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Dezembro 2018

Editorial 4. 1. 2019

Janeiro 2019

by Sofia Lucas

 

©Léa Wormsbach

Quando pensámos na primeira edição do ano, foi impossível dissociá-la do compromisso que assumimos com o futuro, com os desejos e resoluções inevitáveis. Como num casamento, a cada passagem de ano renovamos vezes sem conta os nossos votos, na relação mais constante, apesar das inconstâncias – a que temos connosco próprios.

Não perdemos muito tempo a pensar em nós, em quem realmente somos. Hoje somos quem somos, iguais a ontem, os dias passam a um ritmo que os transforma em anos e já não somos os mesmos, apesar de sermos quase iguais ao dia anterior. Pequenas cicatrizes fazem-nos lembrar que fomos aquela criança que caiu lá atrás.

Como uma escultura que moldamos em barro, mudamos. Mas as camadas que ficaram para trás não desapareceram, fazem parte da escultura, fazem parte do todo. Ganhamos sabedoria com o tempo, sem a garantia de que sejamos melhores do que fomos. Somos a mesma pessoa com mais vivências, somos cada vez mais ricos em experiência como seres humanos. Chegamos a ser o contrário do que fomos ou somos, mas nesses opostos, mesmo no momento da nossa vida em que fomos mais rebeldes, temos alguma coisa do nosso lado mais calmo. Como até no momento de maior resignação mantemos algo indomável. 

A Moda muda, mas mesmo nas suas tendências mais radicais e alternativas, tem na estrutura toda a história por trás do seu início, como um ser vivo. A parte radical é sempre influenciada pelo seu inverso, é exatamente o desejo do afastamento que a faz surgir, para muitas vezes voltar à sua vertente mais clássica. À sua génese.

Esta Vogue que tem nas mãos não seria a mesma se não houvesse mais de 100 anos de história de Vogue, tal como daqui a 50 anos será diferente, mas será a Vogue no seu eixo central. 

Há pessoas que não gostam de olhar para trás, para o passado, para as quais só o futuro importa. Não será desperdiçar um tesouro inteiro de experiências que nos ajudariam tanto no futuro como no presente? Quantos dos nossos desejos nas passagens de ano da nossa vida são os mesmos? 

Esta capa da Vogue retrata duas mulheres, que podiam ser a mesma em dois espaços temporais diferentes. Algo de sábio, algo de fresco, num tempo só, numa mulher só. Num retrato único interpretado pela modelo Agnes Abma e pela icónica Marie Sophie Wilson, numa fusão perfeita da frescura da inocência com as marcas que o tempo junta à sabedoria. 

Celebre a sua. Celebre as suas marcas, cada uma conta parte da sua história. E brinde à frescura do novo ano. 

Feliz 2019. 

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