Atualidade  

O cinema mundial volta a encontrar-se em Cannes

14 May 2026
By Beatriz Fradoca

A membro do júri Demi Moore assiste à exibição do filme "La Vie D'Une Femme" durante a 79.ª edição do Festival de Cinema de Cannes. (Fotografia de Gareth Cattermole/Getty Images)

Durante quase duas semanas, a Riviera Francesa deixa de ser apenas cenário para se transformar em epicentro do cinema mundial. A 79ª edição do Festival de Cannes arrancou esta terça-feira e prolonga-se até 23 de maio, reunindo 22 longas-metragens em competição pela Palma de Ouro.

A seleção deste ano confirma uma tendência que Cannes raramente abandona: o culto do autor. Entre nomes já consagrados e vozes que regressam ao festival com novas obras, a competição desenha um retrato amplo do cinema contemporâneo, onde o gesto artístico se sobrepõe ao algoritmo e à lógica do consumo imediato.

Na corrida à Palma de Ouro cruzam-se geografias e linguagens distintas, num alinhamento que reforça a dimensão global do festival:

- Amarga Navidad, de Pedro Almodóvar;
- Coward, de Lukas Dhont;
- Das Geträumte Abenteuer, de Valeska Grisebach;
- El Ser Querido, de Rodrigo Sorogoyen;
- Fatherland, de Paweł Pawlikowski;
- Fjord, de Cristian Mungiu;
- Garance, de Jeanne Herry;
- Gentle Monster, de Marie Kreutzer;
- Histoires de la Nuit, de Léa Mysius;
- Histoires Parallèles, de Asghar Farhadi;
- Hope, de Na Hong-jin;
- L’Inconnue, de Arthur Harari;
- La Bola Negra, de Javier Calvo e Javier Ambrossi;
- La Vie d’Une Femme, de Charline Bourgeois-Tacquet;
- Minotaur, de Andrey Zvyagintsev;
- Moulin, de László Nemes;
- Nagi Notes, de Kōji Fukada;
- Notre Salut, de Emmanuel Marre;
- Paper Tiger, de James Gray;
- Sheep in the Box, de Hirokazu Kore-eda;
- Soudain, de Ryusuke Hamaguchi;
- The Man I Love, de Ira Sachs.

O cinema português regressa a Cannes com uma presença discreta, mas consistente, espalhada por várias secções do festival. Fora da corrida pela Palma de Ouro, Tiago Guedes volta à Croisette com Aquí, integrado na secção Cannes Première, onde se apresentam alguns dos títulos mais aguardados fora da competição oficial. A sua ligação ao festival não é nova — depois de A Herdade e Restos do Vento, Cannes volta a surgir como território natural de apresentação para o seu trabalho mais recente.

A representação nacional prolonga-se no circuito das curtas e das novas vozes. Daniel Soares integra a competição oficial de curtas-metragens com Algumas Coisas que Acontecem ao Lado de um Rio, num dos espaços mais observados quando se fala de novos talentos no cinema europeu. Já Clara Vieira apresenta Onde Nascem os Pirilampos na La Cinef, secção dedicada a filmes de escolas de cinema e frequentemente apontada como uma das plataformas onde se começam a desenhar as próximas vozes do cinema de autor.

Este ano, a atriz e cantora norte-americana Barbra Streisand será distinguida com a Palma de Ouro de carreira, um reconhecimento que atravessa décadas de contributo artístico no cinema e na música. A homenagem sublinha não apenas uma carreira, mas uma forma de presença cultural que marcou várias gerações. Já o realizador neozelandês Peter Jackson, responsável por sagas como The Lord of the Rings e The Hobbit, recebe a Palma de Ouro de honra. A distinção será entregue por Elijah Wood, num gesto que cruza cinema e memória, e que devolve ao festival a sua dimensão mais emocional.

Mais do que um festival, Cannes mantém-se como um barómetro cultural. É ali que se antecipam tendências, se lançam candidatos aos Óscares e se redefinem carreiras. Durante quase duas semanas, o cinema volta a ocupar o centro da conversa global — entre estreias mundiais, passadeiras vermelhas intermináveis e a habitual mistura de glamour e tensão cinéfila que só Cannes consegue oferecer.

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