacionados

Notícias 26. 2. 2018

O talento português a concurso na LVMH

Há uma portuguesa entre os 20 semifinalistas dos prémios LVMH 2018.

Ler mais

Notícias 7. 9. 2017

A LVMH vai abrir um parque de diversões em Paris

Fendi, Dior e Louis Vuitton pertencem à multinacional que vai abrir a que será uma das principais atrações de França: um parque de diversões em Paris.

Ler mais

Este website utiliza cookies. Saiba mais sobre a nossa política de cookies.   OK