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Tendências 26. 10. 2021

Um orgasmo por dia, nem sabe o bem que lhe fazia

by Mariana Silva

 

Sabia que uma experiência orgásmica pode reforçar o seu sistema imunitário ou ajudar a combater uma enxaqueca? A sexóloga Megwyn White ajudou-nos a desmistificar esta temática.

 Fotografia de Ruo Bing Li. Styling de Connie Berg. Vogue Portugal, Maio de 2019

Será óbvio, redundante até, dizer que um orgasmo faz bem. Talvez as duas palavras acabem por funcionar quase como sinónimos. Mas a verdade é que ter um orgasmo pode proporcionar mais benefícios do que aqueles que conhecemos. Uma sensação de prazer? Claro. Porém, e se lhe disséssemos que um simples orgasmo pode ajudar a combater uma insónia ou até a reforçar o nosso sistema imunitário? A Vogue falou com Megwyn White, sexóloga e diretora de educação da Satisfyer, para aprofundar esta temática.  

“Um orgasmo é um acumular de excitação, que pode ser mental, física, ou uma combinação dos dois”, começou por esclarecer White, continuando que esta acumulação permite que o sangue circule até aos genitais, tornando os nervos mais sensíveis. Mas engane-se quem pensa que um orgasmo surte efeitos somente ao nível dos órgãos sexuais, pois também o cérebro tem aqui um papel a desempenhar. “[O cérebro] emite hormonas e químicos de bem-estar que transmitem uma sensação de maior prazer para o resto do corpo.” Segundo a sexóloga, estes são os sinais que permitem “a libertação do pavimento pélvico, na forma de contrações e relaxamento, para culminar nos efeitos excitantes de um orgasmo.” 

Esta é a teoria, para quem estava apenas familiarizado com a prática. Mas agora falta perceber como é que estas reações corporais podem trazer vantagens à nossa saúde - porque trazem, seja ao nível psicológico ou mesmo físico. Comecemos por algo que está mais do que provado e aprovado: “Vários estudos comprovam que as pessoas que possuem vidas sexuais mais ativas e satisfatórias experienciam uma melhor qualidade de vida e maior longevidade,” diz Megwyn White, que não tem qualquer dúvida. “Os benefícios de experienciar orgasmos com regularidade podem (…) ajudar a equilibrar as hormonas, gerir a dor e o stress, otimizar padrões de sono, melhorar a luminosidade da pele, e reforçar o sistema imunitário.” 

Ao fazer da masturbação um hábito antes de ir dormir (...) o ato em si passa a ser associado pelo nosso corpo a uma ajuda para adormecer mais rapidamente." Megwyn White

Uma das hormonas responsável por alguns destes benefícios é a oxitocina, ou, como é mais conhecida, “a hormona do amor”, que é produzida pelo nosso corpo durante um orgasmo. “Não só esta proporciona uma sensação de felicidade, mas também ajuda a relaxar e, quando combinada com outros químicos de bem-estar, como a serotonina e a prolactina, pode induzir um sono mais profundo,” explicou a diretora de educação da Satisfyer. Existem vários estudos que comprovam como o sono pode beneficiar de uma expressão orgásmica e, dessa forma, Megwyn White avança: “Ao fazer da masturbação um hábito antes de ir dormir, reduzindo distrações alheias, o ato em si passa a ser associado pelo nosso corpo a uma ajuda para adormecer mais rapidamente.” 

Fotografia de Ruo Bing Li. Styling de Connie Berg. Vogue Portugal, Maio de 2019

“A masturbação ajuda-nos a aprender sobre o que gostamos e o que não gostamos, o que, consequentemente, facilita a comunicação com o nosso parceiro e atingir relações mais saudáveis." Megwyn White

Dormir bem é um ponto crucial à manutenção de um bom sistema imunitário. Contudo, um orgasmo pode trazer ainda outras vantagens no mesmo sentido. Por exemplo, um estudo alemão realizado 2004 provou como a produção de leucócitos - células importantes para a prevenção de doenças - aumentava após os participantes atingirem o clímax. Porque, segundo a sexóloga, experienciar um orgasmo “ajuda a estimular uma massagem linfática natural, sendo esta uma parte essencial do sistema imunitário, que ajuda na desintoxicação e na movimentação saudável da linfa.”  

Há ainda outra vantagem que merece ser referida: os orgasmos também ajudam a aliviar dores físicas, como as dores menstruais ou até mesmo as enxaquecas. “As dores menstruais resultam da contração do útero (…) Quando temos um orgasmo, os músculo do útero também contraem. E depois relaxam, o que trará algum alívio às dores menstruais.” Megwyn White explica ainda como, durante uma relação sexual, são libertadas endorfinas, que ajudam a reduzir a perceção de dor pelo cérebro, “atuando de forma similar a drogas como morfina ou codeína”. Na verdade, as endorfinas influenciam o mais variado tipo de dores, estando até comprovado que ajudam na redução das enxaquecas.

Resumindo as vantagens ao nível psicológico, destaca-se o relaxamento, mas também “ter uma vida sexual saudável aumenta a confiança que advém de experienciar satisfação sexual e controlar o nosso próprio prazer,” conta a sexóloga. E isto não se aplica apenas ao nível individual: “A masturbação ajuda-nos a aprender sobre o que gostamos e o que não gostamos, o que, consequentemente, facilita a comunicação com o nosso parceiro e atingir relações mais saudáveis.” Megwyn White está ciente de como a masturbação é muitas vezes vista como um ato sujo ou errado, não havendo grande educação relativamente a esta temática. Porém, é importante trazer esta conversa ao de cima, até porque a indústria da sexualidade tem vindo a ser pautada por diversas desigualdades de género, sendo importante abordar este tópico principalmente junto das mulheres, para que voltem a ganhar o controlo sobre o seu corpo, sobre as suas preferências e, acima de tudo, sobre o seu prazer. 

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