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Notícias 28. 6. 2018

Kevyn Aucoin, o rosto que mudou a Beleza

by Mónica Bozinoski

 

Antes de existirem tutoriais de maquilhagem no YouTube, gurus de Beleza no Instagram ou kits de contouring com assinatura de Kim Kardashian, existia Kevyn Aucoin. Dezasseis anos depois da sua morte, a distribuidora The Orchard acaba de revelar o trailer do antecipado documentário Larger Than Life: The Kevyn Aucoin Story, que explora a vida e carreira do lendário maquilhador.

©Instagram/@kevynaucoin

Louisiana, 1962. Como todas as histórias, a de Kevyn Aucoin começa com um lugar, uma data, e um sonho. "Comecei a experimentar com maquilhagem aos onze anos, quando a minha irmã, Carla, tinha apenas cinco anos. O meu sonho era que um dia iríamos sair do Louisiana e ser uma equipa. A Carla seria uma super-modelo, e eu seria o maquilhador e fotógrafo dela", revelou Aucoin em entrevista, relembrando os tempos de criança em que o rosto da irmã era a sua única tela. "Isto foi em 1973, antes de existir sequer o conceito de maquilhador como agora. Ninguém ouvia falar de maquilhadores homens, e diziam-me que eu não podia ser um, que isso era uma coisa para raparigas". 

Com as ferramentas certas - entenda-se a ambição desmedida, a visão única e o talento de alguém que está para além do seu tempo -, Kevyn Aucoin mudou-se para Nova Iorque aos vinte anos e foi aí que, em 1986, conseguiu a sua primeira capa da Vogue. "A maquilhagem do Kevyn era como uma pintura", relembra Cindy Crawford. "Era como se ele apagasse o teu rosto para te construir de raíz, mais forte, mais rápida, mais bonita". Pela cadeira do maquilhador, que transportou a sua mestria para 18 capas consecutivas da Vogue, bem como outros títulos de Moda, passaram alguns dos nomes mais sonantes da indústria, entre eles Naomi Campbell, Kate Moss, Linda Envagelista, Cher, Janet Jackson ou Whitney Houston, fazendo de Kevyn Aucoin um dos pioneiros na categoria de celebrity makeup artist

Uma figura de referência na indústria da Beleza, Kevyn Aucoin era um verdadeiro visionário, no sentido mais puro da palavra. "Se o Kevyn ainda fosse vivo, teria transformado completamente as redes sociais", disse a modelo Amber Valleta sobre o maquilhador. Responsável pela arte do contouring, pela sombra azul pastel e pelas maçãs do rosto esculpidas com iluminador de Christy Turlington, pelos lábios assumidamente delineados de Gwyneth Paltrow, ou pela tendência de sobrancelhas finas que definiu a década de 90 e quase todos os rostos em que tocava, Kevyn Aucoin era mais do que um maquilhador: como tantos o lembram ainda hoje, numa influência que superou todos os testes do tempo, Kevyn Aucoin era "o original". 

Em 1994, Aucoin recebeu um CFDA Award de Makeup Artistry e, até aos dias de hoje, foi o primeiro e único maquilhador a ser galardoado com esta honra. Três anos mais tarde lançou Making Faces, um guia com mais de 200 imagens e esboços que explicava todas as suas técnicas e segredos de maquilhagem. Sem surpresa, o livro tornou-se um bestseller do New York Times. No ano 2000, foi a vez de Face Forward, um livro que mostrava como, através da maquilhagem, era possível dar às pessoas uma variedade de diferentes rostos. Mais uma vez, bestseller do New York Times. Um ano antes da sua morte, aos quarenta anos, Aucoin realizou aquilo com que todos os maquilhadores sonham, e lançou a sua própria linha de maquilhagem

As inseguranças de Kevyn Aucoin, um homem que falava abertamente da sua homossexualidade, que foi adotado e que desistiu da escola quando dois colegas o tentaram atropelar com uma carrinha, eram transpostas na ideia de que a Beleza era uma ferramenta de poder. "Quando ele maquilhava as mulheres, era capaz de realizar todos os sonhos que elas tinham para si mesmas", disso o fotógrafo Irving Penn ao The Guardian. Tantas vezes marginalizado, ignorado e posto de parte, Aucoin transformou a maquilhagem num símbolo de compaixão. "Não me importava muito quando alguém me dizia 'Oh, esta cor de batom fica bem nos meus lábios', mas importava-me quando alguém dizia 'Agora sinto-me bem'. O que me interessava no fim do dia era como as pessoas que eu maquilhava se sentiam", disse numa entrevista ao canal de televisão E! Entertainment

"Nunca haverá ninguém como ele. Nunca, nunca, nunca", disse Naomi Campbell sobre Kevyn Aucoin. Dezasseis anos depois da morte de um dos mais icónicos artistas da sua área, a premissa de Campbell, que preferia esperar numa fila e ser maquilhada por Kevyn do que qualquer outro profissional, parece manter-se intocável. Definiu tendências, quebrou estigmas e transformou a indústria da Beleza para sempre. Larger Than Life: The Kevyn Aucoin Story é a materialização disso mesmo. Produzido por Tiffany Bartok, que conheceu o maquilhador em 2001, o novo documentário dedicado à vida e arte de Kevyn Aucoin conta com a participação de nomes como Kate Moss, Naomi Campbell, Brooke Shields, Tori Amos e Cher, bem como imagens de arquivo e testemunhos da família e amigos mais próximos. 

A película, que estará disponível a partir de dia 31 de julho no digital, como noticia a revista W, começa com uma emocionante frase do próprio. "A experiência mais extraordinária que posso ter com outra pessoa é mostrar-lhe o quão bonita ela é porque, de algum modo, quando isso acontece, conseguimos ver a beleza em nós próprios", disse Kevyn Aucoin. "É assim que consegues compreender a tua autenticidade, a tua força e a tua própria beleza, e penso que isso é o que todos nós procuramos, encontrar a beleza em nós mesmos". 

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