Editorial | We Are The Pattern, setembro 2026

02 Sep 2026
By Sofia Lucas

© Branislav Simoncik

“What we call chaos is just patterns we haven't recognized. What we call random is just patterns we can't decipher.” - Chuck Palahniuk

Há qualquer coisa de profundamente humana, e natural, na nossa obsessão por padrões. Estão nas riscas, nos xadrezes, nas flores e nos grafismos que, estação após estação, voltam a ser tendência, confirmando a memória cíclica da moda e do design. Mas os padrões não são uma invenção humana… estão nas nervuras de uma folha, nas espirais de uma concha, nas ondas, nas órbitas, nos anéis de uma árvore. O cosmos também trabalha por repetição: ciclos, ritmos, movimentos, expansão e retorno. E nós, com a nossa pretensão de singularidade, fazemos parte desse desenho, desse imenso padrão universal.

Branislav Simoncink

Talvez procuremos padrões porque nos tranquilizam. Repetir é reconhecer, reconhecer é sentir que, por momentos, sabemos onde estamos. Fazemo-lo nas rotinas, nos comportamentos, nas relações, nas tendências, até os algoritmos já sabem aquilo de que provavelmente vamos gostar antes de nós. Vivemos rodeados de padrões e, paradoxalmente, obcecados com a ideia de sermos únicos. Queremos distinguir-nos, mas até a busca pela diferença se pode transformar em padrão. Vestimos a nossa individualidade, literalmente, enquanto milhares de outros fazem o mesmo.

Tida Rosvall
Luís Monteiro

Mas talvez a nossa própria pele contenha a resposta. Linhas, curvas e um padrão aparentemente semelhante a tantos outros formam uma impressão digital única, que nunca se repete noutro ser humano. Somos feitos da mesma matéria, obedecemos aos mesmos ritmos, e ainda assim carregamos uma geometria só nossa.

Alice Mcgrath
Leire Cavia

Talvez quebrar padrões não signifique destruí-los, mas interferir neles. É torcer uma silhueta, desafinar um ritmo, introduzir uma falha num desenho previsível. A natureza sabe disso melhor do que ninguém: nenhum padrão é absolutamente perfeito. Há assimetrias, desvios, mutações. E é muitas vezes aí que nasce a beleza, a da imperfeição.

Valeriia Maiboroda
Luciana Lorizzo

Talvez a verdadeira liberdade esteja em reconhecer humildemente que todos nós pertencemos a uma geometria muito maior do que nós, mas ainda assim, ter a coragem de a tentar alterar. 

Publicado originalmente na edição We Are The Pattern, de setembro 2026. For the english version, click here

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