Khaite FW26
O início do mês da Moda começa no sítio de costume. A cidade americana dá-nos vida mesmo quando mais precisávamos.
É difícil ver a beleza da vida em fevereiro. A expetativa de mudança de janeiro dissolveu-se com tanta rapidez como as nossas resoluções. Assim que a depressão estival começa a fomentar desespero apocalíptico, o mês da Moda chega mesmo a tempo para nos relembrar que existe uma razão para viver. Ou melhor, quatro: Nova Iorque, Londres, Milão e Paris.
O primeiro boost de serotonina veio cedo, aliás, precoce. Antes mesmo da abertura do calendário oficial da Semana de Moda de Nova Iorque, Marc Jacobs apresentou a sua coleção primavera/verão 2026. Como sempre, o designer americano vai contra a maré. Claro que Jacobs sabe que o pode fazer, nós perdoamo-lo por qualquer indiscrição. O seu impacto na indústria (na cultura!) é tal que é difícil não lhe dar abébias. A coleção que apresentou é um reflexo do seu legado. O impacto do designer é demasiado extenso para sumarizar—um “problema” que Jacobs partilha com o resto de nós mortais. Por isso, mesmo que as propostas na passerelle sejam reflexivas, não são apenas um índice do seu sucesso. Ao invés analisam os seus primeiros passos na indústria e o minimalismo dos anos 90 que ajudou a definir. O abecedário do estilo está todo presente: de A (sets com cardigans e saias midi) a Z (camisas simples combinadas com saias em lã).

Marc Jacobs SS26
Launchmetrics Spotlight
A coleção foi um ligeiro desvio da filosofia de Jacobs desde que este voltou à passerelle após a pandemia: experiências dramáticas do guarda-roupa moderno através de volumes à la Rei Kawakubo. E, ainda que estas sejam extremamente interessantes, esta estação o designer ocupou-se de entender o seu legado funcional através do seu recente interesse conceptual. A simplicidade das silhuetas minimalistas foi complexificada por detalhes desconcertantes. Saias caiam demasiado retas, deixando espaço suficiente na cintura para caber uma das mãos das modelos. Um casaco azul é feito ao contrário. T-shirts têm volumes bizarros, dilatando-se para lá da linha natural dos ombros. Jacobs relembra-nos do seu impacto e prova o seu contínuo crescimento. O designer é tão essencial para a indústria como o dia em que começou.

Marc Jacobs SS26
Launchmetrics Spotlight
Das expectativas de grandeza garantidas partimos para a esperança de um novo começo. Rachel Scott apresentou a sua primeira coleção oficial para Proenza Schouler. Após a notícia que a designer iria ser a sucessora dos fundadores da marca, Jack McCollough e Lazaro Hernandez (agora diretores criativos da Loewe), Nova Iorque celebrou. Há muito que Scott é uma das favoritas da indústria americana através da sua marca, Diotima. Nesta, a designer conjura uma mulher intelectual, mas politicamente e culturalmente consciente. Não há melhor escolha para líder da Proenza Schouler, uma marca que sempre caminhou a linha entre realismo prático e elegância idealizada. Este foi o ponto de começo de Scott. Focada em entender as complexidades da mulher que usa Proenza, a designer tentou entendê-la para além da sua aparente perfeição. Com este propósito em mente, outono/inverno 2026 encontrou-se repletos de pequenas “imperfeições” num guarda-roupa clássico. Fatos estruturais com saias rígidas com peplums que escondem as cores vibrantes dos forros e vestidos em seda torcem riscas paralelas. A individualidade de Scott revelou-se na sua afiliação por malha, aqui modelada ao corpo em vestidos coloridos. Mangas e bainhas são feitas volumosas através de loops duplos de finas fitas.

Proenza Schouler FW26
Outro ícone da indústria moderna americana, Eckhaus Latta, teve uma estação particularmente forte. Para outono/inverno 2026, Mike Eckhaus e Zoe Latta propuseram um crescimento da sua marca que sempre se distinguiu pela sua atitude jovem. Vestido em seda e conjuntos com saias florais apontam para tal crescimento. Estes momentos não marcaram a coleção, mas serviram como indícios de mudança, de amadurecimento. Claro que as riscas icónicas da marca não se ausentaram. A preferência por ganga também não (aqui presentes em chaps que revelam a parte interior das coxas que entraram imediatamente na minha wishlist).

Eckhaus Latta FW26
Se Eckhaus Latta é para aqueles que se recusam a crescer, Khaite é para os que entendem a elegância como o objetivo mais importante da Moda. Estação sim, estação sim, Catherine Holstein fundamenta o guarda-roupa feminino. Com designs que frequentemente inspiram réplicas, a marca americana é a melhor (ou talvez única) referência para entender o que a mulher moderna quer. Neste caso: ombros fortes, cinturas apertadas, botas slouchy. O desfile começou com silhuetas militares executadas em camisas translúcidas com botões oversized e acabou com vestidos que combinavam renda floral com seda volumosa—Holstein tem um talento de destilar as tendências de amanhã em peças intemporais.

Khaite FW26
Most popular
Anna Wintour e o presidente da câmara de Milão, Giuseppe Sala, revelam a localização do Vogue World 2026
24 Feb 2026
Relacionados
