Artigo Anterior

Dezembro 2017

Próximo Artigo

Fevereiro 2018

Editorial 19. 12. 2017

2018 to Love

by Sofia Lucas

 

 
 

Enquanto fechávamos a capa da primeira Vogue de 2018, e buscávamos na redação a expressão certa que espelhasse a mensagem global desta edição de janeiro, levantou-se um debate. Alguém defendia que já era altura de escrevermos a nossa chamada de capa em português e não em inglês, “afinal somos a Vogue Portugal”, e “Amar… é uma das palavras mais bonitas do mundo”, enquanto a maioria defendia que a tradução da frase para português não tinha o mesmo impacto.

Independentemente dos recursos estilísticos de cada uma das línguas, português ou inglês, ou da identidade e da beleza que cada uma encerra, senti que uma questão muito mais profunda me fez optar pela língua inglesa.  É a língua mais universal, para todos os efeitos e contra todos os defeitos, e atingiu aquilo que a visão brilhante e grandiosa de Zamenhof não conseguiu, quando em 1887 criou o Esperanto como língua que deveria ser acessível a toda a gente, em todo o mundo. Enquanto o Esperanto se ficou pelo caminho de uma utopia, a disseminação da língua inglesa é uma realidade.

E, como numa estrada construída, não importa quem a construiu, mas sim os pontos que esta passou a unir e as viagens que nela se podem fazer. A universalidade de uma mensagem não deve sofrer qualquer tipo de fronteira. Não deve estar em causa a língua escolhida, mas apenas a forma de levar essa mesma mensagem o mais longe possível, e que quem a recebe a sinta como sua em qualquer parte do mundo. O orgulho, imenso, que todos nós sentimos em fazer uma Vogue Portugal, nasce exatamente da força destas duas palavras: Vogue e Portugal.

Juntas e cada uma por si. O orgulho e o sentimento de identidade de um país também devem praticar a humildade de falar outra língua e de levar mais longe o que de melhor se faz em Portugal e na Moda Portuguesa. Uma capa é muito mais do que uma primeira página de uma revista. É uma mensagem gráfica que viaja à velocidade cibernética de uma rede que, em segundos, a pode transportar para os quatro cantos do mundo. Aperceber-me do impacto que a Vogue Portugal está a ter ao nível internacional, seja ele nas discussões dos principais fóruns de Moda online, seja no que é tema de conversa de corredores do meio ligado à Moda, ou por marcas internacionais terem voltado a olhar para a imprensa em Portugal, é gratificante e ao mesmo tempo, ainda que por breves momentos, assustador. Breves porque não há tempo para nos assustarmos, não há tempo para visualizar o inatingível, e se o fizermos, paramos.

Fazer a Vogue perfeita é como encontrar o Santo Graal, para qualquer uma das equipas das Vogues que existem no mundo. Mesmo que essa perfeição alguma vez fosse atingida, a edição seguinte teria de ser ainda melhor, e se o objetivo fosse cumprido perceberíamos que o que julgávamos perfeito até então, afinal não era. Uma revista não tem de ser perfeita, mas tem de ser tão sentida pela equipa que a faz como por quem a lê. Esta é a verdadeira ponte, feita nos dois sentidos, a dar sentido único ao que é criar, seja no mundo das revistas, da Moda, da Arte.

Obrigada pelas mensagens que nos chegam todos os dias, de todas as formas, por várias vias e em várias línguas, que nos fazem sentir que a verdadeira audiência nunca poderá ser reduzida a um número. 

Ver a Vogue Portugal a fazer parte do seu mundo (#yourvoguecover), como faz parte do nosso, é o que nos fará procurar fazer sempre mais e melhor. Por nós como por si.

Feliz Ano Novo.

Este website utiliza cookies. Saiba mais sobre a nossa política de cookies.   OK