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Nova marca nacional tem assinatura de Cláudia Vieira

13 Oct 2022
By Sara Andrade

Vieira é uma metade do duo que imaginou a marca, composto ainda pela stylist Gabriela Pinheiro. Portuguesa, sustentável e um reflexo do estilo das suas fundadoras, há muito mais na novidade do que se vê a olho nu.

Vieira é uma metade do duo que imaginou a marca, composto ainda pela stylist Gabriela Pinheiro. Portuguesa, sustentável e um reflexo do estilo das suas fundadoras, há muito mais na novidade do que se vê a olho nu.

© Pedro Ferreira
© Pedro Ferreira

A marca de womenswear segue uma filosofia de "menos é mais do que suficiente", um claim que se traduz no modo como pensaram a coleção: tendo em mente que 70% das emissões de gases de efeito de estufa são atribuídos à produção de novas roupas, a dupla de amigas preferiu lançar uma linha com poucas peças, mas que se multiplicam no guarda-roupa pela sua versatilidade, intemporalidade e durabilidade, cortesia dos materiais nobres mais resistentes ao wear and tear. A marca 100% nacional foi pensada, desenhada e criada por fabricantes em Portugal, sob o olhar atento da stylist e da atriz. Cláudia Vieira falou com a Vogue sobre este novo lançamento, que aconteceu ontem, durante o calendário do Portugal Fashion, para contar, em discurso direto, mais curiosidades sobre Obsidian - nomeadamente o porquê deste nome.

A marca, Obsidian, que acaba de ser apresentada chega de um desejo de há muito ou é uma vontade recente? Como surge e porquê agora?

A marca Obsidian surge de um desejo, uma vontade, um sonho antigo por parte da Gabriela [Pinheiro], que me desafiou e que, depois de algumas conversas e da nossa vida ser à volta das roupas, começou a ganhar força, sentido. De há uns anos para cá que temos falado desta possibilidade e de que forma é que nos gostaríamos de posicionar e de estar no mercado com uma marca de roupa; visto que a oferta de roupa já é muita e variada, queríamos criar uma marca que primasse pela elegância, por alguma exclusividade, que fosse o mais sustentável possível, que usasse matérias-primas o mais sustentáveis possíveis, que fosse uma alternativa para as consumidoras usarem roupa sustentável e com características quenão fossem chatas, com cores vivas, alegres, estridentes, que as consumidoras pudessem arriscar e usassem roupa também ela aqui com características ousadas. É aqui um desafio às consumidoras, sem dúvida alguma. Mas era um sonho que foi ganhando forma já de há alguns anos para cá.

Porquê o nome Obsidian?

Obsidian é uma rocha vulcânica que, quando se solidifica, fica com aspeto de vidro, por isso, tem aqui uma certa elegância, e ao mesmo tempo uma fragilidade versus resistência. Vem da natureza, e por isso dizia-nos muito. Nós procurávamos um nome forte, que viesse da natureza, a Gaby sugeriu este nome e depois de me explicar (eu desconhecia esta pedra, esta obsidiana) o seu significado e estas características de ser uma pedra que vem do vulcão e outros aspetos, nomeadamente o facto de atrair a positividade e expelir a negatividade, combinava uma série de dimensões que nos interessava, espelhando a dualidade da mulher. E ficou Obsidian, a nossa marca.

Há particularidades da marca que se prendem com as próprias preocupações da Cláudia. Posso perguntar-lhe que "exigências" se impôs ao pensar numa marca sua? O que é que queria que ela fosse, acima de tudo? O que é que queria que acrescentasse?

Eu considero-me uma pessoa muito atenta, muito preocupada, muito consciente no que toca ao consumo em excesso, ao usar e deitar fora, no meu dia a dia sou aqui quase uma ativista, sou muito preocupada e muito atenta a várias questões ambientais, é dessa forma que vivo o meu dia a dia, e que educo as minhas filhas e lamento ver determinadas coisas. E ao ser desafiada para uma marca de roupa, sendo a indústria de roupa também uma das grandes responsáveis pela poluição provocada no ambiente, uma das minhas preocupações era que ela fosse o mais sustentável possível. Não é fácil, nem todos os tecidos sustentáveis vão ao encontro da necessidade do conforto que as peças têm de ter, mas tentámos que essa fosse uma das premissas. Quisemos criar uma marca de roupa que fosse passível de ser usada por vários tipos de mulheres, em várias ocasiões, vamos ter dicas de styling por parte da Gabriela precisamente para que as clientes, as consumidores possam saber como usar uma t-shirt em diversas formas, em diversas alturas, um blazer da mesma forma, umas calças que têm uma característica que se pode tornar de cintura subida, ou uma calça mais baggy, ou seja, tentarmos que as peças sejam o mais versáteis possíveis... essa era uma das premissas; e que tivessem materiais criados a partir de matéria-prima o mais reciclável possível, também, e o mais duradoura possível. Portanto, esta combinação toda não foi fácil, foi-nos fazendo alterar, adiar, deixar para trás algumas peças, mas essas eram as grandes questões da minha parte. Outra das coisas é fazer aqui uma wake up call ao mercado, quer às marcas que surgem, quer às marcas que já existem, para terem um bocadinho mais essa consciência e provocar de alguma forma as consumidoras a querer analisar de que é feita a peça que estão a comprar, de que forma é que foi produzida, onde é que foi produzida, por quem... Por exemplo, essas questões nós vamos ter explicadas num cartão, que é como um bilhete de identidade que acompanha a peça, mas depois também vamos ter vídeos de como cuidar da sua peça de roupa, que nós sabemos que as consumidoras de uma forma geral cortam as etiquetas e depois já não sabem exatamente como podem cuidar daquela peça, de maneira a que ela se torne também o mais duradoura possível, portanto isso são tudo questões para marcar a diferença de alguma forma e abanar aqui um bocadinho a consumidora, para que não compre só por comprar, mas que compre com consciência, esse é um dos grandes desafios. As nossas coleções são pequeninas, têm um número de peças reduzido, o que faz com que não sejam coleções altamente rentáveis, mas não é por aí, estamos a dar passinhos de bebé e queremos evoluir e crescer de uma forma muito responsável e consciente, essa é a premissa máxima.

© Pedro Ferreira
© Pedro Ferreira

Essas particularidades prendem-se diretamente com a ideia do "menos é mais do que suficiente"? De que forma? Porquê este claim?

Sim, sem dúvida que estas particularidades se prendem com “menos é mais do que suficiente” e menos é mais do suficiente de várias formas. Menos peças no guarda-roupa e sabermos gerir isso, ou seja, as peças ficam connosco durante muito tempo e conseguimos ir alternando entre as peças que estão realmente expostas. As peças que estão boas, com boa qualidade podem-se guardar durante  tempos, porque a moda é cíclica e vai voltar a usar-se ou que se roda de uma casa para a outra, mas não incentivar o consumo de alguma forma em excesso, apenas o que é necessário, estritamente necessário. A Gabriela costuma usar uma frase que é “saber fazer compras inteligentes”, ter no nosso guarda-fato o que faz falta e o que se usa em diversas ocasiões, isto é o mote. E depois também a forma como realmente se trata da roupa, mantê-la o melhor possível e não incentivar o consumo desenfreado, acima de tudo.

Tem alguma peça favorita? Qual?

A minha peça favorita é o trench-coat.

O que é que descobriu/a surpreendeu nisto de ter uma marca, pensar numa coleção, escolher materiais...? E qual foi a maior dificuldade?

As descobertas e as aprendizagens têm sido inúmeras, nunca imaginei que fosse tão trabalhoso, tão complexo, tão desafiante e a maior dificuldade foi criarmos peças que fossem confortáveis, com características para todos os tipos de corpos que as mulheres têm, ou seja, que possa funcionar numa mulher de estatura mais baixa, mais forte, mais alta, mais magrinha, e tudo funcionar e ao mesmo tempo tentar que os materiais fossem o mais sustentáveis possíveis. Estas combinações provocam atrasos na produção, provocam alterações nas peças, provocam alterações no próprio aspeto que a peça tem, no que o tecido tem, porque uns tecidos reagem de uma maneira, outros reagem de outra. É muito interessante ouvir as pessoas, os designers e os responsáveis das fábricas, a falar de como sabem que este tecido se vai comportar de determinada forma, o facto de, depois de ser tingido, comportar-se de outra, não perder elasticidade, não ser demasiado rígido, são tantas as características de como é que funcionam, esta indústria têxtil é um mundo, sem dúvida, e com a nossa tentativa, a nossa premissa, de querermos ser o mais sustentáveis possível, tanto pela forma como é produzido, o processo de produção, como os materiais utilizados, esse é sem dúvida nenhuma, o maior desafio de todos.

Quando é que a coleção fica disponível e onde se pode adquirir? 

A coleção está disponível a partir de hoje no nosso site, redes sociais, bem como em três espaços físicos - na Loja das Meias das Amoreiras, na Loja das Meias do NorteShopping e na Just Ceuta, na baixa do Porto. Optámos por ter estes três pontos primeiro, porque a marca não é conhecida pelo público, pelos consumidores, e para que as pessoas não comprem só por comprar, mas ter hipótese de vestir, experimentar, tocar, ver, analisar... e depois optámos aqui por parceiros, lojas com as quais nos identificamos, que já são pessoas das nossas relações e que faz algum sentido pelo posicionamento da marca que envisionamos, pela forma como é apresentada, e ver outras formas das consumidoras, das nossas clientes poderem adquirir as peças. Portanto, é a venda online, maioritariamente é dessa forma que nos posicionamos, mas também com espaços físicos para que as pessoas possam realmente ter contacto com as peças.

© Pedro Ferreira
© Pedro Ferreira

Sara Andrade By Sara Andrade

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