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Pessoas 5. 2. 2019

Estas são as peças mais antigas de quatro figuras portuguesas

by Mónica Bozinoski

 

Pedimos a Manuel Alves, Namalimba Coelho, Xana Nunes e Diana Castello Branco que abrissem o guarda-roupa e partilhassem connosco a história da sua peça de roupa mais antiga.

 

Namalimba Coelho, Assessora de Imprensa do Museu-­Coleção Berardo

Quando e onde adquiriu este vestido?
Em 2016… De onde mais poderia ser, se não da Outra Face da Lua? Esta peça surge na sequência de um ritual meu, de usar vestidos de noiva vintage nas minhas festas de aniversário. É um privilégio vestir a aura e a poesia que se encerram nestas peças, por serem únicas e contarem histórias, e pela possibilidade de lhes dar uma segunda vida, usando-as fora de contexto, desconstruindo a linguagem formal que lhes é inerente, conjugando-as com acessórios contemporâneos e arrojados, detalhes punk, botas, ténis, luvas sem dedos, cabelos revoltos e tudo o que puder desafiar o estilo clássico.

O que a fascinou mais quando o viu pela primeira vez?
Rever-me nesta peça, revelando-se como uma extensão de mim – no conceito, na estética, na forma, nas memórias que nela se inscrevem nesse dia, e por ter sido uma surpresa preparada com tamanha poesia, entrega, amor e amizade, para me fazer feliz na festa dos meus 40 anos, que tinha como tema “Afro-Antoinette”. É uma peça duplamente única, no tempo e no espaço, não só por ser um vestido de noiva vintage, já per si, especial, mas, também, por ter ganho uma nova vida quando transformado numa obra de arte pelo meu precioso Francisco Vidal, que o pintou, como se de uma tela de arte contemporânea em forma de carta de amor se tratasse, inspirado no tema “Afro-Antoinette”. Uma peça intemporal, que se materializou numa escultura viva de cores e formas, através deste vestido. Uma simbiose perfeita entre o clássico e o futurista, em perfeita sintonia com o cenário idílico que serviu de palco para esta surpresa, inesquecível, rodeada dos amigos de sempre, igualmente trajados a rigor.

Como contaria a história dele?  
Uma história de Amor escrita em dois atos. O primeiro ato, que nos remete para a narrativa da ilustre desconhecida, que um dia se casou com este vestido, num tempo e lugar sobre os quais nunca nada saberei; e o segundo ato, em que eu entro em cena, que se revelou uma declaração de Amor, entrega e amizade, que recebi através deste vestido e de todas as surpresas e emoções que guardo deste gesto, a celebrar a vida juntos dos meus, vindos das várias latitudes que compõem a geografia do meu coração – Luanda, Paris, Lisboa e o mundo, que nele se ergueu ao longo destes 40 anos.

Manuel Alves, Designer

Quando e onde adquiriu estas calças?
Em Paris, no ano de 1987.

O que o fascinou mais quando as viu pela primeira vez?  
O lado militar, associado à intervenção estética, procurando um lado mais emocional e divertido destas calças.

Como contaria a história delas?
Numa ida a Paris, comprei uns sapatos em pele de cobra, de Patrick Cox. Ao lado, existia uma loja de artigos militares com intervenções de valor, nessas peças estritamente militares. Achei interessante, e comprei!

Qual é a memória que associa imediatamente a estas calças?  
Memórias de Paris, nos anos 80. Um mundo antagónico, face ao que se vivia em Portugal. Uma curiosidade enorme em tudo! O ritmo cosmopolita da cidade, e a onda criativa que abundava em Paris.

Qual foi a última vez que as utilizou?
Em Portugal, nas saídas ao Frágil.

Como é que mistura esta peça mais “antiga” com outras mais “novas”?
É muito fácil a conjugação destas calças com o meu guarda-roupa. Com um blusão de couro vermelho da Dior, ou com um blazer, e uma T-shirt.

Diana Castello Branco, Diretora de Comunicação & Imagem do Ritz Four Seasons Hotel Lisboa

Quando e onde adquiriu esta carteira?
Na primavera de 2000, em Genebra.

O que a fascinou mais quando a viu pela primeira vez?
Eu vivia em jeans nessa altura – era o meu uniforme. Quando vi as Saddle Bags da Dior, esta entrou diretamente para o topo da minha wishlist! Para além disso, tinha um amuleto: um “D”, a minha inicial.

Como contaria a história desta Dior Saddle Bag?
Na altura, era o John Galliano que estava à frente da Christian Dior, e a sua coleção foi inspirada na Lauryn Hill. Lembro-me de ver a Sarah Jessica Parker, na pele de Carrie Bradshaw, a usar esta carteira na terceira temporada de O Sexo e a Cidade. Comprei-a na pequena loja da Christian Dior, na Rua do Rhône, em Genebra. Lembro-me de passar tantas vezes à frente da loja a caminho da neve, porque todos os anos, na Páscoa, ia visitar a minha irmã e os meus sobrinhos que moram lá. Entrei a achar que não iam ter a carteira – mas tinham! Dezassete anos depois, a carteira voltou a dar que falar, e está a ter um revival nos braços de Chiara Ferragni ou Bella Hadid.

Qual é a memória que associa a esta carteira?
O frio que estava em Genebra, no dia em que a comprei – e a felicidade que senti quando percebi que tinham a carteira! Lembro-me também dos vários fins-de-semana em que ela me tem acompanhado… City breaks em Londres ou Paris, fins-de-semana no Alentejo, a passear por Cascais, ou em Lisboa, à beira rio.

O que a torna tão especial para si?  
Queria, porque queria a carteira, mas estava esgotada em todo o lado. E na altura não tínhamos a opção de comprar online. Quando a encontrei em Genebra, nem quis acreditar. Tinha poupado dinheiro para a comprar, e o resto foi para o cartão de crédito! Foi a primeira compra de marca que fiz para mim mesma, com o meu próprio dinheiro. Um investimento – porque continua impecável, e agora não podia estar mais na moda. Só me falta a alça mais comprida, para a usar à tira colo.

Quando foi a última vez que a utilizou?
Em Abu Dhabi, numa viagem de trabalho, no final de novembro deste ano.

Como é que mistura esta peça mais “antiga” com outras mais “novas”?
Continuo a gostar muito desta carteira para usar aos fins-de-semana. Com uns jeans e um blazer, por exemplo, ou com uma saia em pele e uma camisa branca.

Xana Nunes, Fundadora e Diretora Criativa, Lisbonweek – Actu

Quando e onde adquiriu este blusão?  
Em Paris, no ano de 1983.

O que a fascinou mais quando o viu pela primeira vez?
Estávamos nos anos 80. Os desfiles do Thierry Mugler eram incríveis naquela época, em termos de encenação, já com música eletrónica e muita atitude dos modelos em palco, numa altura em que eu tinha começado a desfilar… Cheguei a Paris e uma das primeiras lojas que fui visitar foi a dele. Fiquei agarrada à montra a olhar para este blusão.

Como contaria a história deste blusão?  
Tinha levado algum dinheiro para gastar em roupa, e ficou todo neste blusão. Acabei por vesti-lo muito pouco pois, como outras peças que tenho, até gostava mais dele como “peça” do que propriamente para o vestir.

Qual é a memória que associa imediatamente ao mesmo?
Os anos 80. O início de ser modelo. A primeira ida a Paris. Os desfiles semelhantes do José Carlos, em Lisboa.

O que o torna tão especial para si?
Foi a primeira peça de criador que comprei, aos 18 anos.

Qual foi a última vez que o utilizou?
Acabei de encontra-la este ano, numa mala de viagem guardada no sótão, quando mudei de casa, com outras relíquias da época como Comme des Garçons, Vivienne Westwood, José Carlos e Ana Salazar. Não abria esta mala há dez anos…

Como é que mistura esta peça mais “antiga” com outras mais “novas”?
Agora, vou olhar para ela outra vez. Não usarei o blusão fechado com uma saia em tudo por baixo do joelho, como na altura – mas, por certo que ficará bem aberto, com uma t-shirt branca.

 

Fotografia de Pedro Ferreira. Realização de Ana Caracol.  

Artigo originalmente publicado na edição de janeiro 2019 da Vogue Portugal.

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