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by Sofia Lucas

 

Deixe que o seu Natal seja o seu momento presente, um presente mágico, e dê espaço à criança que vive em todos nós, e que é, mesmo nos momentos menos felizes, vulnerável à alegria.  

 © Fotografia de Elina Kechicheva. Realização de Simon Pylyser.

“Eu sei o que realmente quero para o Natal. Quero a minha infância de volta. Ninguém me vai dar isso. Eu posso dar pelo menos a memória disso a mim mesmo, se eu tentar. Eu sei que não faz sentido, mas desde quando o Natal é sobre fazer sentido, afinal? É sobre uma criança, de um passado longínquo, e é sobre a criança de agora. Em mim e em si. Esperando atrás da porta dos nossos corações por algo maravilhoso que vai acontecer. Uma criança que é impraticável, irrealista, simplista e terrivelmente vulnerável à alegria.” Robert Fulghum, All I Really Need to Know I Learned in Kindergarten.

As luzes brilham nas árvores e nas janelas. Montras, armazéns e corredores cheios de presentes e guloseimas de Natal, e vizinhos que tentam superar-se uns aos outros exibindo os mais extravagantes enfeites de Natal. Toda uma nuvem natalícia paira no ar, ao som de uma banda sonora que vai de Jingle Bells a Mariah Carey, a garantir-nos que tudo o que mais deseja para o Natal somos nós, passando pelos clássicos mais comoventes que nos deixam de olhos húmidos e invadidos por uma nostalgia que nem sabemos explicar (ou sabemos) mas há que seguir em frente, porque agora é Natal. 

Na Vogue, vivemos a antecipação do Natal de forma intensa, até porque é a melhor parte dos grandes momentos. Doces e bolos gender fluid, Rei e Rainha, começam a invadir a redação, os enfeites da época, que já saíram das gavetas, assumem o papel de coroas de Natal na cabeça da Irina Chitas, a nossa rainha do Natal. Os serões de fecho (ainda mais) animados, com todos os clichés musicais natalícios, enquanto do nosso showroom saem desfiles de Moda improvisados, com curadoria da Cláudia Barros e da Ana Caracol, com todas as lantejoulas e os brilhos da roupa e dos acessórios de festa, cujo brilho só conseguiu ser ofuscado pelo dos olhos da Patrícia Domingues, quando descobriu o verdadeiro Pai Natal. E, para que ninguém voltasse a duvidar, não só o entrevistou, como preparou um unboxing com a ajuda da Catarina Parkinson, para que o Pai Natal viesse até à redação abrir os seus próprios presentes, no meio de toda uma equipa que o esperava com o entusiasmo de uma viagem no tempo às nossas infâncias. 

Mas, enquanto alguns contam ansiosamente os dias até ao Natal, muitos adorariam ter a oportunidade de receber apenas um postal gigante com a simples frase: o Natal foi cancelado. Infelizmente, nem todos podem ou conseguem partilhar do entusiasmo generalizado e, infelizmente, haverá sempre alguém a atravessar um momento devastador, a sofrer a dor de uma perda, em dificuldades financeiras ou sem o calor do apoio e carinho de uma família ou amigos próximos. Sabemos que, nalguns casos, a época de Natal pode ser uma luta cheia de turbulência, desespero e solidão. 

O Natal pode ser um monstro, de duas cabeças, que na sua génese e definição mais primária é uma celebração que pode desencadear os sentimentos mais contraditórios dentro de nós. Na Vogue, quisemos celebrar o Natal consigo, tal como ele é. Uma montanha‑russa de expectativas e emoções, com os dois lados inegáveis, de luz e de sombra. Esta edição foi pensada e desenhada, literalmente nos dois sentidos, e encontrará um alinhamento especial para este tema, em que as secções assumem o efeito de espelho, com a primeira parte da revista dedicada ao lado mais luminoso e a segunda ao lado mais sombrio do Natal. 

Se não tem ninguém com quem passar o Natal, use a oportunidade de celebrar e comprar presentes para si mesma. Mime-se; vá às compras de Natal e peça que tudo seja embrulhado para presente, compre as suas iguarias favoritas ou prepare a sua própria ceia de luxo. Vista-se para si própria, e não importa se com um vestido de festa ou o pijama mais aconchegante. Não se esqueça do perfume, o toque de alquimia para uma noite perfeita consigo mesma. Acenda a lareira, ou simplesmente uma vela, para a sua noite perfeita. Veja ou reveja os filmes da sua vida ou mergulhe nas páginas de um livro, ou da sua Vogue, e deixe-se viajar. Rodeie-se das vibrações mágicas que merece e abra a garrafa certa para o brinde certo – a si, aos seus e à vida. 

A sua felicidade, a paz e a alegria no Natal são tão importantes quanto as de outras pessoas, por isso, pratique um ato de amor próprio e dê o seu tempo àqueles que demonstram amor, cuidado e respeito mútuos. A generosidade para com os outros pode, e deve, ter lugar durante todo o ano. 

O Natal pode não ser para todos, mas enquanto estivermos com as pessoas que amamos (mesmo que isso signifique estar sozinho), isso é tudo o que importa. E deixe que o seu Natal seja o seu momento presente, um presente mágico, e dê espaço à criança que vive em todos nós, e que é, mesmo nos momentos menos felizes, vulnerável à alegria. 

Feliz Natal.

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