O regresso do flower power
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Tendências 8. 8. 2018

O regresso do flower power

by Rui Matos

 

Depois de ver Rihanna na capa da Vogue britânica e Beyoncé na versão norte-americana da publicação com uma coroa megalómana de flores, a questão impõe-se: será este acessório o próximo glitter? Fomos investigar.  

 

À esquerda Instagram.com/edward_enninful; à direita © Instagram.com/voguemagazine

As flores têm ornamentado as personagens mais emblemáticas da cultura, uma afirmação que nos leva numa viagem até ao século XVII e às pinturas de Rembrandt - neste caso específico, a Flora (1634); e, anos antes, na primeira apresentação da peça shakespeariana Hamlet (1609), já Ofélia se referia a estes seres vivos num tom romantizado: “o alecrim é para lembrar. Por favor lembre-se, amor. (…) E há amores-perfeitos, eles são para os pensamentos (…)”.

Fast forward para o século XXI. A 14 de dezembro de 2011 era publicado, no Youtube, o vídeo de Born To Die de Lana Del Rey, a faixa homónima do primeiro álbum da cantora norte-americana. O still que nos despertou a curiosidade - pelo menos à época - foi o de Lana sentada num trono catedral acompanhada por dois tigres, um vestido branco e uma coroa de flores em tons de azul. Sem se aperceber, Lana recuperou uma tradição - afinal, os adereços florais colocados nos fios capilares estão entrelaçados nos costumes sociais de destinos tão distantes quanto o Hawaii - que depressa ganhou rótulo de tendência, adaptada pelos seus ouvintes, seja nos concertos da própria, ou nos festivais de música mais emblemáticos, como o Coachella ou Glastonbury. 

Na indústria da Moda, esta tendência já se tinha pronunciado. A modelo inglesa Jean Shrimpton apareceu nas páginas da Vogue, em 1965, com um arranjo floral como coroa, em tons de amarelo, lilás e azul. Seguiu-se Lauren Hutton, ainda na década de 60; anos mais tarde, Kate Moss; e, mais recentemente, os nomes a que já estamos acostumados - Kendall Jenner, Karlie Kloss e Suvi Koponen, para nomear alguns. 

Na passerelle, as flores também tiveram o seu momento. Quem se poderia esquecer da apresentação da primavera/verão de 1999, da Alta-Costura, de Yves Saint Laurent, que vestiu Laetitia Casta numa versão contemporânea da Venus repleta de flores em tons rosados? Etiquetas como Marc Jacobs, Valentino, Rodarte, Dolce & Gabbana e Dior deram o seu contributo para este movimento, reinterpretando, cada um à sua maneira, o movimento. 

Valentino Alta-Costura, outono/inverno 2018 © Getty Images

Até as it girls adotarem o espetro florido é sempre uma questão de tempo. Como exemplo máximo, Lady Gaga: cantora norte-americana, é conhecida por ter vários dons, menos o da discrição. No ano de 2012, decidiu viajar até Londres para se sentar na front row de Philip Treacy e assistir às propostas do verão de 2013 do criador irlandês. Um procedimento totalmente natural para quem é um ávido consumidor de Moda, mas Gaga fê-lo de forma exuberante: utilizando um ornamento florido que captou a atenção de toda a gente - e provavelmente, bloqueou a visão de quem estava sentado nos lugares traseiros. 

Valentino Alta-Costura, outono/inverno 2018 © Getty Images

Depois de uma época de entusiasmo à volta destas coroas, percebe-se uma espécie de hiato que significou um uso pontual em vez de massificado deste acessório. Mas o cenário mudou quando foram reveladas as capas de setembro da Vogue UK e US. No número mais importante do ano das publicações de Moda, surge Rihanna com um arranjo floral, criado pelo escultor japonês Makoto Azuma, e Beyoncé numa versão mais delicada, mas não menos impactante. 

O que os próximos tempos irão ditar é se estes dois nomes de peso da indústria terão a força suficiente para reintroduzir esta tendência no quotidiano do comum mortal ou se será apenas uma daquelas epifanias que a próxima semana - e uma outra capa mediática - se vai encarregar de apagar. Se a História servir de exemplo, a coisa tem tudo para singrar. Por isso, o melhor é começar a percorrer o Pinterest à procura de inspiração.

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