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Entrevistas 7. 2. 2019

Olivia Colman leva-nos aos bastidores de A Favorita

by Vogue Portugal

 

No dia em que A Favorita se estreia nos cinemas, Olivia Colman (aka Rainha Anne) fala-nos sobre o filme e a sua personagem. 

Olivia Colman como Rainha Anne em A Favorita © D.R. 

Já ganhou três Bafta e agora, pelo papel de Rainha Anne no muito falado A Favorita, está nomeada para um Óscar de Melhor Atriz. No dia em que o filme chega aos cinemas portugueses, Olivia Colman fala-nos sobre como foi voltar a reunir-se com o realizador, Yorgos Lanthimos, com quem já tinha trabalhado em A Lagosta, da sua personagem e de como este filme reinventa tudo o que sabíamos sobre dramas históricos.  

Quanto é que sabia da história por trás de A Favorita? 
Nada. É incrível, não é? E o filme é surpreendentemente preciso, ainda que se afaste bastante daquilo a que estamos habituados a ver como drama histórico. Achas que só pode ser inventado. Mas grande parte da história é verdade. E adoro a forma como o Yorgos tratou o tema. Novamente, não tem nada a ver com a forma como achas que um drama histórico vai ser. Tudo o que fez com os planos, com as lentes fish-eye. É tudo tão diferente de qualquer drama histórico que já viste. Mas, de certa forma, é menos sobre a história em si e mais sobre esta mulher que perdeu inúmeros filhos e o seu amor por outras mulheres. É menos sobre uma determinada postura ou sobre a forma como as pessoas falam nos dramas históricos. São pessoas reais, e quase podes cheirá-las. E elas são algo sujas e precisam de banho. Eu estava ligeiramente nervosa por estar num drama histórico, mas não é nada disso. 

E por onde é que começa? 
Já está tudo escrito. O Yorgos não está muito interessado em ter grandes discussões. Quando um argumento está feito, diz ele, atira-te a ele. Não precisas realmente de saber tudo o resto. E este argumento estava tão bem escrito. É óbvio que nos momentos em que ela está a ser uma cabra, ou em que está a ser manipuladora, é porque ou está aborrecida ou é infantil. Por isso deixámo-nos ir. 

O que é que mais gostou na Rainha Anne quando leu o argumento? 
O facto dela demonstrar cada emoção, as boas e as más. Cada traço de personalidade. É incrível interpretar alguém que sente tantas coisas. 

Sente que fazer alguma pesquisa ajuda? 
Só depois, que habitualmente é aquilo que faço. De outra forma podes exagerar. Se o argumentista for bom, o trabalho já foi feito por ti. A minha linha de pensamento é esta: “ O que é que eu posso encontrar que o argumento ainda não me disse?” Está tudo lá. Neste filme está lá nas cenas entre a Anne, a Sarah e a Abigail. Sentes a frustração da Anne ao longo de todo o filme. Não quereria aquele trabalho. Não consegues acreditar que alguém goste genuinamente de ti. Toda a gente parece querer apenas que ela satisfaça constantemente as suas necessidades e também podes pensar isso da Sarah, mas depois descobres que ela pode ser a única que está mesmo ali para a Anne. Ela talvez seja o amor da vida dela. 

Já tinha trabalhado com a Rachel [Weisz] anteriormente, no filme A Lagosta, que o Yorgos também realizou. 
Sim. Eu e a Rachel só tivemos uma cena em A Lagosta. Lembro-me que nos demos muito bem rapidamente. Mas com a Emma [Stone] nunca me tinha cruzado. Antes de começarmos a filmar, o Yorgos organizou um jantar para nos conhecermos e ela chegou cheia de energia e pensei instantaneamente, “Oh, eu vou gostar de ti”. Acho que nós as três vamos ser amigas para a vida. 

O Yorgos parece estar particularmente interessado em explorar certas estranheza e embaraços, e há muito disso neste filme.
É verdade. Acho que isso acontece na fase de ensaios, especialmente em A Favorita senti que foi assim. Ele também vem do teatro, por isso, muitas vezes, fazíamos jogos de confiança clássicos do teatro. Tornas-te muito próxima das pessoas e isso ajuda mesmo. Não é como se nos conhecêssemos no primeiro dia de filmagens, disséssemos “Olá, como estás?” e depois estivéssemos a filmar uma cena de sexo. Isso é terrível. Além disso, o Yorgos também não é envergonhado e [o exemplo] começa sempre no topo. Ele é basicamente um urso desarmante e amoroso. Só o vi a revirar os olhos uma vez e a dizer “Ugh” e foi quando lhe perguntei o que tinha acontecido à miúda no final de Dogtooth (risos). Ele respondeu-me, “Ah, não sei. O filme está acabado, decide tu.” Ele deixa tudo no ecrã e depois resta-te a ti decidir. E o Yorgos é alguém que queres impressionar. Ele quer que sejas humana e real, por isso, atiras-te a isso. E, de repente, estás a cuspir. Queria que ele pensasse, “Ah, fixe. Ela está disposta a ser nojenta.” Acho que todas sentimos isso. Queríamos sempre vê-lo a sorrir e a acenar no fim de uma cena. 

Diz que isto não é um drama histórico tradicional, mas usa peças de roupa incríveis no filme. Gostou dessa experiência? 
Adorei. É a Sandy Powell [Powell já ganhou três Óscares na categoria de Melhor Guarda-Roupa e já foi nomeada 11 vezes]. As roupas da Rainha eram hilariantes. Passei a maior parte do filme numa camisa de noite, ou seja, eu estava óptima. A Emma e a Rachel é que estavam mais apetrechadas. Eu estava basicamente a comer bolo e pizza e a tentar estar o mais gorda possível, enquanto usava uma camisa de noite enorme e flutuante. E o Yorgos é óptimo a encorajar a equipa. Então tens a Nadia Stacey, responsável pela maquilhagem, a apresentar looks super divertidos. Na cena do baile, talvez não repares imediatamente, mas, em vez das marcas habituais em forma de coração, há stencils de cavalos e carruagens. Basicamente, ela pegou numa coisa que já tínhamos visto e tornou-a numa cena ainda melhor. Com a Sandy foi igual. Há laivos de vermelho inesperados e criados que vestem ganga. Há muito para ver e o Yorgos deu a toda a gente coragem e liberdade. Foi dito a todos, “Façam. Não há nada que seja demasiado parvo.”

Há muito que está nos ecrãs britânicos, mas agora tem sucesso internacional. Quão dura foi essa luta? 
Foi um longo, e lento, caminho, mas sinto-me realmente abençoada. Tirando os primeiros anos, tive sempre trabalho, mas também estou grata por esse período porque te ensina que tens de insistir. Depois cresces. Também há mais papéis agora para mulheres com 40 anos e os papéis tornam-se mais interessantes porque apoiam-se nessa experiência. Antes, quando passavas a fase ingénua, estava tudo acabado. Mas agora as pessoas são todas ouvidas e todas elas se querem ver retratadas. O amor não pertence só a pessoas com 20 anos. Sinto-me honrada que tudo isto se tenha conjugado no meu caminho. 

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