O sueco Ernst Ingmar Bergman liga-se naturalmente aos temas da literatura. Escritor e realizador, responsável por películas como O Sétimo Selo (1957), na sua estética, cada cena transporta o ritmo de uma frase, cada olhar contém o peso de um monólogo não dito, e o silêncio torna-se tão poderoso como a palavra proferida.
Bergman não constrói histórias através do espetáculo, mas dos mundos interiores das suas personagens, razão pela qual os seus filmes se assemelham a grandes romances psicológi- cos, nas quais os maiores dramas se desenrolam dentro de pensamentos, memórias e emoções. A sua cinematografia a preto e branco, o jogo de luz e sombra, os retratos em grande plano e os espaços despojados criam uma linguagem visual semelhante à poesia — concisa, precisa e profundamente emocional. Ao mesmo tempo, temas como a transitoriedade, o amor, a morte, a fé e a solidão conferem às suas obras a dimensão de histórias épicas, não pela escala dos acontecimentos, mas pela magnitude do destino humano. Para ele, a arte é um meio de procurar a verdade, e não mera decoração. Por isso é que os seus filmes deixam a impressão de que não são apenas vistos com os olhos, mas lidos com a alma. É precisamente por isso que o estilo de Bergman incorpora na perfeição a união entre literatura, poesia e arte — um mundo onde uma imagem fala como um verso e o silêncio ressoa como um capítulo inteiro.
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Editorial realizado em exclusivo para a Vogue Portugal.
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